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E não demoraram. Rivers desmontou o acampamento rapidamente, subiu para a sela ao lado de Catelyn, e voltaram a partir, agora com quase cinquenta homens, voando sob o lobo gigante, a truta saltante e as torres gêmeas.

Os homens dela queriam ouvir mais a respeito da vitória de Robb em Cruzaboi, e Rivers lhes fez a vontade.

– Há um cantor que veio para Correrrio, chama a si mesmo de Rymund, o Rimante, e fez uma canção sobre a batalha. Sem dúvida que a ouvirá ser cantada esta noite, senhora. Lobo na Noite, é como esse Rymund a chama – e prosseguiu, contando como os restos da tropa de Sor Stafford se retiraram para Lanisporto. Sem máquinas de cerco, não havia como assaltar Rochedo Casterly, e o Jovem Lobo andava pagando aos Lannister na mesma moeda a devastação que eles haviam infligido às terras fluviais. Os Lordes Karstark e Glover faziam investidas ao longo da costa, a Senhora Mormont capturara milhares de cabeças de gado e agora as conduzia de volta para Correrrio, ao passo que Grande-Jon tinha se apossado das minas de ouro em Castamere, Abismo de Nunn e nos Montes Pendric. Sor Wendel soltou uma gargalhada.

– Não há nada mais capaz de fazer um Lannister correr do que uma ameaça ao seu ouro.

– Como foi que o rei tomou o Dente? – perguntou Sor Perwyn Frey ao irmão bastardo. – Essa fortaleza é dura e forte, e domina a estrada da montanha.

– Não chegou a tomá-la. Esgueirou-se em torno dela durante a noite. Dizem que foi o lobo gigante que lhe indicou o caminho, aquele seu Vento Cinzento. O animal farejou uma trilha de cabras que serpenteava por um desfiladeiro e à sombra de uma cumeada, um caminho torto e pedregoso, mas suficientemente largo para uma fila de homens a cavalo. Os Lannister, em suas torres de vigia, nem de relance os viram – Rivers abaixou a voz. – Há quem diga que, depois da batalha, o rei arrancou o coração de Stafford Lannister e o deu para o lobo comer.

– Eu não acreditaria nesse tipo de história – Catelyn disse em tom penetrante. – Meu filho não é nenhum selvagem.

– É como diz, senhora. Em todo caso, não é mais do que o animal merecia. Aquilo não é um lobo comum. Houve quem ouvisse Grande-Jon dizer que os velhos deuses do norte enviaram aqueles lobos gigantes aos seus filhos.

Catelyn lembrou-se do dia em que seus rapazes tinham encontrado os lobinhos nas neves do fim do Verão. Tinham sido cinco, três machos e duas fêmeas, para os cinco filhos legítimos da Casa Stark… e um sexto, de pelo branco e olhos vermelhos, para o filho bastardo de Ned, Jon Snow. Não são lobos comuns, pensou. Deveras que não.

Naquela noite, enquanto montavam acampamento, Brienne procurou a tenda de Catelyn.

– Senhora, está agora de volta, a salvo entre os seus, a um dia de viagem do castelo de seu irmão. Dê-me licença para partir.

Catelyn não devia ter se sentido surpresa. A modesta jovem tinha se mantido fechada em si mesma ao longo de toda a viagem, passando a maior parte do tempo com os cavalos, escovando seus pelos e tirando pedras de suas ferraduras. Também ajudara Shadd a cozinhar e a limpar a caça, e rapidamente provou que era capaz de caçar tão bem como qualquer um dos homens. Qualquer tarefa que Catelyn lhe pedisse para realizar, Brienne tinha cumprido com habilidade e sem queixas, e quando falavam com ela, respondia educadamente, mas nunca tagarelava, nem chorava, nem ria. Cavalgara com eles todos os dias e dormira entre eles todas as noites sem nunca se tornar verdadeiramente parte do grupo.

Era a mesma coisa quando estava com Renly, Catelyn pensou. No banquete, no corpo a corpo, até no pavilhão de Renly com os irmãos da Guarda Arco-Íris. Há muralhas em volta dessa moça que são mais altas do que as de Winterfell.

– Se nos deixar, para onde irá? – perguntou-lhe Catelyn.

– Voltarei – disse Brienne. – Para Ponta Tempestade.

