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— Eu sei tudo acerca dos seus votos. Poupe-me à sua retidão, Lorde Snow, tenho forças suficientes sem você. Tenho ideia de marchar contra o Forte do Pavor. — Quando viu o choque na cara de Jon, sorriu. — Isso o surpreende? Ótimo. O que surpreende um Snow pode vir a surpreender o outro. O Bastardo de Bolton foi para sul, levando com ele Hother Umber. Sobre isso Mors Umber e Arnolf Karstark estão de acordo. O fato só pode querer dizer um ataque contra Fosso Cailin, para abrir caminho para o regresso ao norte do senhor seu pai. O bastardo deve pensar que eu estou muito ocupado com os selvagens para lhe causar problemas. Muito bem. O rapaz mostrou-me a garganta. Tenciono rasgá-la. Roose Bolton pode regressar ao norte, mas quando o fizer irá descobrir que o seu castelo, rebanhos e colheitas me pertencem. Se apanhar o Forte do Pavor de surpresa...

— Não apanhará — disse Jon, sem conseguir conter-se.

Foi como se tivesse dado uma paulada num ninho de vespas. Um dos homens da rainha riu-se, outro cuspiu, outro resmungou uma praga, e todos os outros tentaram falar ao mesmo tempo.

— O rapaz tem aguadilha nas veias — disse Sor Godry, o Mata-Gi- gantes. E Lorde Sweet se vangloriou:

— O covarde vê um fora-da-lei atrás de cada folha de erva.

Stannis ergueu uma mão pedindo silêncio.

— Explique o que quereis dizer.

Por onde começar? Jon dirigiu-se ao mapa. Tinham sido postas velas sobre os cantos para evitar que a pele se enrolasse. Um dedo de cera quente estava avançando pela Baía das Focas, lento como um glaciar.

— Para chegar ao Forte do Pavor, Vossa Graça tem de viajar pela estrada de rei até depois do Rio Último, virar para sudeste e atravessar os Montes Solitários. — Apontou. — Essas são terras dos Umber, onde eles conhecem cada árvore e cada pedra. A estrada de rei avança ao longo das suas marcas ocidentais durante cem léguas. Mors fará a sua hoste em pedaços, a menos que aceite as suas condições e o conquiste para a sua causa.

— Muito bem. Digamos que eu faço isso.

— Isso os levará até ao Forte do Pavor — disse Jon — mas a menos que a vossa hoste consiga marchar mais depressa do que um corvo ou uma linha de fogueiras sinaleiras, o castelo saberá da sua aproximação. Será fácil para Ramsay Bolton cortar-lhe a possibilidade de retirada e deixar-lhe longe da Muralha, sem comida nem refúgio, rodeado pelos seus inimigos.

— Só se abandonar o cerco a Fosso Cailin.

— Fosso Cailin cairá antes de chegar ao Forte do Pavor. Uma vez que Lorde Roose reúna as forças com as de Ramsay, terão uma superioridade de cinco contra um sobre você.

— O meu irmão venceu batalhas contra probabilidades piores.

— Parta do princípio de que o Fosso Cailin cairá depressa, Snow — objetou Justin Massey — mas os homens de ferro são combatentes determinados e eu ouvi dizer que o Fosso nunca foi tomado.

— A partir do sul. Uma pequena guarnição em Fosso Cailin pode lançar o caos sobre qualquer exército que venha pelo talude, mas as ruínas são vulneráveis pelo norte e pelo leste. — Jon voltou a virar-se para Stannis. — Senhor, isto é um golpe ousado, mas o risco... — A Patrulha da Noite não participa. Baratheon ou Bolton deviam ser o mesmo para mim. — Se Roose Bolton lhe apanhar à sombra das suas muralhas com as forças principais de que dispõe, isso será o fim para todos vocês.

— O risco faz parte da guerra — declarou Sor Richard Horpe, um cavaleiro esguio com uma cara devastada, cujo gibão almofadado mostrava três borboletas caveira em fundo de cinza e osso. — Cada batalha é uma aposta, Snow. O homem que não faz nada também corre um risco.

