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— Qual de nós quer primeiro? — perguntou Arron.

— Todos. Ao mesmo tempo.

— Três conta um? — Jace estava incrédulo. — Não seria bonito. — Pertencia ao último grupo de Conwy, um filho de sapateiro vindo da Ilha Bela. Isso talvez explicasse aquela ideia.

— É verdade. Vem cá.

Quando o fez, a lâmina de Jon atingiu-o do lado da cabeça, desequili- brando-o. Num piscar de olhos, o rapaz tinha uma bota no peito e a ponta de uma espada na garganta.

— A guerra nunca é bonita ou justa — disse-lhe Jon. — Agora são dois contra um e você está morto.

Quando ouviu gravilha a ser esmagada, soube que os gêmeos estavam  arremetendo. Aqueles dois ainda vão dar patrulheiros. Girou, parando o golpe de Arron com a borda do escudo e enfrentando o de Emrick com a espada.

— Isso não são lanças — gritou. — Aproximem-se mais. — Passou ao ataque para lhes mostrar como se fazia. Primeiro Emrick. Golpeou-lhe a cabeça e os ombros, à direita, à esquerda e de novo à direita. O rapaz ergueu o escudo e tentou um contragolpe desajeitado. Jon atirou o seu próprio escudo contra o de Emrick e o fez cair com um golpe atirado à perna... e não foi cedo demais, porque Arron estava em cima dele, com um golpe esmagador atirado à parte de trás da sua coxa que o levou a apoiar-se num joelho. Isto vai deixar uma nódoa negra. Parou o golpe seguinte com o escudo, após o que se voltou a pôr em pé e empurrou Arron pelo pátio fora. Ele é rápido, pensou, enquanto as espadas se beijavam uma e duas e três vezes, mas precisa se tornar mais forte. Quando viu alívio nos olhos de Arron, compreendeu que Emrick estava atrás de si. Deu uma volta e atirou-lhe uma espadeirada contra as omoplatas que o fez colidir com o irmão. Nessa altura Jace já se voltara a levantar, portanto Jon voltou a derrubá-lo. — Detesto quando os mortos se levantam. Vais sentir o mesmo no dia em que enfrentar uma criatura. — Recuando, baixou a espada.

— O corvo grande pode dar bicadas nos pequenos — rosnou uma voz atrás dele — mas terá estômago suficiente para combater com um homem?

Camisa de Chocalho estava encostado a uma parede. Uma barba por fazer, irregular, cobria-lhe as bochechas chupadas, e finos cabelos castanhos eram-lhe soprados para frente dos pequenos olhos amarelos.

— Lisonjeie-se — disse Jon.

— Sim, mas a você limpava.

— Stannis queimou o homem errado.

— Não. — O selvagem sorriu-lhe com uma boca cheia de dentes castanhos e quebrados. — Queimou o homem que tinha de queimar para o mundo inteiro ver. Todos fazemos o que temos de fazer, Snow. Até os reis.

— Emmett, arranja-lhe uma armadura. Quero-o vestido de aço, não de ossos velhos.

Depois de vestido de cota de malha e placas de aço, o Senhor dos Ossos pareceu endireitar-se um pouco mais. Também pareceu mais alto, com os ombros mais espessos e poderosos do que Jon teria imaginado. É a armadura, não o homem, disse a si próprio. Até Sam podia parecer quase formidável, vestido da cabeça aos pés com o aço de Donal Noye. O selvagem recusou com um gesto o escudo que Cavalo lhe ofereceu. Em vez disso pediu uma espada de duas mãos.

— Ora aqui está um belo som — disse, golpeando o ar. — Esvoaça para mais perto, Snow. Quero fazer-lhe voar as penas.

Jon investiu contra ele com dureza.

Camisa de Chocalho deu um passo para trás e enfrentou a arremetida com um golpe a duas mãos. Se Jon não tivesse interposto o escudo, podia ter-lhe amolgado a placa de peito para dentro e partido metade das costelas. A força do golpe o fez cambalear por um momento, fez-lhe percorrer o braço com uma violenta sacudidela. Ele golpeia com mais força do que eu teria suposto. A rapidez do adversário era outra surpresa desagradável. Moveram-se aos círculos em volta um do outro, trocando um golpe por outro. O Senhor dos Ossos deu tantos quantos recebeu. A grande espada de duas mãos devia ter sido bastante mais pesada do que a espada longa de Jon, mas o selvagem brandia-a com tanta velocidade que cegava.

