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vermelho, mas seus olhos ardiam.

Osha usou a base da lança como apoio para se pôr de pé. Jorrava

sangue de uma ferida no braço, onde Robb a golpeara. Bran

conseguia ver o suor que escorria pelo rosto do homem grande.

Compreendeu que Stiv estava tão assustado como ele.

- Stark - murmurou o homem -, malditos Stark - levantou a voz. -

Osha, mate os lobos e apanhe a espada dele.

- Mate-os você - ela respondeu. - Eu não chego perto desses

monstros.

Por um momento Stiv sentiu-se perdido. Sua mão tremia; Bran

sentiu um fio de sangue onde a faca fazia pressão contra seu

pescoço. O fedor do homem enchia-lhe as narinas; cheirava a medo.

- Você - gritou a Robb. - Tem um nome?

- Sou Robb Stark, herdeiro de Winterfell.

- Este é seu irmão?

- Sim.

- Se o quiser vivo, faça o que digo. Salte do cavalo.

Robb hesitou por um momento. Então, lenta e deliberadamente

desmontou e virou-se para o homem, de espada na mão.

- Agora mate os lobos.

Robb não se moveu.

- Faça o que eu digo. Os lobos ou o rapaz.

- Não! - gritou Bran. Se Robb fizesse o que ele pedia, Stiv os mataria

a ambos de qualquer modo depois de os lobos serem mortos.

O careca o agarrou pelos cabelos com a mão livre e o puxou

cruelmente, até Bran soluçar de dor.

- Cale essa boca, aleijado, está me ouvindo? - puxou com mais força.

- Está ouvindo?

Um vrum baixo veio das árvores atrás deles. Stiv soltou um arquejo

engasgado quando quinze centímetros de uma seta de ponta larga

explodiram de súbito no seu peito. A seta era vermelha viva, como se

tivesse sido pintada com sangue.

O punhal caiu da garganta de Bran. O homem grande cambaleou e

caiu no córrego de barriga para baixo, A seta partiu-se sob seu

corpo. Bran viu sua vida fugir, aos redemoinhos, pela água abaixo.

Osha olhou em volta quando os guardas de seu pai surgiram por

entre as árvores, de armas na mão, e deixou cair a lança,

- Misericórdia, senhor - ela gritou para Robb.

Os guardas tinham uma expressão estranha, pálida, no rosto ao

depararem com aquela cena de morticínio. Olhavam para os lobos,

inseguros, e quando Verão regressou para junto do cadáver de Hali

para comer, Joseth deixou cair a faca e precipitou-se para as árvores,

vomitando. Até Meistre Luwin pareceu chocado ao surgir por trás de

uma árvore, mas só por um instante. Então balançou a cabeça e

atravessou o córrego até junto de Bran.

- Está ferido?

- Ele cortou minha perna - Bran respondeu-, mas não senti nada.

Enquanto Meistre se ajoelhava para examinar a ferida, Bran virou a

cabeça. Theon Greyjoy estava ao lado de uma árvore-sentinela, de

arco na mão, e sorrindo. Sempre sorrindo. Meia dúzia dc setas

encontravam-se espetadas no chão macio a seus pés, mas ele só

precisara de uma.

- Um inimigo morto é uma beleza - anunciou.

—Jon sempre disse que você era um cretino, Greyjoy - disse Robb

em voz alta. - Devia acorrentá-lo no pátio e deixar Bran praticar um

pouco de tiro ao alvo em você,

- Devia me agradecer por ter salvado a vida do seu irmão.

- E se seu tiro tivesse falhado? - disse Robb. - E se só o tivesse

ferido? E se tivesse feito sua mão saltar ou ferido Bran em vez dele?

Sabia que o homem podia estar usando uma placa no peito, porque

tudo o que você conseguia ver era a parte de trás de seu manto. Que

teria acontecido então ao meu irmão? Chegou a pensar nisso,

Greyjoy?

O sorriso de Theon desaparecera. Encolheu os ombros, carrancudo, e

começou a arrancar as setas do chão, uma a uma.

