— Dagmar vai esmagá-los — insistiu Cromm, que nunca conhecera uma mulher por quem sentisse metade do amor que nutria pela batalha. — Eles são só lobos.
— Os lobos estão todos mortos. — Asha arranhou a cera cor-de-rosa com a unha. — Estes são os esfoladores, que os mataram.
— Devíamos ir até Praça de Torrhen nos juntar à luta — instigou Quenton Greyjoy, um primo afastado e capitão da Menina Salgada.
— Verdade — disse Dagon Greyjoy, um primo ainda mais afastado. Os homens chamavam-lhe Dagon, o Bêbado, mas tanto bêbado como sóbrio adorava combater. — Porque haverá o Boca-Fendida de ficar com toda a glória para si?
Dois dos criados de Galbart Glover trouxeram o assado, mas aquele bocado de pele roubara o apetite de Asha. Os meus homens desistiram de toda a esperança de vitória, compreendeu sombriamente. Tudo o que procuram agora é uma boa morte. Não duvidava de que os lobos lhes dariam essa morte. Mais cedo ou mais tarde, virão reconquistar este castelo.
O Sol estava afundando-se por trás dos grandes pinheiros da mata dos lobos quando Asha subiu os degraus de madeira que levavam ao quarto que pertencera em tempos a Galbart Glover. Bebera muito vinho e sentia a cabeça latejando. Asha Greyjoy gostava dos seus homens, tanto dos capitães como das tripulações, mas metade deles eram idiotas. Idiotas corajosos, mas idiotas na mesma. Ir até o Boca-Fendida, pois sim, como se pudéssemos...
Entre Bosque Profundo e Dagmar estendiam-se longas léguas de montes acidentados, densas florestas, rios caudalosos e mais nortenhos do que aqueles em que gostaria de pensar. Asha tinha quatro dracares e não chegava a dispor de duzentos homens... incluindo Tristifer Botley, que não era digno de confiança. Apesar de toda a sua conversa sobre amor, não conseguia imaginar Tris correndo para Praça de Torrhen a fim de morrer com Dagmar Boca-Fendida.
Qarl seguiu-a para dentro do quarto de Galbart Glover.
— Saia — disse-lhe. — Quero estar sozinha.
— O que você quer sou eu. — E tentou beijá-la.
Asha afastou-o com um empurrão.
— Se me tocar outra vez, eu...
— O quê? — puxou pelo punhal. — Despe-se, mulher.
— Vai se foder, rapazinho sem barba.
— Preferia foder você. — Um golpe rápido desatou-lhe o justilho. Asha estendeu a mão para o machado, mas Qarl deixou cair a faca e pegou-lhe no pulso, torcendo-lhe o braço até a arma cair dos seus dedos. Empurrou-a para a cama de Glover, beijou-a com força, e arrancou-lhe a túnica para deixar que os seios se derramassem para fora. Quando Asha tentou dar-lhe uma joelhada nas virilhas, ele torceu-se, esquivando-se, e forçou-a a abrir as pernas com os joelhos. — Vou lhe possuir agora.
— Faça isso — cuspiu ela — que te mato durante o sono.
Estava ensopada quando ele a penetrou.
— Raios lhe partam — disse. — Raios lhe partam raios lhe partam raios lhe partam. — Ele chupou-lhe os mamilos até que ela gritou, meio de dor, meio de prazer. A sua rata transformou-se no mundo. Esqueceu-se de Fosso Cailin, de Ramsay Bolton e do seu bocadinho de pele, esqueceu a assembleia de homens livres, esqueceu o seu fracasso, esqueceu o exílio, os inimigos e o marido. Só as mãos dele importavam, só a sua boca, só os seus braços à sua volta, a sua pica dentro dela. Ele fodeu-a até a pôr a gritar, e depois fodeu-a de novo até a pôr a chorar, antes de finalmente despejar a sua semente no ventre dela.
— Sou uma mulher casada — lhe fez Asha lembrar, depois. — Me violou, meu rapazinho sem barba. O senhor meu marido vai cortar-lhe os tomates e enfiar-lhe num vestido.
Qarl rolou de cima dela.
— Se conseguir sair da cadeira dele.
