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cobertos de neve no horizonte longínquo, toda sua esperança se

evaporara num instante.

- Esta é a estrada de altitude - arquejara, olhando para a Senhora

Stark com olhos acusadores. - A estrada do leste, A senhora disse

que nos dirigíamos a Winterfell!

Catelyn Stark concedeu-lhe o mais tênue dos sorrisos.

- Em alto e bom som - ela concordou. - Não há dúvida de que seus

amigos seguirão esse caminho quando vierem em nosso encalço.

Desejo-lhes boa viagem.

Mesmo agora, muitos dias mais tarde, a recordação o enchia de

amarga raiva. Por toda a vida Tyrion se orgulhara de sua astúcia, o

único presente que os deuses se tinham dignado a conceder-lhe e, no

entanto, aquela sete vezes maldita loba Catelyn Stark o sobrepujara

durante todo o tempo. Saber aquilo era mais humilhante que o

simples fato de ter sido raptado.

Pararam apenas o tempo suficiente para alimentar e dar de beber

aos cavalos, e puseram-se imediatamente a caminho. Daquela vez,

Tyrion foi poupado do capuz. Após a segunda noite, deixaram de

atar-lhe as mãos, e uma vez chegados às alturas, já pouco se

preocupavam em guardá-lo. Pareciam não temer que fugisse. E por

que haveriam de temer? Ali a terra era dura e selvagem, e a estrada

de altitude pouco passava de um trilho pedregoso. Se fugisse, até

onde chegaria, só e sem provisões? Os gatos-das-sombras o veriam

como uma guloseima, e os clãs que habitavam os baluartes da

montanha eram salteadores e assassinos que não se dobravam a

nenhuma lei além da da espada.

Mas, apesar disso, a Stark os fez avançar de forma implacável. Sabia

para onde se dirigiam. Soubera desde o momento em que lhe tinham

arrancado o capuz. Aquelas montanhas eram o domínio da Casa

Arryn, e a viúva da falecida Mão era uma Tully, irmã de Catelyn

Stark... e nada amiga dos Lannister. Tyrion conhecera vagamente a

Senhora Lysa durante os anos que ela passara em Porto Real, e não

se sentia ansioso por reatar o convívio.

Seus captores aglomeravam-se em torno de um riacho um pouco

mais à frente. Os cavalos tinham se enchido da água fria como gelo e

pastavam feixes de mato castanho que crescia em fendas na rocha.

Jyck e Morrec estavam muito juntos, carrancudos e infelizes. Mohor

erguia-se sobre eles, apoiado na lança e usando um capacete de ferro

arredondado que fazia com que parecesse ter uma tigela na cabeça.

Perto deles, Marillion, o cantor, estava sentado oleando sua harpa,

queixando-se do que a umidade estava fazendo às cordas do

instrumento.

- Temos de descansar um pouco, senhora - o pequeno cavaleiro Sor

Willis Wode dizia a Catelyn Stark quando Tyrion se aproximou.

Era o homem da Senhora Whent, obstinado e imperturbável, e o

primeiro a saltar em socorro de Catelyn Stark na pousada.

- Sor Willis diz a verdade, minha senhora - disse Sor Rodrik. - Este

foi o terceiro cavalo que perdemos...

- Perderemos mais que cavalos se formos alcançados pelos Lannister

- ela os lembrou. Tinha o rosto queimado pelo vento e descarnado,

mas não perdera nada da sua determinação.

- Há poucas chances de isso acontecer aqui - Tyrion interveio.

- A senhora não lhe pediu opinião, anão - exclamou Kurleket, um

grande idiota gordo, de cabelos curtos e cara de porco. Era um dos

Bracken, um homem de armas a serviço de Lorde forios. Tyrion tinha

feito um esforço especial para aprender o nome de todos, a fim de

lhes agradecer mais tarde pelo modo terno como o tratavam. Um

Lannister pagava sempre suas dívidas. Kurleket saberia disso um dia,

tal como os amigos Lharys e Mohor, o bom Sor Willis e os mer-

cenários Bronn e Chiggen. Planejava uma lição especialmente severa

para Marillion, o da harpa e da bela voz de tenor, que lutava tão

virilmente por arranjar rimas com duende, coxo e manco a fim de

poder criar uma canção sobre o seu ultraje.

