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Os portões da mansão estavam fechados e trancados. Tyrion bateu até que o ornamentado olho de bronze se abriu com um estalido.

– Sou eu.

O homem que o deixou entrar era uma das mais belas descobertas de Varys, um faquista de Bravos com um lábio leporino e um olho vesgo. Tyrion não quis guardas jovens e bonitos passeando em torno de Shae dia após dia. “Arranje-me homens velhos, feios e com cicatrizes, de preferência impotentes”, tinha dito ao eunuco. “Homens que prefiram rapazes. Ou, melhor ainda, homens que prefiram ovelhas.” Varys não conseguira arranjar nenhum amante de ovelhas, mas encontrara um estrangulador eunuco e um par de ibbeneses malcheirosos que gostavam tanto de machados como um do outro. Os outros eram um bando de mercenários de fazer inveja a qualquer masmorra, cada um mais feio do que o outro. Quando Varys os fez desfilar à sua frente, Tyrion temeu que o eunuco tivesse ido longe demais, mas Shae nunca expressou uma palavra de queixa. E por que haveria de expressar? Nunca se queixou de mim, e eu sou mais hediondo do que todos os seus guardas juntos. Talvez nem sequer veja a feiura.

Mesmo assim, Tyrion teria preferido usar alguns de seus homens dos clãs da montanha para guardar a mansão; talvez os Orelhas Negras de Chella, ou os Irmãos da Lua. Depositava mais fé na férrea lealdade e no sentido de honra deles do que na ganância de mercenários. Mas o risco era elevado demais. Porto Real inteira sabia que os selvagens lhe pertenciam. Se mandasse para ali os Orelhas Negras, seria apenas uma questão de tempo até que toda a cidade soubesse que a Mão do Rei mantinha uma concubina.

Entregou o cavalo a um dos ibbeneses.

– Acordou-a? – perguntou-lhe Tyrion.

– Não, senhor.

– Ótimo.

O fogo, no quarto, ardera até deixar apenas brasas, mas o aposento ainda estava quente. Shae tinha empurrado as mantas e os lençóis para longe enquanto dormia. Jazia nua sobre seu colchão de penas, com as suaves curvas de seu corpo jovem delineadas pelo tênue brilho vindo da lareira. Tyrion parou à porta e bebeu da visão da moça. Mais jovem do que Marei, mais doce do que Dancy, mais bela do que Alayaya, é tudo de que preciso, e ainda mais. Perguntou a si mesmo como podia uma prostituta parecer tão limpa, doce e inocente.

Não pretendia perturbá-la, mas vê-la foi o suficiente para deixá-lo excitado. Deixou que as roupas caíssem ao chão, depois subiu para a cama, afastou suas pernas com gentileza e beijou-a entre as coxas. Shae murmurou no sono. Tyrion voltou a beijá-la, e lambeu sua doçura secreta, uma e outra vez, até que tanto a barba dele como a boceta dela ficaram ensopadas. Quando ela soltou um suave gemido e estremeceu, ele subiu, penetrou-a e explodiu quase de imediato.

Os olhos da garota estavam abertos. Ela sorriu, afagou sua cabeça e sussurrou:

– Tive agora mesmo o mais doce dos sonhos, senhor.

Tyrion mordiscou seu pequeno mamilo túrgido e aninhou a cabeça no seu ombro. Não saiu de dentro dela; gostaria de nunca ter de sair dali.

– Isso não é sonho nenhum – garantiu-lhe. É real, tudo isso, pensou, as guerras, as intrigas, o grande jogo sangrento, e eu no centro de tudo… eu, o anão, o monstro, aquele de quem zombavam e riam. Mas agora tenho tudo, o poder, a cidade, a moça. Foi para isso que fui feito e, que os deuses me perdoem, adoro tudo

E a ela. E a ela.

Arya

Quaisquer que tivessem sido os nomes que Harren, o Negro, quisera dar às suas torres, estavam havia muito esquecidos. Eram chamadas de Torre do Terror, da Viúva, dos Gemidos, dos Fantasmas e da Pira do Rei. Arya dormia num nicho pouco profundo, nas caves por baixo da Torre dos Lamentos, numa cama de palha. Tinha água para se lavar sempre que quisesse e um pedaço de sabão. O trabalho era duro, mas não tanto como caminhar vários quilômetros todos os dias. A Doninha não precisava encontrar minhocas e bichos para comer, como Arry tinha precisado; havia pão todos os dias, e também guisados de cevada com pedacinhos de cenoura e nabo, e de quinze em quinze dias até um pouco de carne.

