si mesma ou se para o filho.
- Não seja estúpida - disse Catelyn, com a ira crescendo dentro dela.
- Ninguém está a salvo. Se pensa que se esconder aqui fará com que
os Lannister a esqueçam, está muito enganada.
Lysa cobriu a orelha do filho com a mão.
- Mesmo se conseguissem trazer um exército pelas montanhas e
atravessassem o Portão Sangrento, o Ninho da Águia é inexpugnável.
Você viu com seus próprios olhos. Nenhum inimigo poderá nos
atingir aqui em cima.
Catelyn quis bater na irmã. Então percebeu que seu tio Brynden
tentara preveni-la daquilo.
- Nenhum castelo é inexpugnável.
- Este é - insistiu Lysa. - Todos assim dizem. A única questão é: o
que farei com este Duende que você me trouxe?
- Ele é um homem mau? - perguntou o Senhor do Ninho da Águia,
com o seio da mãe saltando-lhe da boca, com o mamilo molhado e
vermelho.
- Um homem muito mau - disse-lhe Lysa enquanto se cobria -mas eu
não vou deixar que ele faça mal ao bebê.
- Faça-o voar - disse Robert em tom ansioso.
Lysa afagou os cabelos do filho.
- Talvez façamos - murmurou. - Talvez seja isso mesmo o que
faremos.
Eddard
Foi encontrar Mindinho na sala comum do bordel, conversando
amigavelmente com uma mulher alta e elegante que usava um
vestido de penas sobre uma pele tão negra como tinta. Perro da
lareira, Heward e uma jovem roliça jogavam prendas. Segundo
parecia, ele por enquanto tinha perdido o cinto, o manto, a cota de
malha e a bota direita, ao passo que a jovem tinha sido forçada a
desabotoar a camisa até o peito. Jory Cassei estava em pé, junto a
uma janela riscada pela chuva, com um sorriso perverso no rosto,
observando Heward virando as peças e gostando do que estava
vendo.
Ned parou na base da escada e calçou as luvas.
- E tempo de nos retirarmos. Meu assunto aqui está tratado,
Heward pôs-se em pé de um salto, recolhendo apressadamente suas
coisas.
- Como quiser, senhor - disse. - Vou ajudar Wyl a trazer os cavalos -
e encaminhou-se para a porta a passos largos.
Mindinho gastou seu tempo nas despedidas. Beijou a mão da mulher
negra, sussurrou um gracejo qualquer que a fez rir alto, e dirigiu-se
vagarosamente para Ned.
- Seu assunto - disse com ligeireza -, ou de Robert? Diz-se que a
Mão sonha os sonhos do rei, fala com a voz do rei e governa com a
espada do rei. Será que isso também quer dizer que rode com a. .
- Lorde Baelish - interrompeu Ned -, o senhor tem muito
atrevimento. Não sou ingrato pela sua ajuda. Poderíamos ter levado
anos para encontrar este bordel sem o senhor. Mas isso não quer
dizer que pretendo suportar sua zombaria. E já não sou a Mão do
Rei.
- O lobo gigante deve ser um animal irritadiço - disse Mindinho,
torcendo a boca.
Caía uma chuva morna de um céu negro sem estrelas quando se
encaminharam para os estábulos. Ned puxou o capuz do manto
sobre a cabeça. Jory trouxe-lhe seu cavalo. O jovem Wyl veio logo
atrás, trazendo a égua de Mindinho com uma mão, enquanto a outra
lutava com o cinto e as ataduras das calças. Uma prostituta barata
espreitava da porta do estábulo, rindo para ele.
- Vamos regressar agora ao castelo, senhor? - Jory perguntou. Ned
confirmou com a cabeça e saltou para a sela. Mindinho, ao seu lado,
também montou. Jory e os outros os acompanharam.
- Chataya dirige um estabelecimento de primeira linha - disse
Mindinho enquanto avançavam. - Estou meio decidido a comprá-lo.