– Sozinha – não era uma pergunta.

A cara larga era uma lagoa de águas paradas, sem revelar nenhum indício do que poderia viver nas profundezas.

– Sim.

– Pretende matar Stannis.

Brienne fechou os dedos grossos e cheios de calos em volta do cabo da espada. A espada que tinha sido dele.

– Fiz um juramento. Jurei-o três vezes. A senhora ouviu.

– Ouvi – Catelyn assentiu. Sabia que a moça tinha ficado com o manto arco-íris quando se desfizera do resto de suas roupas manchadas de sangue. Os pertences de Brienne tinham sido deixados para trás durante a fuga, e ela fora forçada a se vestir com peças desparelhadas do traje reserva de Sor Wendel, visto que nenhum outro membro do grupo tinha roupas suficientemente grandes para ela. – Os juramentos devem ser mantidos, concordo, mas Stannis tem uma grande tropa ao seu redor, e seus próprios guardas, que juraram mantê-lo a salvo.

– Não temo seus guardas. Sou tão boa como qualquer um deles. Nunca devia ter fugido.

– É isso o que a perturba, que algum idiota possa chamá-la de covarde? – Catelyn suspirou. – A morte de Renly não foi sua culpa. Serviu-lhe valentemente, mas quando procura segui-lo na morte não serve a ninguém – estendeu uma mão, para dar o conforto que um toque podia dar. – Eu sei como é duro…

Brienne afastou sua mão da dela.

– Ninguém sabe.

– Está enganada – Catelyn respondeu bruscamente. – Todas as manhãs, quando acordo, lembro-me de que Ned partiu. Não tenho habilidade com armas, mas isso não quer dizer que não sonhe em ir a cavalo até Porto Real, enrolar as mãos em volta da garganta branca de Cersei Lannister e apertá-la até que seu rosto fique preto.

Brienne levantou os olhos, sua única parte que era realmente bela.

– Se sonha com isso, por que procura me segurar? É por causa do que Stannis disse na conferência?

Será? Catelyn lançou um olhar ao acampamento. Dois homens patrulhavam, de sentinela, com lanças na mão.

– Ensinaram-me que os homens bons devem lutar contra o mal neste mundo, e a morte de Renly foi maligna, para lá de qualquer dúvida. Mas também me ensinaram que os deuses fazem os reis, não as espadas dos homens. Se Stannis for o nosso legítimo rei…

– Não é. Robert também nunca foi o rei legítimo, até Renly disse isso. Jaime Lannister assassinou o rei legítimo, depois de Robert ter matado seu legítimo herdeiro no Tridente. Onde estavam então os deuses? Os deuses não se importam mais com os homens do que os reis com os camponeses.

– Um bom rei se importa.

– Lorde Renly… Sua Graça, ele… ele teria sido o melhor dos reis, senhora, ele era tão bom, ele…

– Ele morreu, Brienne – Catelyn disse, tão gentilmente quanto podia. – Restam Stannis e Joffrey… bem como meu filho.

– Ele não… a senhora nunca faria a paz com Stannis, certo? Dobrar o joelho? Não faria isso…

– Vou lhe dizer a verdade, Brienne. Não sei. Meu filho pode ser um rei, mas eu não sou nenhuma rainha… Sou apenas uma mãe que quer manter os filhos a salvo de todas as maneiras que puder.

– Não fui feita para ser mãe. Tenho de lutar.

– Então lute… Mas pelos vivos, não pelos mortos. Os inimigos de Renly são também inimigos de Robb.

Brienne fitou o chão e arrastou os pés.

– Eu não conheço seu filho, senhora – ela ergueu os olhos. – Podia servi-la. Se me aceitar.

Catelyn ficou surpresa.

– Por que a mim?

A pergunta pareceu perturbar Brienne.

– Ajudou-me. No pavilhão… quando eles pensaram que eu tinha… que eu tinha…

– Era inocente.

– Mesmo assim, não era sua obrigação fazer o que fez. Podia ter deixado que me matassem. Eu não era nada para você.

Talvez eu não quisesse ser a única a conhecer a negra verdade do que aconteceu ali, Catelyn pensou.

– Brienne, tomei muitas senhoras bem-nascidas ao meu serviço ao longo dos anos, mas nunca nenhuma como você. Não sou comandante de batalha.