Os novatos do Emmett de Ferro aclamaram o seu Senhor Comandante a princípio, mas a implacável velocidade dos ataques de Camisa de Chocalho depressa os reduziu ao silêncio. Ele não pode continuar com isto por muito tempoy disse Jon a si próprio quando parou mais um golpe. O impacto o fez soltar um grunhido. Mesmo embotada, a grande espada fez estalar o seu escudo de pinho e dobrou o rebordo de ferro. Ele se cansará em breve. Tem de se cansar. Jon atirou uma estocada à cara do selvagem, e Camisa de Chocalho puxou a cabeça para trás. Deitou uma cutelada à barriga da perna de Camisa de Chocalho, só para vê-lo saltar habilmente por cima da lâmina. A grande espada esmagou-se no ombro de Jon, com força suficiente para lhe amolgar a espaldeira e entorpecer o braço, por baixo. Jon recuou. O Senhor dos Ossos veio atrás dele, às gargalhadas. Ele não tem escudo, fez Jon lembrar a si próprio, e aquela espada monstruosa é pesada demais para paradas. Eu devia estar a dar dois golpes por cada um dos dele.

Mas, sem que percebesse como, não estava, e os golpes que dava não estavam a fazer efeito. O selvagem parecia estar sempre a afastar-se ou a deslizar para o lado, de modo que a espada de Jon ricocheteava num ombro ou num braço. Não demorou muito tempo a dar por si a ceder mais terreno, tentando evitar os golpes esmagadores do outro e passando metade do tempo falhando. O seu escudo fora reduzido a acendalhas. Sacudiu-o para fora do braço. Tinha suor a escorrer-lhe pela cara e a picar-lhe os olhos por baixo do elmo. Ele é forte demais e muito rápido, percebeu-se, e com aquela grande espada tem vantagem de peso e alcance sobre mim. Teria sido um combate diferente se estivesse armado com Garralonga, mas...

A sua oportunidade chegou no contragolpe seguinte de Camisa de Chocalho. Jon atirou-se em frente, investindo contra o outro homem, e caíram juntos, com as pernas emaranhadas. Aço estrondeou em aço. Ambos os homens perderam as espadas enquanto rolavam no chão duro. O selvagem enfiou-lhe um joelho entre as pernas. Jon socou-o com um punho revestido de cota de malha. Sem que soubesse como, Camisa de Chocalho acabou por cima, com a cabeça de jon nas mãos. Baseu com ela no chão, depois abriu-lhe a viseira.

— Se eu tivesse um punhal, tinhas um olho a menos por esta altura — rosnou, antes do Cavalo e do Emmett de Ferro o puxarem de cima do peito do Senhor Comandante. — Largem-me, corvos de merda — rugiu.

Jon lutou por se apoiar num joelho. Tinha a cabeça a ressoar e a boca estava cheia de sangue. Cuspiu-o e disse:

— Boa luta.

— Lisonjeias-se, corvo. Nem sequer suei.

— Da próxima vez suará — disse Jon. Edd Doloroso ajudou-o a pôr-se em pé e desprendeu-lhe o elmo. Adquirira várias profundas amolgadelas que não estavam lá quando o envergara. — Liberte-o. — Jon atirou o elmo ao Robin Saltitão, o qual o deixou cair.

— Senhor — disse Emmett de Ferro — ele ameaçou a sua vida, todos o ouvimos. Disse que se tivesse um punhal...

— Ele tem um punhal. Ali mesmo no cinto. — Há sempre alguém mais rápido e mais forte, dissera um dia Sor Rodrik a Jon e a Robb. Esse é o homem que quer enfrentar no pátio antes de precisar enfrentar outros semelhantes no campo de batalha.

— Lorde Snow? — disse uma voz suave.

Virou-se para ir dar com Clydas debaixo da arcada quebrada, com um pergaminho na mão.

— De Stannis? — Jon esteve à espera de receber notícias do rei. A Patrulha da Noite não participava, bem o sabia, e não lhe devia importar qual dos reis sairia triunfante. Mas de algum modo importava. — É Bosque Profundo?