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uma mão erguida.

— Recuem, meus amigos. Quero ouvi-lo até ao fim antes de... antes de lidar com ele.

— Pode fornecer alguma prova desse incesto, sor? — perguntou Meistre Theomore, dobrando as suaves mãos em cima da barriga.

Edric Storm, pensou Davos, mas o mandei para longey para o outro lado do mar estreitoy a fim de o manter a salvo dos fogos de Melisandre.

— Tem a palavra de Stannis Baratheon de que tudo o que eu disse é verdade.

— Palavras são vento — disse a jovem por trás do cadeirão do Lorde Wyman, a bonita com a longa trança castanha. — E os homens mentem para conseguir o que querem, como qualquer donzela poderá te dizer.

— A prova exige mais do que a palavra sem base de um senhor qualquer — declarou o Meistre Theomore. — Stannis Baratheon não seria o primeiro homem a mentir para conquistar um trono.

A mulher rosada apontou um dedo rechonchudo a Davos.

— Não queremos nada com traição nenhuma, homem. Em Porto Branco somos boa gente, gente cumpridora da lei e leal. Não despeje mais veneno nos nossos ouvidos, senão o meu sogro irá mandá-lo para o Covil do Lobo.

Como foi que ofendi esta?

— Posso ter a honra de saber o nome da senhora?

A mulher cor-de-rosa soltou uma fungadela zangada, e deixou o meistre responder.

— A Senhora Leona é esposa do filho de Lorde Wyman, Sor Wylis, atualmente cativo dos Lannister.

Ela fala por medo. Se Porto Branco declarasse o seu apoio a Stannis, o marido dela responderia com a vida. Como posso pedir ao Lorde Wyman para condenar o filho à morte? O que faria eu no seu lugar, se Devan fosse refém?

— Senhor — disse Davos — rezo para que nenhum mal aconteça ao seu filho, ou a qualquer homem de Porto Branco.

— Outra mentira — disse a Senhora Leona do seu banco.

Davos achou melhor ignorá-la.

— Quando Robb Stark pegou em armas contra o bastardo Joffrey-dito-Baratheon, Porto Branco marchou com ele. Lorde Stark caiu, mas a sua guerra prossegue.

— Robb Stark era o senhor meu suserano — disse o Lorde Wyman. — Quem é este Stannis? Porque nos incomoda? Ele nunca tinha sentido necessidade de viajar para norte, tanto quanto me recorde. Mas aparece agora, um cão espancado, com o elmo na mão, pedindo esmola.

— Ele veio salvar o reino, senhor — insistiu Davos. — Veio para defender as suas terras contra os homens de ferro e os selvagens.

Ao lado do cadeirão, Sor Marlon Manderly soltou uma fungadela de desdém.

— Passaram-se séculos desde que Porto Branco viu algum selvagem, e os homens de ferro nunca causaram problemas a esta costa. Será que o Lorde Stannis também propôs defender-nos de snarks e gramequins?

Gargalhadas varreram a Corte do Tritão mas, aos pés de Lorde Wyman, a Senhora Leona começou a soluçar.

— Homens de ferro vindos das ilhas, selvagens do outro lado da Muralha, e agora este senhor traidor com os seus fora-da-lei, rebeldes e feiticeiros. — Apontou para Davos com um dedo. — Ouvimos falar da sua bruxa vermelha, ah sim. Ela quer nos virar contra os Sete para nos curvarmos perante um demónio de fogo!

Davos não nutria nenhuma amizade pela sacerdotisa vermelha, mas não se atreveu a deixar a Senhora Leona sem resposta.

— A Senhora Melisandre é uma sacerdotisa do deus vermelho. A Rainha Selyse adotou a sua fé, bem como muitos outros, mas são mais os seguidores de Sua Graça que ainda adoram os Sete. Eu próprio conto-me entre eles. — Rezou para que ninguém lhe pedisse para explicar o que aconteceu ao septo em Pedra do Dragão ou ao bosque sagrado em Ponta Tempestade. Se perguntarem, terei de dizer a eles. Stannis não aceitaria que eu mentisse.