- Deixe-o falar - a Senhora Stark ordenou.

Tyrion Lannister sentou-se numa rocha.

- Por esta altura nossos perseguidores estão provavelmente

avançando pelo Gargalo, perseguindo sua mentira ao longo da

estrada do rei... assumindo que existe uma perseguição, o que não é

de todo certo. Ah, não há dúvida de que a notícia chegou ao meu

pai... mas meu pai não me estima tanto assim, e não estou nada

convencido de que tenha se incomodado em agir - era apenas meia

mentira; Lorde Tywin Lannister não se importava nem um pouco

com o filho deformado, mas não tolerava desrespeitos à honra de sua

Casa. - Estamos numa terra cruel, Senhora Stark. Não encontrará

socorro até chegar ao Vale, e cada montaria perdida sobrecarrega

ainda mais as restantes. Pior, arrisca-se perder a mim. Sou pequeno,

não sou forte e, se morrer, qual é o objetivo de tudo isto? - aquilo

não era mentira nenhuma; Tyrion não sabia quanto tempo mais

conseguiria suportar aquele ritmo.

- Pode-se argumentar que a sua morte é o objetivo, Lannister -

respondeu Catelyn Stark.

- Penso que não. Se me quisesse morto, bastaria dizer uma palavra, e

um desses seus leais amigos de bom grado me daria um sorriso

vermelho - olhou para Kurleket, mas o homem era obtuso demais

para saborear a ironia.

- Os Stark não assassinam ninguém em suas camas.

- Nem eu - Tyrion retrucou. - Repito-lhe: não participei na tentativa

de matar o seu filho.

- O assassino estava armado com o seu punhal.

Tyrion sentiu o calor subir no seu interior.

- O punhal não era meu - insistiu. - Quantas vezes tenho de jurar?

Senhora Stark, seja o que for que acredite a meu respeito, saiba que

não sou um homem estúpido. Só um idiota armaria um simples peão

com a própria arma.

Apenas por um momento pensou ver uma cintilação de dúvida nos

olhos dela, mas Catelyn disse:

- Por que haveria Petyr de mentir para mim?

- Por que é que um urso caga na floresta? - ele quis saber. - Porque

é esta a sua natureza. Para um homem como Mindinho, mentir é tão

natural como respirar. Se há alguém neste mundo que devia saber

isso, é a senhora,

Ela deu um passo em sua direção, com o rosto fechado.

- E o que isto quer dizer, Lannister?

Tyrion inclinou a cabeça para o lado.

- Ora, todos os homens na corte ouviram-no contar como tirou sua

virgindade, minha senhora,

- Isto é uma mentira! - Catelyn Stark retrucou.

- Ah, que duendezinho malvado - disse Marillion, chocado.

Kurleker desembainhou seu punhal, uma perigosa peça de ferro

negro.

- A uma palavra, senhora, atirarei a seus pés aquela língua mentirosa

- seus olhos de porco estavam úmidos de excitação perante a ideia.

Catelyn Stark observou fixamente Tyrion, com um olhar frio como

ele nunca vira.

- Petyr Baelish amou-me em tempos passados. Era apenas um rapaz.

Sua paixão foi uma tragédia para todos nós, mas foi real, e pura, e

nada de que se deva zombar. Desejava minha mão. É esta a verdade.

É realmente um homem vil, Lannister.

- A senhora é realmente uma tola, Senhora Stark. Mindinho nunca

amou ninguém a não ser Mindinho, e garanto que não é da sua mão

que ele se gaba, é sim desses vossos maduros seios, da vossa doce