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– Será o amor deles por nós maior? – Cersei quis saber.

– Dificilmente – Tyrion respondeu. – Era claro que amavam Renly, mas Renly está morto. Talvez possamos lhes dar bons e suficientes motivos para preferir Joffrey a Stannis… se jogarmos depressa.

– Que tipo de motivos pretende lhes dar?

– Motivos de ouro – sugeriu Mindinho de imediato.

Varys soltou um tsc.

– Querido Petyr, certamente não está sugerindo que aqueles poderosos senhores e nobres cavaleiros podem ser comprados como galinhas no mercado?

– Tem ido aos nossos mercados nos últimos tempos, Lorde Varys? – perguntou Mindinho. – Atrevo-me a dizer que descobriria que é mais fácil comprar um senhor do que uma galinha. Os senhores cacarejam com mais orgulho do que as galinhas, naturalmente, e levam a mal se lhes oferecer moedas como a um mercador, mas raramente mostram aversão a receber presentes… honrarias, terras, castelos…

– Subornos podem trazer até nós alguns dos senhores menores – Tyrion interveio –, mas nunca Jardim de Cima.

– É verdade – Mindinho admitiu. – O Cavaleiro das Flores é a chave disso. Mace Tyrell tem dois filhos mais velhos, mas Loras sempre foi seu preferido. Conquiste-o, e Jardim de Cima será seu.

Sim, Tyrion concordou em pensamento.

– Parece-me que devíamos aprender uma lição com o falecido Lorde Renly. Podemos conquistar a aliança dos Tyrell como ele fez. Com um casamento.

Varys foi o primeiro a compreender:

– Está pensando em casar Rei Joffrey com Margaery Tyrell.

– Estou.

Julgava recordar que a jovem rainha de Renly não tinha mais do que quinze ou dezesseis anos… Mais velha do que Joffrey, mas alguns anos não eram nada, o arranjo era tão limpo e doce que era capaz de saboreá-lo.

– Joffrey está prometido a Sansa Stark – Cersei objetou.

– Contratos de casamento podem ser quebrados. Que vantagem há em casar o rei com a filha de um traidor morto?

Mindinho se interpôs:

– Pode fazer Sua Graça notar que os Tyrell são muito mais ricos do que os Stark, e que dizem que Margaery é adorável… E, além disso, pronta para se deitar.

– Sim – Tyrion concordou. – Joff deverá gostar bastante disso.

– Meu filho é novo demais para se interessar por essas coisas.

– Acha mesmo? – Tyrion a desafiou. – Tem treze anos, Cersei. A mesma idade que eu tinha quando me casei.

– Envergonhou-nos todos com esse lamentável episódio. Joffrey é feito de material de melhor qualidade.

– Tão boa que ordenou a Sor Boros que arrancasse o vestido de Sansa.

– Estava zangado com a menina.

– Também estava zangado com o aprendiz de cozinheiro que derramou a sopa ontem à noite, mas não o deixou nu.

– Aquilo não era questão de um pouco de sopa derramada…

Não, era questão de umas tetas bonitas. Depois do que acontecera no pátio, Tyrion conversou com Varys acerca de como poderiam arranjar as coisas para que Joffrey visitasse a casa de Chataya. Esperava que provar um pouco de mel pudesse adoçar o rapaz. Até poderia ficar grato, pelo amor dos deuses, e Tyrion não se importaria de receber um tiquinho a mais de gratidão do seu soberano. Teria de ser feito em segredo, naturalmente. A parte mais complicada seria separá-lo do Cão de Caça.

– O cão nunca está longe dos calcanhares do dono – ele tinha dito a Varys –, mas todos os homens dormem. E alguns também jogam, e visitam prostitutas e tabernas.

– Cão de Caça faz todas essas coisas, se é esta a sua pergunta.

– Não – Tyrion retrucou. – Minha pergunta é quando.

Varys pusera um dedo no rosto, sorrindo enigmaticamente.

– Senhor, um homem desconfiado poderia pensar que deseja encontrar um momento em que Sandor Clegane não esteja protegendo o Rei Joffrey, a fim de fazer algum mal ao rapaz.

– Decerto me conhece melhor do que isso, Lorde Varys. Ora, tudo o que quero é que Joffrey goste de mim.