— Os Sete protegem Porto Branco — declarou a Senhora Leona. — Não tememos a sua rainha vermelha nem o deus dela. Que envie os feitiços que quiser. As preces de homens pios nos protegerão contra o mal.

— Exato. —  Lorde Wyman deu à Senhora Leona uma palmadinha no ombro. — Lorde Davos, se é que é um lorde, eu sei o que o seu autoproclamado rei quer de mim. Aço, prata e um joelho dobrado. — Mudou de posição, apoiando-se a um cotovelo. — Antes de ser morto, Lorde Tywin ofereceu a Porto Branco um perdão total pelo nosso apoio ao Jovem Lobo. Promeseu que o meu filho me seria devolvido depois de eu pagar um resgate de três mil dragões e demonstrar a minha lealdade sem deixar lugar a dúvidas. Roose Bolton, que foi nomeado o nosso Protetor do Norte, exige que eu desista da minha pretensão às terras e castelos do Lorde Hornwood, mas jura que as minhas outras propriedades permanecerão intocadas. Walder Frey, o seu sogro, oferece uma das filhas para ser minha esposa, e maridos para as filhas do meu filho que aqui estão atrás de mim. Estes termos parecem-me generosos, uma boa base para uma paz justa e duradoura. Você quer que os despreze. Portanto, pergunto, cavaleiro das cebolas... o que me oferece  Lorde Stannis em troca da minha lealdade?

Guerra, pesares e os gritos de homens ardendo, podia Davos ter dito.

— A oportunidade de cumprir o seu dever — preferiu responder. Aquela era a resposta que Stannis teria dado a Wyman Manderly. A Mão deve falar com a voz do rei.

Lorde Wyman voltou a se deixar cair na sua cadeira.

— Dever. Estou vendo.

— Porto Branco não tem força suficiente para resistir sozinho. Você precisará tanto de Sua Graça como ele precisa de você. Juntos, podem derrotar os inimigos que tem em comum.

— Senhor — disse Sor Marlon, na sua ornamentada armadura prateada — permite que eu faça algumas perguntas ao Lorde Davos?

— Como quiser, primo. — Lorde Wyman fechou os olhos.

Sor Marlon virou-se para Davos.

— Quantos senhores do Norte se declararam por Stannis? Nos diga

isso.

— Arnolf Karstark jurou juntar-se a Sua Graça.

— Arnolf não é um verdadeiro senhor, é só um castelão. Que castelos controla presentemente o Lorde Stannis, diz?

— Sua Graça tomou Fortenoite para sua sede. No sul, controla Ponta Tempestade e Pedra do Dragão.

Meistre Theomore pigarreou.

— Só por enquanto. Ponta Tempestade e Pedra do Dragão estão fracamente defendidas, e devem cair em breve. E Fortenoite é uma ruína assombrada, um lugar lúgubre e medonho.

Sor Marlon prosseguiu.

— Quantos homens pode Stannis pôr em campo, pode me dizer isso? Quantos cavaleiros o acompanham? Quantos arqueiros, quantos cavaleiros livres, quantos homens-de-armas?

Insuficientes, sabia Davos. Stannis viera para norte com não mais de mil e quinhentos homens... mas se lhes dissesse isso a sua missão estava condenada ali. Tentou encontrar palavras, mas não encontrou nenhuma.

— O seu silêncio é toda a resposta de que necessito, sor. O seu rei só nos traz inimigos. — Sor Marlon virou-se para o senhor seu primo. — Vossa senhoria perguntou ao cavaleiro das cebolas o que Stannis nos oferece. Permite-me responder. Oferece-nos derrota e morte. Quer que monte um cavalo de ar e de batalha com uma espada de vento.

O gordo senhor abriu lentamente os olhos, como se o esforço fosse quase muito para si.

— Meu primo vai ao essencial, como sempre. Tem mais alguma coisa a me dizer, cavaleiro das cebolas, ou podemos pôr fim a esta farsa? Começo a me cansar da sua cara.