Robb olhou então para os guardas.

- Onde estavam vocês? - exigiu saber. - Eu tinha certeza de que

vinham logo atrás de nós. Os homens trocaram olhares infelizes.

- Nós os seguíamos, senhor - disse Quent, o mais novo, cuja barba

não passava de uma suave penugem castanha. - Só que primeiro

esperamos por Meistre Luwin e pelo seu asno, com k vossa licença, e

depois, bem, aconteceu que... - deu uma olhadela a Theon e desviou

rapidamente o olhar, envergonhado.

- Eu vi um peru - disse Theon, aborrecido pela pergunta. - Como

haveria de saber que ia deixá-lo sozinho?

Robb tornou o olhar para Theon. Bran nunca o vira tão zangado,

mas não disse nada. Finalmente, ajoelhou ao lado de Meistre Luwin.

- Qual é a gravidade da ferida do meu irmão?

- Não passa de um arranhão - disse o meistre. Molhou um pano no

córrego para limpar o golpe. - Dois deles vestem-se de negro - disse

a Robb enquanto trabalhava,

Robb lançou um olhar para onde Stiv jazia, estatelado no córrego,

com o esfarrapado manto negro a mover-se irregularmente, puxado

pela corrente.

- Desertores da Patrulha da Noite - disse em tom sombrio. - Deviam

ser loucos para vir tão perto de Winterfell.

- A loucura e o desespero são muitas vezes difíceis de distinguir -

disse Meistre Luwin,

- Enterramos os corpos, senhor? - perguntou Quent.

- Eles não nos teriam enterrado - disse Robb. - Corte-lhes as cabeças,

vamos mandá-las de volta para a Muralha. Deixe o resto para os

corvos.

- E esta? - Quent sacudiu o polegar na direção de Osha.

Robb aproximou-se dela. Era uma cabeça mais alta que ele, mas caiu

sobre os joelhos quando o viu caminhar em sua direção.

- Conceda-me a vida, senhor de Stark, e serei vossa.

- Minha? Que faria eu com uma traidora?

- Eu não quebrei juramento nenhum. Stiv e Wallen fugiram da

Muralha, eu não. Os corvos negros não têm lugar para mulheres.

Theon Greyjoy aproximou-se devagar.

- Dê-a aos lobos - ele disse a Robb. Os olhos da mulher saltaram

para o que restava de Hali e afastaram-se com a mesma velocidade.

Estremeceu. Até os guardas pareceram nauseados.

- Ela é uma mulher - disse Robb.

- Uma selvagem - disse-lhe Bran. - Ela disse que deviam me manter

vivo para me levarem a Mance Rayder.

- Você tem um nome? - perguntou-lhe Robb.

- Osha, ao seu dispor - ela murmurou em tom amargo.

Meistre Luwin se levantou.

- Faríamos bem em interrogá-la.

Bran conseguiu ver o alívio no rosto do irmão.

- Será como diz, meistre. Wayn, ate-lhe as mãos, Ela volta conosco

para Winterfell... e viverá ou morrerá conforme as verdades que nos

ofereça.

Tyrion

- Quer comer? - perguntou Morel, carrancudo. Segurava um prato

de feijão cozido com a mão grossa de dedos curtos. Tyrion Lannister

estava faminto, mas recusou-se a deixar que aquele bruto o visse

rebaixado.

- Uma perna de carneiro seria agradável - disse ele da pilha de palha

suja que se acumulava a um canto de sua cela. - Talvez um prato de

ervilhas com cebola, um pouco de pão fresco cozido tom manteiga e

um jarro de vinho com açúcar para empurrar tudo para baixo. Ou

cerveja, se for mais fácil. Tento não ser esquisito demais.

- Há feijões - disse Mord. - Tome - e estendeu o braço.

Tyrion suspirou. O carcereiro não passava de cento e trinta quilos de

grosseira estupidez, com dentes podres escurecidos e pequenos olhos

escuros. O lado esquerdo do rosto era liso, com uma Beatriz no local

em que um machado lhe cortara a orelha e parte da bochecha. Era