O eunuco prometeu se debruçar sobre o assunto. Mas a guerra tinha suas exigências; a iniciação de Joffrey à condição viril teria de esperar.

– Sem dúvida conhece seu filho melhor do que eu – Tyrion obrigou-se a dizer a Cersei –, mas, seja como for, há muitos argumentos a favor de um casamento com os Tyrell. Pode ser a única maneira de Joffrey viver tempo suficiente para chegar à noite de núpcias.

Mindinho concordou:

– A garota Stark não traz a Joffrey nada a não ser o corpo, por mais agradável que possa ser. Margaery Tyrell traz cinquenta mil espadas e todo o poderio de Jardim de Cima.

– É verdade – Varys apoiou sua mão macia na manga da rainha. – Tem um coração de mãe, e sei que Sua Graça ama sua queridinha. Mas os reis precisam aprender a pôr as necessidades do reino à frente de seus desejos. Afirmo que essa proposta tem de ser feita.

A rainha afastou-se do toque do eunuco.

– Não falariam assim se fossem mulheres. Digam o que quiserem, senhores, mas Joffrey é demasiado orgulhoso para se contentar com as sobras de Renly. Ele nunca consentirá.

Tyrion encolheu os ombros:

– Quando o rei chegar à idade adulta, dentro de três anos, pode dar ou retirar seu consentimento ao que bem entender. Até lá, você é sua regente e eu, a sua Mão, e ele se casará com quem quer que lhe dissermos para casar. Seja uma sobra ou não.

A aljava de Cersei estava vazia.

– Façam então sua proposta. Mas que os deuses os salvem se Joffrey não gostar dessa moça.

– Estou tão contente por concordarmos – Tyrion fez-se de feliz. – E agora, qual de nós irá a Ponteamarga? Temos de chegar com a proposta a Sor Loras antes que seu sangue arrefeça.

– Pretende mandar um membro do conselho?

– Não tenho grande esperança de que o Cavaleiro das Flores lide com Bronn ou Shagga, não é? Os Tyrell são orgulhosos.

A irmã não perdeu tempo para tentar virar a situação em seu proveito.

– Sor Jacelyn Bywater é de nascimento nobre. Envie-o.

Tyrion balançou a cabeça:

– Precisamos de alguém que possa fazer algo mais do que repetir nossas palavras e trazer de volta uma resposta. Nosso enviado deve falar pelo rei e pelo conselho, e acertar o assunto rapidamente.

– A Mão fala com a voz do rei – a luz das velas brilhava verde como fogovivo nos olhos de Cersei. – Se o enviarmos, Tyrion, seria como se Joffrey fosse em pessoa. E quem poderia ser mais adequado? Brande palavras com tanta habilidade como Jaime brande a espada.

Está assim tão ansiosa por me tirar da cidade, Cersei?

– É muita bondade sua, irmã, mas parece-me que a mãe de um rapaz está em melhores condições para combinar seu casamento do que um tio qualquer. E você tem um dom para conquistar amigos que nunca poderei ter esperança de igualar.

Os olhos dela se estreitaram.

– Joff precisa de mim ao seu lado.

– Vossa Graça, senhor Mão – Mindinho entrou na conversa. – O rei precisa de ambos aqui. Deixem-me ir.

– Você? – Que vantagem ele vê nisto?, Tyrion perguntou a si mesmo.

– Pertenço ao conselho do rei, mas não sou de seu sangue, portanto, seria um refém ruim. Conheci Sor Loras razoavelmente bem quando esteve aqui na corte, e não lhe dei motivo para não se simpatizar comigo. Mace Tyrell não tem inimizade por mim, que eu saiba, e gabo-me de possuir certa habilidade para negociação.

Ele nos tem na mão. Tyrion não confiava em Petyr Baelish, nem queria que o homem ficasse longe de sua vista, mas, que outra possibilidade restava? Tinha de ser. Ou Mindinho ou ele próprio, e Tyrion sabia perfeitamente bem que se deixasse Porto Real durante algum tempo, tudo o que conseguiu realizar seria desfeito.

– Luta-se entre Porto Real e Ponteamarga – ele disse cautelosamente. – E pode ter absoluta certeza de que Lorde Stannis enviará seus próprios pastores a fim de reunir os cordeiros transviados do irmão.