Выбрать главу

Com base no que havia aprendido em meu cargo no President’s Council, contei-lhe sobre os desafios da Califórnia nas áreas de saúde e educação. Também falei sobre o desafio de tornar o estado mais receptivo aos negócios.

Então alguém entrou na sala e disse:

– Sr. Presidente, o público está quase pronto para recebê-lo.

Nós dois nos levantamos. Logo antes de sairmos, ele se virou para mim e falou:

– Você tem que se candidatar a governador da Califórnia. Se fizer isso, vou ajudá-lo ao longo de todo o caminho.

Ele me pegou de surpresa, pois não estávamos de forma alguma falando sobre isso. Nixon foi o primeiro a abordar o assunto para mim de forma séria.

Ele pediu que Patrick fosse se sentar na plateia e me disse:

– Fique aqui. Vá se posicionar perto do palanque.

Já havia algumas pessoas em pé lá em cima, entre as quais Bob Hope e outras celebridades, então fui me juntar a eles.

Nixon, então, foi até o microfone e começou a falar. O discurso foi bom, tranquilo, e fiquei impressionado ao ver que ele não levara nada anotado. Discorreu com eloquência sobre a biblioteca e sua missão, a respeito da importância daquele evento beneficente, sobre algumas de suas realizações ao longo da vida, acerca de políticas públicas que deveriam continuar e assim por diante.

– E não posso me esquecer dos importantes seguidores que tenho aqui. Vocês são os responsáveis por fazer isto tudo acontecer, e sou muito grato pelo seu apoio – falou. – Mas agora quero chamar uma pessoa que representa o futuro deste estado e...

Não ouvi o que ele disse depois, porque meu coração havia disparado.

“Talvez ele queira só mencionar meu nome”, pensei. No fundo, porém, sabia que ele estava prestes a me chamar para falar. Duas partes na minha mente começaram na mesma hora a travar um debate. Uma delas dizia “Que porra é essa? Putz, não estou preparado para isso”, enquanto a outra falava “Cara, o presidente Nixon está falando de você. Fique feliz!”.

Ouvi Nixon dizer:

– Arnold, suba até aqui.

Aplausos estrondosos ressoaram.

Então avancei até ficar na frente de todas aquelas pessoas e fui apertar a mão do presidente. Em seguida ele sussurrou, mas em um tom perfeitamente audível pelo microfone:

– Acho que você deveria dizer algumas palavras.

Por sorte, quando temos uma boa impressão de alguém e sabemos especificamente por quê, ser sincero não é nada complicado. Eu não titubeei. Cheguei até a fazer piada.

– Bom, eu adoro ser chamado para fazer um discurso sem aviso prévio, então muito obrigado.

Ouviram-se algumas risadas. Continuei falando por alguns minutos sobre como havia me tornado republicano. Contei que vira Nixon na TV pela primeira vez durante a campanha presidencial de 1968, “quando ele estava falando sobre apoiar a segurança pública!” Algumas pessoas aplaudiram e eu continuei:

– Ele apoiava os militares, o Pentágono, a expansão militar, e dizia que os Estados Unidos só podem ser poderosos se tiverem Forças Armadas potentes.

Mais aplausos.

– E ele falou sobre construir uma economia que fosse global. Falou em eliminar tarifas e barreiras ao comércio e que, em última instância, o que precisamos proteger é a nossa prosperidade, não a mão de obra!

Mais aplausos ainda.

– Eu adorei ouvi-lo dizer tudo isso. Como vinha de um país socialista, adorei sobretudo ouvir alguém dizer: “Tirem o governo de cima da gente.”

Mais aplausos, mais vivas.

– Então eu me tornei um grande fã desse homem. Fui um de seus grandes defensores e estou aqui hoje porque ainda sou. Precisamos de mais líderes como ele!

Agora a plateia inteira estava aplaudindo e dando vivas. Foi o paraíso.

Depois do discurso, o ex-presidente me levou até sua sala e falou:

– Lembre-se do que eu lhe disse sobre se candidatar a governador.

Pensei que, já que vinha de alguém como Nixon, a ideia de acabar seguindo o caminho da política não devia ser tão absurda assim, mas meus sentimentos em relação ao assunto nunca foram tão intensos a ponto de eu sentir que com certeza era algo que iria acontecer. Virar político nunca foi uma daquelas coisas “a fazer neste ano”. Não fiquei pensando no assunto, não estabeleci nenhum prazo. Permaneci bem tranquilo.

CAPÍTULO 20

O último grande herói

EM HOLLYWOOD, NINGUÉM VENCE O TEMPO TODO. Em algum momento, com certeza vai levar uma surra. No verão seguinte chegou a minha vez com O último grande herói. Nós tínhamos prometido ao mundo um estouro de bilheteria: promovemos o lançamento como “o maior sucesso de 1993”, “o maior filme do verão”. O exterminador do futuro 2 – O julgamento final tinha sido o maior filme de 1991, e todos esperavam que O último grande herói o superasse.

Mas não: a sensação que ninguém pôde perder naquele verão foi Jurassic Park – O parque dos dinossauros, o longa que acabou superando até mesmo E.T. como o maior sucesso da história do cinema. Enquanto isso, nós entregamos um filme que não tinha a energia necessária para se transformar em entretenimento de grande porte. Além disso, tivemos o azar de planejar a estreia para o fim de semana seguinte ao lançamento de Jurassic Park. Assim que chegou às telas, O último grande herói foi detonado. A matéria de capa da Variety dizia: “Lagartos devoram almoço de Arnold”.

Na realidade, porém, o filme faturou bem, e só foi um fracasso em comparação com o que era esperado. Se eu não fosse um astro tão em evidência, ninguém teria reparado no mau resultado. Foi uma pena, porque o argumento do filme me agradava muito. Era um misto de ação e comédia, os dois tipos de papel que eu sabia fazer melhor. Para atrair o público mais amplo possível, o filme recebera a classificação 14 anos – uma história divertida, típica de verão, uma brincadeira sem muita violência explícita, palavrões ou sexo. Eu fazia o herói de ação Jack Slater, um inspetor de polícia de Los Angeles de espírito independente. Também era produtor executivo do filme, ou seja, tinha que aprovar cada aspecto do projeto: desenvolvimento do roteiro, escolha do diretor e do elenco, financiamento junto ao estúdio, distribuição e marketing, definição do orçamento, contratação de uma empresa de relações públicas, planejamento da distribuição internacional – a lista era interminável. Essa responsabilidade extra era um prazer. Muitas vezes eu desempenhei um papel ativo nos bastidores de meus filmes: fechava o acordo para a produção, contratava o diretor e, naturalmente, cuidava do planejamento de marketing. Às vezes, porém, quando dizia “Posso ver o cartaz?” ou “Vamos escolher uma foto melhor para usar”, eu tinha a sensação de que estava me intrometendo. Agora podia participar de tudo, do desenvolvimento de ações promocionais à aprovação dos protótipos dos bonecos Jack Slater.