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– É... Para atacar em outro lugar qualquer. Que os Outros levem todos esses covardes. Nunca se atreveriam, tal como o bastardo de Bolton, se a nossa força principal não estivesse a mil léguas para sul – Sor Rodrik olhou para Bran. – O que mais o rapaz lhe disse?

– Disse que a água fluiria sobre as muralhas. Viu Alebelly afogado, e também Mikken e Septão Chayle.

Sor Rodrik franziu o cenho.

– Bem, assim sendo, caso tenha de avançar em pessoa contra esses corsários, não levarei Alebelly. Ele não me viu afogado, certo? Não? Ótimo.

Ouvir aquilo encorajou Bran. Assim eles talvez não se afoguem, pensou. Se ficarem longe do mar.

Meera achou o mesmo, mais tarde, naquela noite, quando, com Jojen, se encontrou com Bran em seu quarto para uma partida a três de jogo de pedras, mas o irmão discordou.

– As coisas que vejo nos sonhos verdes não podem ser alteradas.

Aquilo irritou a irmã.

– Por que os deuses enviariam um aviso se não pudermos prestar atenção nele e mudar o que está por vir?

– Não sei – Jojen respondeu com uma voz triste.

– Se você fosse Alebelly, provavelmente iria atirá-lo em um poço para resolver o assunto! Deveríamos lutar, e Bran também.

– Eu? – Bran sentiu-se de súbito com medo. – Com o que deveria eu lutar? Também vou me afogar?

Meera olhou-o com um ar de culpa.

– Eu não devia ter dito…

Bran percebeu que ela estava escondendo alguma coisa:

– Você me viu num sonho verde? – perguntou nervosamente a Jojen. – Estava afogado?

– Afogado, não – Jojen falava como se cada palavra lhe doesse. – Sonhei com o homem que chegou hoje, aquele que chamam de Fedor. Você e seu irmão estavam mortos aos seus pés, e ele estava esfolando seus rostos com uma longa lâmina vermelha.

Meera pôs-se em pé.

– Se eu fosse à masmorra, podia enfiar uma lança no coração dele. Como poderia assassinar Bran se estivesse morto?

– Os carcereiros iriam impedi-la – Jojen lembrou-lhe. – E se lhes dissesse o motivo pelo qual o queria morto, nunca acreditariam.

– Eu também tenho guardas – lembrou-lhes Bran. – Alebelly, Poxy Tym, Hayhead e os outros.

Os olhos de musgo de Jojen estavam cheios de piedade.

– Eles não serão capazes de impedi-lo, Bran. Não consegui ver por que, mas vi o fim. Vi você e Rickon em sua cripta, lá embaixo, no escuro, com todos os reis mortos e seus lobos de pedra.

Não, Bran pensou. Não.

– Se eu fosse embora… para a Água Cinzenta, ou para o corvo, para algum lugar distante onde não consigam me encontrar…

– Não fará diferença. O sonho era verde, Bran, e os sonhos verdes não mentem.

Tyrion

Varys estava em pé junto ao braseiro, aquecendo suas delicadas mãos.

– Parece que Renly foi assassinado de forma muito terrível no meio de seu exército. Sua garganta foi aberta de orelha a orelha por uma lâmina que passou por aço e osso como se fossem queijo mole.

– Assassinado pelas mãos de quem? – Cersei quis saber.

– Por acaso já pensou alguma vez que respostas demais são o mesmo que nenhuma resposta? Meus informantes nem sempre estão colocados em posições tão elevadas como se poderia desejar. Quando um rei morre, as fantasias germinam como cogumelos na escuridão. Um palafreneiro diz que Renly foi morto por um cavaleiro de sua própria Guarda Arco-Íris. Uma lavadeira afirma que Stannis se esgueirou até o coração do exército do irmão com sua espada mágica. Vários homens de armas creem que foi uma mulher quem cometeu o terrível ato, mas não conseguem concordar quanto a que mulher. Uma donzela que Renly tinha desprezado, afirma um. Uma seguidora de acampamentos trazida para agradá-lo na véspera da batalha, diz um segundo. O terceiro sugere que pode ter sido a Senhora Catelyn Stark.