— Há riscos e riscos, Sor Richard. Este... é muito, cedo demais, muito longe. Eu conheço o Forte do Pavor. É um castelo forte, todo em pedra, com muralhas espessas e torres maciças. Com o inverno chegando, iria encontrá-lo bem aprovisionado. Há séculos, a Casa Bolton revoltou-se contra o Rei no Norte, e Harlon Stark montou cerco ao Forte do Pavor. Precisou de dois anos para derrotá-los pela fome. Para ter alguma esperança de tomar o castelo, Sua Graça precisaria de máquinas de cerco, de torres, de aríetes...

— Torres de cerco podem ser construídas se for necessário — disse Stannis. — Pode-se abater árvores para fazer aríetes, se houver falta de aríetes. Arnolf Karstark escreve que são menos de cinquenta os homens que permanecem no Forte do Pavor, metade dos quais são criados. Um castelo forte fracamente defendido é fraco.

— Cinquenta homens dentro de um castelo valem quinhentos fora dele.

— Isso depende dos homens — disse Richard Horpe. — Aqueles serão os grisalhos e os rapazes verdes, os homens que aquele bastardo não achou prontos para a batalha. Os nossos homens foram sangrados e testados na Água Negra, e são liderados por cavaleiros.

— Viu como avançamos pelos selvagens dentro. — Sor Justin empurrou para trás uma madeixa de cabelo louro. — Os Karstark juraram juntar-se a nós perto do Forte do Pavor, e também teremos os nossos selvagens. Trezentos homens em idade de combater. Lorde Harwood fez uma contagem quando eles atravessaram o portão. As mulheres deles também combatem.

Stannis deitou-lhe um olhar amargo.

— Por mim não, sor. Não quero viúvas gemendo na minha esteira. As mulheres ficarão aqui, com os velhos, os feridos e as crianças. Servirão como reféns da lealdade dos seus maridos e pais. Os selvagens formarão a minha vanguarda. Magnar os comandará, com os seus próprios chefes como sargentos. Mas primeiro precisamos armá-los.

Ele pretende saquear o nosso armeiro, percebeu Jon. Comida e roupa, terra e castelos, agora armas. Envolve-me mais todos os dias. As palavras podiam não ser espadas, mas as espadas eram espadas.

— Eu conseguia arranjar trezentas lanças — disse, com relutância.

— Elmos também, se os aceitarem velhos, amolgados e vermelhos de ferrugem.

— Armaduras? — perguntou Magnar. — Placa de aço? Cota de malha?

— Quando Donal Noye morreu perdemos o nosso armeiro. — Jon deixou o resto por dizer. Se der cotas de malha aos selvagens, eles serão um perigo duas vezes maior para o reino.

— Couro fervido será suficiente — disse Sor Godry. — Depois de saborearmos a batalha, os sobreviventes podem saquear os mortos.

Os poucos que viverem o suficiente para isso. Se Stannis pusesse o povo livre na vanguarda, a maioria depressa pereceria.

— Beber do crânio de Mance Rayder pode dar prazer a Mors Umber, mas ver selvagens cruzar as suas terras não dará. O povo livre tem atacado os Umber desde a Aurora dos Dias, atravessando a Baía das Focas para obter ouro, ovelhas e mulheres. Uma das que foram levadas foi a filha do Papa-Corvos. Vossa Graça, deixe os selvagens aqui. Levá-los só servirá para virar contra sí os vassalos do senhor meu pai.

— Seja como for, os vassalos do seu pai parecem não ter gosto pela minha causa. Tenho de partir do princípio que me veem como... o que foi que me chamou, Lorde Snow? Outro pretendente condenado ao fracasso?

— Stannis fitou o mapa. Durante um longo momento, o único som que se ouviu foi o do rei a ranger os dentes. — Deixem-me. Todos vocês. Lorde Snow, fique.

A brusca despedida não caiu bem a Justin Massey, mas ele não teve alternativa a não ser sorrir e se retirar. Horpe seguiu-o para fora da sala, depois de dar a Jon um olhar avaliador. Clayton Suggs esvaziou a taça e resmungou a Harvvood Fell qualquer coisa que fez o homem mais novo rir. "Rapaz" fazia parte da frase. Suggs era um cavaleiro andante que subira na vida, tão grosseiro como forte. O último homem a retirar-se foi o Camisa de Chocalho. À porta, fez a Jon uma mesura trocista, sorrindo com uma boca cheia de dentes castanhos e quebrados.