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fazer outra coisa. A mãe é uma Florent, sobrinha da Senhora Selyse,

uma de suas camareiras. Renly diz que Robert levou a moça para

cima durante o banquete e estreou o leito de núpcias enquanto

Stannis e a noiva ainda dançavam. Lorde Stannis pareceu pensar que

isso manchou a honra da Casa da esposa, e quando o rapaz nasceu, o

enviou para Renly - dirigiu a Ned uma olhadela pelo tanto do olho. -

Também ouvi segredar que Robert arranjou um par de gêmeos com

uma criada no Rochedo Casterly, há três anos, quando viajou para

oeste, para o torneio de Lorde Tywin. Cersei mandou matar os bebês

e vendeu a mãe a um negociante de escravos que estava de passa-

gem. Era afronta demais ao orgulho dos Lannister, tão perto de casa.

Ned Stark fez uma careta. Contavam-se histórias feias como aquela

de todos os grandes senhores no reino. Ele conseguia acreditar com

suficiente facilidade que Cersei Lannister seria capaz de tal coisa...

Mas o rei permitiria que algo assim acontecesse? O Robert que

conhecera não o teria permitido, mas este mesmo Robert também

nunca tivera, como agora, tanta prática de fechar os olhos às coisas

que não desejava ver.

- Por que teria Jon Arryn tomado um súbito interesse pelos filhos

ilegítimos do rei? O homem mais baixo encolheu um par de ombros

encharcados.

- Ele era a Mão do Rei. Sem dúvida, Robert pediu-lhe que lhes

assegurasse a subsistência. Ned estava molhado até os ossos e sua

alma tinha se arrefecido.

- Tinha de ser mais que isso, caso contrário, por que matá-lo?

Mindinho sacudiu a chuva dos cabelos e soltou uma gargalhada.

- Agora compreendo. Lorde Arryn soube que Sua Graça enchera as

barrigas de umas quantas prostitutas e mulheres de pescadores e por

isso teve de ser silenciado. Não surpreende. Permita a um homem

assim que viva e, em seguida, é provável que ele diga que o Sol nasce

no oriente,

Ned não podia dar àquilo nenhuma resposta além de um olhar

carregado. Pela primeira vez em anos, deu por si pensando em

Rhaegar Targaryen. Gostaria de saber se Rhaegar frequentara

bordéis; não sabia bem por que, mas achava que não.

A chuva caía agora com mais força, fazendo arder os olhos e

tamborilando no chão. Rios de agua negra corriam pela colina abaixo

quando Jory gritou "Senhor", com a voz rouca de alarme, E, no

instante seguinte, a rua estava cheia de soldados.

Ned vislumbrou cotas de malha sobre couro, luvas e caneleiras,

capacetes de aço coroados ror leões dourados. Seus mantos aderiam-

lhes às costas, ensopados de chuva. Não teve tempo de contar, mas

havia pelo menos dez, uma fila deles, a pé, bloqueando a rua, com

espadas e lanças de ponta de ferro. Ouviu Wyl gritar "Atrás!", e

quando virou o cavalo havia mais atrás deles, cortando-lhes a

retirada. A espada de Jory saiu da bainha, tilintando.

- Deixem-nos passar, ou morrerão!

- Os lobos estão uivando - disse o líder. Ned podia ver a chuva que

lhe escorria pelo rosto,

- Mas é uma alcateia muito pequena.

Mindinho fez avançar seu cavalo, um passo cuidadoso de cada vez.

- Que significa isto? Este é a Mão do Rei.

- Este era a Mão do Rei - a lama abafava o ruído dos cascos do

garanhão baio puro-sangue. A linha abriu-se para deixá-lo passar.

Num peitoral dourado, o leão de Lannister rugia em desafio. - Agora,

a bem da verdade, não tenho certeza do que ele é.

- Lannister, isto é uma loucura - disse Mindinho. - Deixe-nos passar.

Somos esperados no castelo. Que pensa que está fazendo?

- Ele sabe o que está fazendo - disse Ned calmamente.