O quarto estava frio. Asha levantou-se da cama de Galbart Glover e despiu a roupa rasgada. O justilho precisaria de ataduras novas, mas a túnica estava estragada. De qualquer maneira nunca gostei dela. Atirou-a às chamas. O resto deixou num montinho junto da cama. Tinha os seios duros, e a semente de Qarl estava escorrendo-lhe pelas coxas abaixo. Precisaria de fazer um pouco de chá de lua, senão se arriscaria a trazer ao mundo outra lula gigante. O que importa? O meu pai está morto, a minha mãe está moribunda, o meu irmão está sendo esfolado e não há nada que eu possa fazer a respeito de nada disso. E estou casada. Casei e fiz amor, embora não com o mesmo homem.
Quando voltou a enfiar-se sob as peles, Qarl estava dormindo.
— Agora a sua vida é minha. Onde pus o punhal? — Asha encostou-se às costas do homem e enfiou os braços em volta dele. Nas ilhas, era conhecido como Qarl, o Donzel, em parte para distingui-lo do Qarl Pastor, do Estranho Qarl Kenning, do Qarl Machado-Ligeiro e do Qarl, o Servo, mas mais devido à cara lisa. Quando Asha o conhecera. Qarl estava tentando arranjar uma barba. — Penugem de pêssego — chamara-lhe, rindo. Qarl confessara que nunca vira um pêssego, então ela dissera-lhe que tinha de juntar-se a ela na vez seguinte que viajasse para o sul.
Nessa altura ainda era verão; Robert ocupava o Trono de Ferro, Balon matutava na Cadeira de Pedra do Mar, e os Sete Reinos estavam em paz. Asha levara o Vento Negro pela costa abaixo, fazendo comércio. Aportaram na Ilha Bela e em Lanisporto e numa vintena de portos menores até chegarem à Árvore, onde os pêssegos eram sempre enormes e doces.
— Vê? — dissera ela, da primeira vez que encostara um à bochecha de Qarl. Quando o obrigara a experimentar dar-lhe uma dentada, o sumo escorrera-lhe pelo queixo abaixo e ela tivera de limpá-lo com beijos.
Tinham passado essa noite devorando pêssegos e devorando-se um ao outro, e quando a luz do dia regressara Asha estava saciada, peganhenta e mais feliz do que alguma vez estivera. Isso foi há seis anos ou há sete? O verão era uma recordação que se desvanecia, e tinham-se passado três anos desde a última vez que Asha desfrutara de um pêssego. Mas ainda desfrutava de Qarl. Os capitães e os reis podiam não tê-la desejado, mas ele desejava.
Asha conhecera outros amantes; alguns partilhavam a sua cama durante meio ano, outros durante meia noite. Qarl agradava-lhe mais do que todos os outros juntos. Podia não fazer a barba mais que uma vez por quinzena, mas uma barba peluda não faz um homem. Gostava de sentir a pele lisa e suave dele sob os seus dedos. Gostava do modo como o longo cabelo liso que ele tinha lhe roçava nos ombros. Gostava do modo como ele beijava. Gostava de como sorria quando ela roçava os polegares pelos mamilos dele. Os pelos entre as suas pernas eram de um tom mais escuro de areia do que o cabelo que tinha na cabeça, mas eram finos como penugem quando comparados com o expesso matagal preto que rodeava o seu sexo. Asha também gostava disso. Ele tinha um corpo de nadador, longo e esguio, sem uma cicatriz.
Um sorriso tímido, braços fortes, dedos inteligentes e duas espadas seguras. O que mais poderá querer uma mulher? Teria casado com Qarl, e de bom grado, mas era filha do Lorde Balon e ele era de nascimento plebeu, neto de um servo. Muito mal nascido para que me case com ele, mas não muito baixo para que lhe chupe a pica. Bêbada, sorridente, se arrastou para dentro das peles e tomou-o na boca. Qarl mexeu-se no sono, e passado um momento começou a endurecer. Quando o conseguiu pôr de novo duro, ele estava acordado e ela molhada. Asha enrolou as peles em volta dos seus ombros nus e montou-o, enfiando-o tão profundamente dentro de si que não conseguia distinguir quem tinha a pica e quem tinha a boceta. Daquela vez, chegaram os dois ao auge juntos.