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— Não conhece o rio. Espera e verá.

O bacon estalou, os biscoitos ficaram num tom dourado de castanho. O Jovem Griff subiu ao convés aos tropeções e a bocejar.

— Bom dia a todos. — O rapaz era mais baixo do que Pato, mas a sua constituição esguia sugeria que ainda não tinha chegado à sua altura completa. Este rapaz sem barba podia obter qualquer donzela dos Sete Reinos, com cabelo azul ou sem ele. Aqueles as derreteriam. Como o pai, o Jovem Griff tinha olhos azuis, mas enquanto os do pai eram claros, os do filho eram escuros. À luz das lâmpadas se tornavam negros, e à luz do crepúsculo pareciam purpúreos. As pestanas eram tão longas como as de qualquer mulher.

— Cheiro bacon — disse o rapaz, calçando as botas.

— Bom bacon — disse Ysilla. — Sente.

Deu a eles de comer na cobertura da popa, pressionando o Jovem GrifF a comer biscoitos com mel e batendo na mão do Pato com a colher sempre que este tentava pegar  mais bacon. Tyrion partiu dois biscoitos, encheu-os com bacon e levou um a Yandry, que estava na alavanca do leme. Depois ajudou Pato a içar a grande vela triangular da Tímida Donzela. Yandry os levou para o centro do rio, onde a corrente era mais forte. A Tímida Donzela era um bom barco. Tinha um calado tão baixo que podia abrir caminho mesmo pelo menor dos afluentes do rio, navegando por entre bancos de areia que teriam encalhado embarcações maiores, mas com a vela içada e uma corrente por baixo conseguia atingir uma boa velocidade. Yandry afirmava que isso poderia significar a diferença entre a vida e a morte nos trechos superiores do Roine.

— Acima das Mágoas não há lei, e há mil anos que é assim.

— E também não há gente, que eu veja. — Vislumbrara algumas ruínas ao longo das margens, pilhas de pedras cobertas de trepadeiras, musgo e flores, mas nenhum outro sinal de habitação humana.

— Não conhece o rio, Yollo. Um barco pirata pode estar escondido em qualquer ribeiro, e escravos fugidos se escondem com frequência entre as ruínas. Os caçadores de escravos raramente vêm tão para norte.

— Caçadores de escravos seriam uma mudança bem-vinda relativamente às tartarugas. — Não sendo um escravo fugido, Tyrion não precisava temer ser apanhado. E não era provável que um pirata incomodasse um barco de varejo se deslocando para jusante. Os bens valiosos vinham rio acima desde Volantis.

Quando o bacon acabou, Pato deu um murro no ombro do Jovem Griff.

— Está na altura de ganhar umas nódoas negras. Hoje é espadas, parece-me.

— Espadas? — o Jovem Griff fez um sorriso. — Espadas será bom.

Tyrion ajudou-o a vestir-se para o combate, com calças pesadas, gibão almofadado e uma armadura amolgada de velho aço. Sor Rolly enfiou-se na sua cota de malha e couro fervido. Ambos puseram elmos na cabeça e tiraram espadas longas sem fio do fardo guardado na arca das armas. Foram combater para a coberta de popa, atacando-se energicamente um ao outro enquanto o resto do grupo matinal os observava.

Quando combatiam com maça de armas ou machado embotado, o tamanho e a força superiores de Sor Rolly depressa se sobrepunham ao seu aluno. Com espadas, os desafios eram mais equilibrados. Nenhum dos homens tinha pegado num escudo naquela manhã, de modo que foi um jogo de golpe e parada, para trás e para diante pela coberta fora. O rio ressoava com o ruído do combate. O Jovem Griff acertou mais estocadas, embora as do Pato fossem mais fortes. Passado algum tempo, o homem maior começou a cansar-se. Os seus golpes começaram a chegar um pouco mais lentos, um pouco mais baixos. O Jovem Griff afastou-os a todos e desencadeou um furioso ataque que forçou Sor Rolly a recuar. Quando chegaram à popa, o rapaz prendeu as lâminas e atirou um ombro contra Pato, e o grandalhão caiu ao rio.

Reapareceu a cuspir e a praguejar, berrando por alguém que o pescasse antes de uma quebra-ossos lhe comer as partes pudendas. Tyrion atirou-lhe uma corda.