Descobri que os bordéis são um investimento muito mais lucrativo
que os navios. As prostitutas raramente se afundam, e quando são
abordadas por piratas, ora, os piratas pagam em boa moeda como
qualquer outra pessoa - Lorde Petyr riu da própria piada.
Ned deixou que continuasse a tagarelar. Passado algum tempo, o
homem sossegou, e prosseguiram em silêncio. As ruas de Porto Real
estavam escuras e desertas. A chuva empurrara as pessoas para
dentro das portas e batia na cabeça de Ned, morna como sangue e
inexorável como as velhas culpas. Gordas gotas de água corriam-lhe
pelo rosto abaixo.
"Robert nunca se limitará a uma cama", dissera-lhe Lyanna, em
Winterfell, na noite, há muito tempo, em que seu pai prometera a
mão da filha ao jovem Senhor de Ponta Tempestade. "Ouvi dizer que
fez um filho em uma moça qualquer no Vale." Ned segurara o bebê
nos braços; dificilmente poderia negá-lo, e tampouco mentiria à irmã,
mas assegurara-lhe que o que Robert fizera antes da promessa não
tinha importância, que era um homem bom e fiel, e que a amaria de
todo o coração. Lyanna apenas sorrira. "O amor é doce, querido Ned,
mas não pode mudar a natureza de um homem."
A moça era tão jovem que Ned não se atrevera a lhe perguntar a
idade. Não havia dúvida de que tinha começado virgem; os melhores
bordéis eram sempre capazes de encontrar uma virgem, se a bolsa
fosse suficientemente gorda. Tinha cabelos ruivo-claros e o nariz
salpicado de sardas, e quando soltou um seio para dar o mamilo ao
bebê, Ned vira que também o peito era sardento.
- Dei-lhe o nome Barra - dissera, enquanto a criança mamava. -
Parece-se tanto com ele, não parece, senhor? Tem o seu nariz, seu
cabelo...
- Parece - Eddard Stark tocara os cabelos finos e escuros do bebê.
Fluía entre seus dedos como seda negra. Julgava recordar-se de que a
primeira filha de Robert tivera o mesmo cabelo fino.
- Conte-lhe quando o vir, senhor, se lhe... se lhe for conveniente.
Conte-lhe como ela é linda.
- Contarei - Ned prometeu à moça. Era esta a sua maldição. Robert
era capaz de jurar um amor eterno e esquecê-lo antes do cair da
noite, mas Ned Stark mantinha seus votos. Pensou nas promessas
que fizera a Lyanna quando ela jazia, à morte, e no preço que pagara
para cumpri-las.
- E diga-lhe que não tive mais ninguém. Juro, senhor, pelos deuses
antigos e pelos novos. Chataya disse que eu podia tirar meio ano, por
causa do bebê e por ter esperança de que ele volte. Por isso, o
senhor vai lhe dizer que estou à espera, não é verdade? Não quero
jóias nem nada disso, só quero ele. Sempre foi bom para mim, de
verdade.
Ainda bem para você, pensou Ned de um modo vazio.
- Direi, filha, e prometo-lhe que Barra não passará necessidades.
Então ela sorrira, um sorriso tão trêmulo e doce que lhe destroçara o
coração. Cavalgando pela noite chuvosa, Ned viu o rosto de Jon Snow
à sua frente, tão semelhante a uma versão mais nova do seu. Se os
deuses eram tão duros com os bastardos, pensou sombriamente, por
que enchiam os homens de tais apetites?
- Lorde Baelish, o que sabe dos bastardos de Robert?
- Bem, para começar, ele tem mais do que o senhor.
- Quantos?
Mindinho encolheu os ombros. Fios de chuva puxavam para baixo a
parte de trás de seu manto.
- Será que importa? Se se dormir com mulheres suficientes, algumas
lhe darão presentes, e Sua Graça nunca foi tímido nesse aspecto. Sei
que ele reconheceu aquele rapaz em Ponta Tempestade, aquele que
gerou na noite do casamento de Lorde Stannis, Dificilmente poderia