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— Tenho essa honra. — Fizera questão de aprender tudo o que pudesse sobre os homens que rodeavam o rei. Homens da rainha, todos eles. Parecia estranho a Jon que não houvesse qualquer homem do rei em volta do rei, mas parecia ser assim que as coisas eram. Os homens do rei tinham incorrido na ira de Stannis em Pedra do Dragão, se o que ouvira dizer era verdade.

— Há vinho. Ou água fervida com limões.

— Obrigado, mas não.

— Como quiser. Tenho um presente para lhe dar, Lorde Snow. — O rei indicou o Camisa de Chocalho com um movimento de mão. — Ele.

A Senhora Melisandre sorriu.

— Disse que queria homens, Lorde Snow. Creio que o nosso Senhor dos Ossos ainda se qualifica.

Jon ficou estarrecido.

— Vossa Graça, este homem não é digno de confiança. Se o mantiver aqui, alguém lhe cortará a goela. Se o enviar em patrulha, ele se limitará a regressar para junto dos selvagens.

— Eu não. Estou farto desses malditos idiotas. — Camisa de Chocalho deu uma pancadinha no rubi que trazia ao pulso. — Pergunta à sua bruxa vermelha, bastardo.

Melisandre falou em voz baixa numa língua estranha. O rubi que trazia à garganta pulsou lentamente, e Jon viu que a pedra menor no pulso de Camisa de Chocalho também estava clareando e escurecendo.

— Desde que ele use a pedra preciosa está vinculado a mim, de sangue e de alma — disse a sacerdotisa vermelha. — Este homem lhe servirá fielmente. As chamas não mentem, Lorde Snow.

Talvez não, pensou Jon, mas você mente.

— Eu patrulho por você, bastardo — declarou Camisa de Chocalho. — Dou-lhe sábios conselhos e canto-lhe lindas canções, como preferir. Até luto por você. Só não me peça para usar o seu manto.

Não é digno de um, pensou Jon, mas dominou a língua. Nada de bom viria de querelas em frente do rei.

O Rei Stannis disse:

— Lorde Snow, fale-me de Mors Umber.

A Patrulha da Noite não participa, pensou Jon, mas outra voz dentro de si disse: palavras não são espadas.

— O mais velho dos tios do Grande-Jon. Chamam-lhe Papa-Corvos. Um corvo uma vez julgou-o morto e arrancou-lhe o olho à bicada. Ele agarrou no corvo com a mão e arrancou-lhe a cabeça à dentada. Quando Mors era novo, era um combatente temível. Os filhos morreram no Tridente, a mulher de parto. A única filha foi levada por selvagens há trinta anos.

— Então é por isso que ele quer a cabeça — disse Harwood Fell.

— Pode-se confiar neste Mors? — perguntou Stannis.

Será que Mors Umber dobrou o joelho?

— Vossa Graça devia obrigá-lo a prestar um juramento perante a sua árvore coração.

O Godry Mata-Gigantes soltou uma gargalhada grosseira.

— Tinha-me esquecido que vocês, os nortenhos, adoram árvores.

— Que tipo de deuses deixam-se mijar por cães? — perguntou o compincha de Farring, Clayton Suggs.

Jon preferiu ignorá-los.

Vossa Graça, posso saber se os Umber lhe declararam o seu apoio?

— Metade deles, e só se eu aceitar o preço deste Papa-Corvos — disse Stannis em tom de irritação. — Quer o crânio de Mance Rayder para fazer uma chávena e quer um perdão para o irmão, que foi para sul juntar-se ao Bolton. Chamam-lhe Terror-das-Rameiras.

Sor Godry também se divertiu com aquilo.

— Os nomes que estes nortenhos têm! Este arrancou à dentada a cabeça de alguma rameira?

Jon olhou-o com frieza.