Torta Quente comia ainda melhor; estava no lugar certo para ele, nas cozinhas, um edifício redondo de pedra com um telhado em forma de cúpula que era um mundo próprio. Arya tomava as refeições numa mesa de montar na galeria subterrânea, com Weese e os outros que ele tinha a seu cargo, mas às vezes era escolhida para ajudar a buscar as refeições, e ela e Torta Quente roubavam um momento para conversar. Ele nunca conseguia se lembrar de que ela era agora Doninha, e continuava a chamá-la de Arry, embora soubesse que era uma menina. Uma vez tentara dar-lhe, às escondidas, uma torta quente de maçã, mas tinha sido tão desastrado que dois dos outros cozinheiros viram. Levaram a torta e bateram nele com uma grande colher de pau.

Gendry tinha sido mandado para a forja; Arya raramente o via. Quanto àqueles com quem servia, nem sequer queria saber seus nomes. Isso só fazia com que doesse mais quando morriam. Eles eram, na maior parte, mais velhos do que ela, e ficavam satisfeitos por deixá-la em paz.

Harrenhal era vasto, e a maior parte havia muito entrara em decadência. A Senhora Whent teve a posse do castelo enquanto vassala da Casa Tully, mas usava apenas os andares inferiores de duas das cinco torres, e deixara o resto cair em ruínas. Agora estava em fuga, e o pouco pessoal que restara não era capaz nem de começar a cuidar das necessidades de todos os cavaleiros, senhores e prisioneiros de nascimento elevado que Lorde Tywin havia trazido, e por isso os Lannister eram obrigados a procurar não só saque e provisões, mas também criados. Segundo se dizia, Lorde Tywin planejava devolver Harrenhal à sua antiga glória, e fazer do castelo sua nova sede depois que a guerra terminasse.

Weese usava Arya para entregar mensagens, carregar água e buscar comida, e às vezes para servir as mesas no Salão das Casernas, por cima do arsenal, onde os homens de armas faziam as refeições. Mas a maior parte de seu trabalho era limpar. O piso inferior da Torre dos Gemidos tinha sido transformado em armazéns e celeiros, e os dois pisos imediatamente acima alojavam parte da guarnição, mas os pisos superiores não eram ocupados havia oitenta anos. Agora, Lorde Tywin ordenara que fossem de novo preparados para habitação. Havia chãos a escovar, sujeira a ser lavada de janelas, cadeiras quebradas e camas apodrecidas a ser jogadas fora. O andar de cima estava infestado com ninhos dos enormes morcegos negros que a Casa Whent usara como símbolo, e também havia ratazanas nos porões… e fantasmas, diziam alguns, os espíritos de Harren, o Negro, e de seus filhos.

Arya achava que aquilo era estúpido. Harren e os filhos tinham morrido na Torre da Pira do Rei, era por isso que ela tinha aquele nome; portanto, por que haveriam de atravessar o pátio para ir assombrá-la? A Torre dos Gemidos só gemia quando o vento soprava do norte, e isso era apenas o som que o ar fazia ao soprar por entre as fendas das pedras, que tinham se aberto com o calor. Se havia fantasmas em Harrenhal, nunca a incomodaram. Eram os vivos que ela temia, Weese, Sor Gregor Clegane e o próprio Lorde Tywin Lannister, que tinha os aposentos na Torre da Pira do Rei, ainda a mais alta e mais poderosa de todas, embora deformada sob o peso da escória que a tornava parecida com uma gigantesca vela negra meio derretida.

Gostaria de saber o que faria Lorde Tywin caso se dirigisse a ele e confessasse ser Arya Stark, mas sabia que nunca conseguiria se aproximar o suficiente para falar com ele e, fosse como fosse, ele nunca acreditaria no que lhe dissesse, e depois Weese bateria nela até deixá-la sangrando.

À sua maneira pequena e empertigada, Weese era quase tão assustador quanto Sor Gregor. A Montanha esmagava homens como se fossem moscas, mas durante a maior parte do tempo nem parecia reparar que a mosca estava ali. Weese sabia sempre que todos estavam ali, e o que estavam fazendo, e às vezes o que estavam pensando. Batia à mínima provocação, e tinha um cão que era quase tão mau como ele, uma cadela feia e malhada que cheirava pior do que qualquer cão que Arya tivesse conhecido. Uma vez, viu-o atiçar o cão contra um latrineiro que o aborrecera. A cadela arrancou um grande bocado da barriga da perna do rapaz, enquanto Weese ria.