Jaime Lannister sorriu.

- É bem verdade. Estou à procura de meu irmão. Lembra-se do meu

irmão, não é mesmo, Lorde Stark? Esteve comigo em Winterfell, De

cabelos claros, olhos desiguais, uma língua afiada. Um homem baixo.

- Lembro-me bem dele - respondeu Ned.

- Parece que encontrou alguns problemas na estrada. O senhor meu

pai está bastante aborrecido. Não tem por acaso alguma ideia de

quem possa desejar mal a meu irmão, não é?

- Seu irmão foi capturado às minhas ordens, a fim de responder

pelos seus crimes - disse Ned Stark.

Mindinho grunhiu de consternação.

- Meus senhores...

Sor Jaime arrancou a espada da bainha e incitou o garanhão a

avançar.

- Mostre-me o seu aço, Lorde Eddard. Eu o matarei como a Aerys se

tiver de ser, mas preferiria que morresse com uma lâmina na mão -

dirigiu a Mindinho um olhar frio e desdenhoso. - Lorde Baelish, eu

sairia daqui com alguma pressa se não quisesse ficar com manchas

de sangue nas dispendiosas roupas.

Mindinho não precisava ser instado.

- Chamarei a Patrulha da Cidade - prometeu a Ned. A linha dos

Lannister abriu-se para deixá-lo passar e atrás dele se fechou.

Mindinho enterrou os calcanhares na égua e desapareceu atrás de

uma esquina.

Os homens de Ned tinham puxado as espadas, mas eram três contra

vinte. Olhos observavam de janelas e portas próximas, mas ninguém

pensava em intervir. Seu grupo estava montado, os Lannister, a pé,

exceto o próprio Jaime. Uma investida poderia libertá-los, mas

pareceu a Eddard Stark que tinham uma tática mais segura.

- Mate-me - disse ele ao Regicida -, e Catelyn com certeza matará

Tyrion.

Jaime Lannister empurrou o peito de Ned com a espada dourada que

derramara o sangue do último dos reis-dragão.

- Mataria? A nobre Catelyn Tully de Correrrio, matar um refém?

Penso.. que não - suspirou. - Mas não estou disposto a arriscar a

vida de meu irmão com a honra de uma mulher -Jaime recolheu a

espada dourada à bainha. - Portanto, suponho que o deixarei correr

para Robert, para lhe contar como o assustei. Pergunto-me se ele se

importará - Jaime atirou os cabelos molhados para trás e virou o

cavalo. Depois de ultrapassar a linha dos homens de armas, dirigiu-se

ao capitão. - Tregar, certifique-se de que nenhum mal aconteça a

Lorde Stark.

- Como quiser, senhor.

- Apesar disso... não vamos querer que ele saia daqui inteiramente

impune, portanto - através da noite e da chuva, Ned vislumbrou o

branco do sorriso de Jaime -, mate seus homens.

- Não! - Ned Stark gritou, levando a mão à espada. Jaime já seguia a

galope lento pela rua quando ouviu Wyl gritar. Homens

aproximavam-se de ambos os lados. Ned abateu um, lançando

estocadas nos fantasmas em mantos vermelhos que caíam diante de

si, Jory Cassei enterrou os calcanhares no cavalo e saiu em disparada.

Um casco ferrado com aço pegou um guarda Lannister na cara com

um cruncb repugnante. Um segundo homem afastou-se

cambaleando, e por um instante Jory esteve livre. Wyl praguejou

quando o puxaram de cima do cavalo moribundo, com espadas

golpeando entre a chuva. Ned galopou para ele, fazendo cair sua

espada sobre o elmo de Tregar. A sacudidela do impacto o fez ranger

os dentes. Tregar caiu de joelhos, com o leão do capacete fendido ao

meio e o sangue escorrendo-lhe pelo rosto. Heward golpeava as mãos

que tinham agarrado o freio de seu cavalo quando uma lança o

acertou na barriga. De repente, Jory estava de novo entre eles, com