— Posso dizer que sim. Uma rameira que tentou assaltá-lo há cinquenta anos em Vilavelha. — Por estranho que pudesse parecer, o velho Geada Umber julgara em tempos que o filho mais novo tinha estofo de meistre. Mors adorava gabar-se do corvo que lhe levara o olho, mas a história de Hother só era contada em murmúrios... provavelmente porque a rameira que ele esventrara fora um homem. — Houve mais algum lorde a declarar-se também por Bolton?

A sacerdotisa vermelha deslizou para mais perto do rei.

— Eu vi uma vila com muralhas de madeira e ruas de madeira, cheia de homens. Estandartes flutuavam por cima das suas muralhas: um alce, um machado de batalha, três pinheiros, machados de cabo comprido cruzados sob uma coroa, uma cabeça de cavalo com olhos de fogo.

— Hornwood, Cerwyn, Tallhart, Ryswell e Dustin — ajudou Sor Clayton Suggs. — Todos traidores. Paus-mandados dos Lannister.

— Os Ryswell e os Dustin estão ligados à Casa Bolton por casamento — informou Jon. — Os outros perderam os senhores durante os combates. Não sei quem os lidera agora. Mas Papa-Corvos não é pau-mandado nenhum. Vossa Graça faria bem em aceitar as suas condições.

Stannis fez ranger os dentes.

— Ele intòrma-me que Umber não combaterá contra Umber, por nenhum motivo.

Jon não se sentiu surpreendido.

— Se se chegar às espadas, veja onde voa o estandarte de Hother e ponha Mors na outra extremidade da linha de batalha.

O Mata-Gigantes discordou.

— Faria Vossa Graça parecer fraco. Eu digo para mostrar a sua força. Arrase a Última Lareira por completo e parta para a guerra com a cabeça do Papa-Corvos espetada numa lança, como lição para o próximo senhor que ouse prestar meia vassalagem.

— Um belo plano, se o que quiser é que todas as mãos do norte se ergam contra você. Metade é melhor do que nada. Os Umber não nutrem nenhuma amizade pelos Bolton. Se o Terror-das-Rameiras se juntou ao Bastardo só pode ser porque os Lannister têm o Grande-Jon cativo.

— Esse é o pretexto dele, não o motivo — declarou Sor Godry. — Se o sobrinho morrer a ferros, os tios podem reclamar as suas terras e senhoria para si.

— O Grande-Jon tem tanto filhos como filhas. No norte, os frutos do corpo de um homem ainda estão antes dos tios, sor.

— A menos que morram. Crianças mortas estão em último em todo o lado.

— Sugira isso onde Mors Umber consiga ouvir, Sor Godry, e aprenderá mais sobre a morte do que talvez desejas.

— Eu matei um gigante, rapaz. Porque haveria de temer qualquer nortenho pulguento que pinta um no escudo?

— O gigante ia fugindo. Mors não fugirá.

O grande cavaleiro corou.

— Tem uma língua ousada no aposento privado do rei, rapaz. No pátio cantaste outra cantiga.

— Oh, para com isso, Godry — disse Sor Justin Massey, um cavaleiro desembaraçado e carnudo com um sorriso pronto e uma cabeleira loira como estriga de linho. Massey foi um dos patrulheiros do lado errado. — Tenho a certeza que todos sabemos que tem uma grande e gigantesca espada. Não há necessidade de voltar a sacudi-la nas nossas caras.

— A única coisa que está aqui sacudindo é sua língua, Massey.

— Calem-se — explodiu Stannis. — Lorde Snow, preste a atenção. Tenho-me demorado aqui na esperança de que os selvagens sejam suficientemente tolos para desencadear outro ataque contra a Muralha. Como não me fazem a vontade, é tempo de lidar com os meus outros adversários.

— Estou vendo. — O tom de voz de Jon era cauteloso. Que quer ele de mim? — Não nutro qualquer amizade pelo Lorde Bolton ou pelo filho dele, mas a Patrulha da Noite não pode pegar em armas contra eles. Os nossos votos proíbem...