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Tyrion adiantou os lanceiros. Qavo respondeu com a cavalaria ligeira. Tyrion fez avançar os besteiros um quadrado e disse:

— O sacerdote vermelho, lá fora, parecia pensar que Volantis devia lutar por essa rainha prateada, não contra ela.

— Os sacerdotes vermelhos seriam sensatos em ter tento na língua — disse Qavo Nogarys. — Já houve lutas entre os seus seguidores e os que adoram outros deuses. O palavreado de Benerro só servirá para lhe fazer cair sobre a cabeça uma violenta ira.

— Que palavreado? — perguntou o anão, brincando com a sua populaça.

O volanteno fez um aceno com a mão.

— Em Volantis, milhares de escravos e libertos enchem a praça do templo todas as noites para ouvir Benerro guinchar sobre estrelas sangrando e uma espada de fogo que limpará o mundo. Tem andado pregando que Volantis irá arder de certeza se os triarcas pegarem em armas contra a rainha prateada.

— Essa é uma profecia que até eu podia fazer. Ah, o jantar.

O jantar era um prato de cabra assada servida numa base de fatias de cebola. A carne estava condimentada e odorífera, chamuscada por fora e vermelha e sumarenta por dentro. Tyrion arrancou uma fatia. Estava tão quente que lhe queimou os dedos, mas tão boa que não conseguiu evitar estender a mão para outro bocado. Empurrou-a para baixo com o licor volanteno verde claro, a coisa mais semelhante a vinho que bebia desde há séculos.

— Muito bom — disse, pegando no dragão. — A peça mais poderosa do jogo — anunciou, enquanto removia do tabuleiro um dos elefantes de Qavo. — E Daenerys Targaryen tem três, segundo se diz.

— Três — concedeu Qavo — contra três vezes três mil inimigos. Gra- zdan mo Eraz não foi o único emissário que foi enviado da Cidade Amarela. Quando os Sábios Mestres avançarem contra Meereen, as legiões de Nova Ghis combaterão a seu lado. Tolosinos. Elirianos. Até os dothraki.

— Vocês têm dothraki aos seus próprios portões — disse Haldon.

— O Khal Pono. — Qavo fez um gesto de indiferença com a mão. — Os senhores dos cavalos aparecem, damos-lhes presentes, os senhores dos cavalos desaparecem. — Voltou a mover a catapulta, fechou a mão em volta do dragão de alabastro de Tyrion, tirou-o do tabuleiro.

O resto foi massacre, embora o anão tivesse aguentado mais uma dúzia de jogadas.

— Chegou o momento das lágrimas amargas — disse Qavo por fim, recolhendo a sua pilha de prata. — Outro jogo?

— Não é necessário — disse Haldon. — O meu anão recebeu a sua lição de humildade. Acho que é melhor que regressemos ao nosso barco.

Lá fora, na praça, a fogueira noturna ainda ardia, mas o sacerdote desapareceu e a multidão dispersara-se há muito. O brilho das velas tremeluzia nas janelas do bordel. De dentro vinha o som dos risos das mulheres.

— A noite ainda é nova — disse Tyrion. — Qavo pode não nos ter dito tudo. E as rameiras ouvem muitas coisas dos homens a quem prestam serviço.

— Precisa assim tanto de uma mulher, Yollo?

— Um homem cansa-se de não ter amantes além dos dedos. — Pode ser para Selhorys que as rameiras vão. Tysha pode estar ali agora mesmo, com lágrimas tatuadas na bochecha. — Eu quase que me afoguei. Um homem precisa de uma mulher depois disso. Além do mais, tenho de me assegurar de que o meu pirilau não se transformou em pedra.

O Semimeistre riu.

— Eu espero por você na taberna junto do portão. Não demore muito a tratar dos seus assuntos.

— Oh, quanto a isso não tenha medo. A maioria das mulheres prefere despachar-se comigo o mais depressa que puderem.

O bordel era modesto, comparado com aqueles que o anão costumava frequentar em Lanisporto e em Porto Real. O proprietário não parecia falar nenhuma língua além da de Volantis, mas compreendeu bastante bem o tinir da prata, e levou Tyrion por uma arcada até uma longa sala que cheirava a incenso, por onde quatro escravas aborrecidas vagueavam em vários estados de nudez. Calculou que duas tinham visto pelo menos quarenta dias dos seus nomes chegar e partir; a mais nova teria talvez quinze ou dezesseis anos. Nenhuma era tão hedionda como as rameiras que viu trabalhar nas docas, embora ficassem bem longe da beleza. Uma estava claramente grávida. Outra era só gorda, e ostentava anéis de ferro em ambos os mamilos. Todas as quatro tinham lágrimas tatuadas sob um olho.

— Tem alguma moça que fale a língua de Westeros? — perguntou Tyrion. O proprietário semicerrou os olhos, sem entender, de modo que o anão repetiu a pergunta em alto valiriano. Daquela vez o homem pareceu apanhar duas ou três palavras e respondeu em volanteno. A única coisa que conseguiu obter da resposta dele foi "moça poente". Deduziu que o significado disso seria uma menina dos Reinos do Poente.

Só havia uma moça assim na casa, e não era Tysha. Tinha bochechas sardentas e pequenos caracóis ruivos na cabeça, o que prometia seios sardentos e pelos ruivos entre as pernas.

— Servirá — disse Tyrion — e também quero um jarro. Vinho tinto com carne ruiva. — A menina estava olhando para a sua cara sem nariz com repulsa nos olhos. — Ofendo-lhe, querida? Sou uma criatura ofensiva, como o meu pai ficaria satisfeito por lhe dizer se não estivesse morto e apodrecendo.

Apesar de parecer ser oriunda de Westeros, a menina não falava uma palavra do idioma comum. Talvez tenha sido capturada por algum traficante de escravos em criança. O quarto dela era pequeno, mas havia um tapete de Myr no chão, e um colchão recheado de penas em vez de palha. Já vi pior.

— Não me quer fornecer um nome? — perguntou, enquanto aceitava uma taça de vinho que ela lhe estava oferecendo. — Não? — o vinho era forte e amargo e não precisava de tradução. — Suponho que me contentarei com a sua boceta. — Limpou a boca com as costas da mão. — Já alguma vez se deitou com um monstro? Agora é uma hora tão boa como qualquer outra. Fora com a roupa e de costas, se lhe agradar. Ou não.

A moça olhou-o sem entender, até que ele lhe tirou o jarro das mãos e lhe subiu as saias acima da cabeça. Depois disso compreendeu o que se exigia dela, embora não se revelasse a mais ativa das parceiras. Tyrion passou tanto tempo sem mulher que se derramou dentro dela à terceira arremetida.

Rolou para fora dela sentindo-se mais envergonhado do que saciado. Isto foi um erro. Que criatura desgraçada é esta em que me tornei.

— Conhece uma mulher que se chama Tysha? — perguntou, enquanto observava a sua semente escorrer de dentro dela para a cama. A rameira não respondeu. — Sabe para onde vão as rameiras? — Também não respondeu a essa pergunta. Tinha nas costas um rendilhado de estrias de tecido cicatricial. Essa mulher para todos os efeitos está morta. Acabei de foder um cadáver. Até os seus olhos pareciam mortos. Nem sequer tem força para me abominar.