— Os patos deviam nadar melhor do que isso — disse, enquanto ele e Yandry voltavam a içar o cavaleiro para bordo da Tímida Donzela.

Sor Rolly agarrou em Tyrion pelo colarinho.

— Vejamos como nadam os anões — disse, atirando-o de cabeça ao Roine.

O anão foi o último a rir; conseguia chapinhar razoavelmente bem, e foi o que fez até começar a sentir cãibras nas pernas. O Jovem Griff estendeu-lhe uma vara.

— Não é o primeiro a tentar afogar-me — disse ao Pato enquanto despejava água do rio da bota. — O meu pai atirou-me a um poço no dia em que nasci, mas eu era tão feio que a bruxa de água que vivia lá em baixo me cuspiu de volta. — Descalçou a outra bota, após o que fez a roda pelo convés fora, salpicando-os a todos.

O Jovem Griff riu-se.

— Onde aprendeste a fazer isso?

— Os saltimbancos ensinaram-me — mentiu. — A minha mãe gostava mais de mim do que do resto dos filhos porque eu era tão pequeno. Amamentou-me até ter sete anos. Isso deixou os meus irmãos com ciúmes, por isso enfiaram-me num saco e venderam-me a uma trupe de saltimbancos. Quando tentei fugir, o chefe dos saltimbancos cortou-me metade do nariz, portanto não tive alternativa senão seguir com eles e aprender a ser divertido.

A verdade era bastante diferente. O tio ensinara-lhe um pouco de malabarismo aos seis ou sete anos. Tyrion dedicara-se a isso com avidez. Durante meio ano, andara alegremente a fazer rodas por todo o Rochedo Casterly, trazendo sorrisos tanto às caras de septões, como às de escudeiros e criados. Até Cersei rira uma ou duas vezes ao vê-lo.

Tudo isso terminara abruptamente no dia em que o pai regressara de uma estadia em Porto Real. Nessa noite, ao jantar, Tyrion surpreendera o seu progenitor percorrendo toda a mesa elevada a fazer o pino. O Lorde Tywin não ficara contente.

— Os deuses fizeram-te anão. Terás também de ser bobo? Nasceu leão, não macaco.

E tu és um cadávery pai, portanto, farei as cabriolas que quiser.

— Tem o dom para fazer os homens sorrir — disse a Septã Lemore a Tyrion enquanto este secava os dedos dos pés. — Devia agradecer ao Pai no Céu. Ele dá dons a todos os seus filhos.

— Pois dá — concordou o anão num tom agradável. E quando eu morrer; por favor que me enterrem com uma besta para poder agradecer ao Pai no Céu pelos seus dons da mesma forma que agradeci ao pai na terra.

Ainda tinha a roupa ensopada do mergulho involuntário, colando-se-lhe desconfortavelmente aos braços e às pernas. Quando o Jovem Griff se foi embora com a Septã Lemore para ser instruído nos mistérios da Fé, Tyrion despiu a roupa molhada e vestiu outra seca. Pato soltou uma valente gargalhada quando ele voltou a aparecer no convés. Não podia censurá-lo. Vestido como estava era uma visão cômica. O gibão estava dividido ao meio; o lado esquerdo era de veludo púrpura com tachões de bronze, o direito de lã amarela bordada com padrões florais verdes. As bragas estavam divididas de forma semelhante; a perna direita era verde, a esquerda listada de vermelho e branco. Uma das arcas de Illyrio fora enchida com roupa de criança, bafienta mas bem feita. A Septã Lemore cortara ao meio cada peça de roupa e depois voltara a cosê-las, juntando metade disto com metade daquilo para arranjar retalhos improvisados. Griff insistira mesmo que Tyrion ajudasse a cortar e a coser. Não havia dúvida de que pretendera que a atividade o humilhasse, mas Tyrion gostara da costura. Lemore era sempre uma companhia agradável, apesar da queda que tinha para repreendê-lo sempre que ele dizia qualquer coisa rude sobre os deuses. Se Griff me quer pôr no papel de bobo,jogarei esse jogo. Em algum lugar, bem sabia, Lorde Tywin Lannister estava horrorizado, e isso fazia com que o fato não o picasse.