A rainha não ficou contente.

– Precisa desperdiçar nosso tempo com todos os rumores que os tolos gostam de contar?

– Paga-me bem por esses rumores, minha graciosa rainha.

– Pagamos o senhor pela verdade, Lorde Varys. Lembre-se disso, caso contrário este pequeno conselho pode ficar ainda menor.

Varys soltou um risinho nervoso.

– A senhora e seu nobre irmão acabarão deixando Sua Graça sem conselho algum se continuarem assim.

– Atrevo-me a dizer que o reino pode sobreviver com alguns conselheiros a menos – interveio Mindinho com um sorriso.

– Meu muito querido Petyr – Varys rebateu. – Não está preocupado com a possibilidade de o seu nome ser o próximo na listinha da Mão?

– Antes do seu, Varys? Nunca sonharia com tal coisa.

– Talvez nos tornemos irmãos na Muralha, os dois juntos, você e eu – Varys voltou a soltar um risinho.

– Mais depressa do que você gostaria, se as próximas palavras a sair da sua boca não forem algo de útil, eunuco – pelo seu olhar, Cersei estava prestes a castrar Varys novamente.

– Será que isso poderia ser um estratagema? – Mindinho perguntou.

– Se for, é um estratagema de suprema esperteza – Varys respondeu. – A mim, ludibriou-me por completo.

Tyrion já tinha ouvido o suficiente:

– Joff ficará tão desiludido. Estava guardando um espigão tão agradável para a cabeça de Renly. Mas, seja quem for que cometeu o ato, temos de assumir que Stannis esteve por trás. O ganho é claramente dele – não gostava daquela notícia; contara que os irmãos Baratheon se dizimariam numa batalha sangrenta. Sentia o cotovelo latejar no local em que a maça de guerra o abrira. Às vezes isso acontecia, quando o tempo estava úmido. Apertou-o inutilmente com a mão e perguntou: – E a tropa de Renly?

– A maior parte de sua infantaria permanece em Ponteamarga – Varys abandonou o braseiro para tomar seu lugar à mesa. – A maioria dos senhores que acompanharam o Lorde Renly até Ponta Tempestade passou para o lado de Stannis, com toda sua cavalaria.

– Liderados pelos Florent, aposto – disse Mindinho.

Varys dirigiu-lhe um sorriso afetado.

– Ganharia, senhor. Lorde Alester foi de fato o primeiro a dobrar o joelho. Muitos outros o seguiram.

– Muitos – Tyrion repetiu. – Mas não todos?

– Não todos – concordou o eunuco. – Nem Loras Tyrell, nem Randyll Tarly, nem Mathis Rowan. E a própria Ponta Tempestade não se rendeu. Sor Cortnay Penrose detém o castelo em nome de Renly, e não quer acreditar que seu suserano está morto. Exige ver os restos mortais antes de abrir os portões, mas parece que o cadáver de Renly desapareceu inexplicavelmente. O mais provável é que tenha sido levado. Um quinto dos cavaleiros de Renly preferiu partir com Sor Loras a dobrar o joelho perante Stannis. Dizem que o Cavaleiro das Flores enlouqueceu quando viu o corpo do rei, e matou três dos guardas de Renly em sua ira, entre eles Emmon Cuy e Robar Royce.

Uma pena que tenha parado no terceiro, Tyrion pensou.

– Sor Loras está provavelmente a caminho de Ponteamarga – Varys prosseguiu. – A irmã, a rainha de Renly, encontra-se lá, bem como muitos soldados que de repente se viram sem rei. Que lado escolherão agora? Uma questão delicada. Muitos servem aos senhores que permaneceram em Ponta Tempestade, e esses senhores pertencem agora a Stannis.

Tyrion inclinou-se para a frente:

– Há aqui uma oportunidade, parece-me. Se conquistarmos Loras Tyrell para nossa causa, Lorde Mace Tyrell e seus vassalos poderão se juntar a nós também. Podem ter jurado espadas a Stannis por ora, mas não é possível que gostem do homem, caso contrário teriam sido seus desde o início.