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se luta contra alguém em quem não se pode bater? - confuso, o rei

balançou a cabeça. - O Rhaegar.. o Rhaegar ganhou, maldito seja.

Matei-o, Ned, enterrei o espigão naquela armadura negra, espetei-o

no seu coração negro, e ele morreu aos meus pés. Fizeram canções

sobre isso. Mas de algum modo ele conseguiu ganhar. E agora tem

Lyanna, e eu tenho ela — o rei esvaziou o copo.

- Vossa Graça - disse Ned Stark -, temos de conversar...

Robert apertou as têmporas com as pontas dos dedos.

- Estou mortalmente farto de conversas. Amanhã vou a Mataderrei

caçar. Seja o que for que tenha a dizer, pode esperar até o meu

regresso.

- Se os deuses forem bondosos, não estarei aqui quando regressar.

Ordenou-me que voltasse para Winterfell, esqueceu?

Robert pôs-se em pé, agarrando-se a um dos pilares da cama para se

firmar nas pernas.

- Os deuses raramente são bondosos, Ned. Toma, isto é seu - tirou

do bolso no forro do manto o pesado broche da mão de prata e o

atirou em cima da cama. - Goste ou não, você é a minha Mão,

maldito seja. Proíbo-o de partir.

Ned pegou o broche de prata. Parecia que não lhe era dada escolha.

A perna latejou e sentiu-se tão impotente quanto uma criança.

- A moça Targaryen...

O rei gemeu.

- Pelos sete infernos, não comece com ela outra vez. Está feito, não

quero mais ouvir falar do assunto.

- Por que me quer como vossa Mão se se recusa a ouvir meus

conselhos?

- Por quê? - Robert riu. - E por que não? Alguém tem de governar

este maldito reino. Coloque o distintivo, Ned. Fica-lhe bem. E se

alguma vez voltar a atirá-lo na minha cara, espeto esta maldita coisa

em Jaime Lannister.

Catelyn

O céu oriental era rosa e ouro quando o sol surgiu sobre o Vale de

Arryn. Catelyn Stark viu a luz espalhar-se, com as mãos pousadas na

delicada pedra esculpida da balaustrada fora da janela. Embaixo, o

mundo passou de negro a índigo e a verde à medida que a alvorada

rastejava por campos e florestas. Pálidas névoas brancas ergueram-se

das Lágrimas de Alyssa, onde as fantasmagóricas águas mergulhavam

em uma saliência na montanha para começar sua longa queda pela

vertente da Lança do Gigante. Catelyn conseguia sentir o tênue toque

do vapor no rosto.

Alyssa Arryn vira o marido, os irmãos e todos os filhos assassinados,

mas em vida nunca derramara uma lágrima. Por isso, na morte, os

deuses tinham decretado que não conheceria descanso até que seu

choro regasse a terra negra do Vale, onde estavam enterrados os

homens que amara. Alyssa estava morta havia seis mil anos, e ainda

nem uma gota da torrente atingira o fundo do vale, muito abaixo.

Catelyn perguntou a si mesma qual seria o tamanho da cascata que

suas lágrimas fariam quando morresse.

- Conte-me o resto - disse.

- O Regicida está reunindo uma hoste no Rochedo Casterly -

respondeu Sor Rodrik Cassei do quarto atrás dela. - Seu irmão

escreve que enviou cavaleiros ao Rochedo exigindo que Lorde Tywin

proclamasse suas intenções, mas não obteve resposta. Edmure

ordenou a Lorde Vance e a Lorde Piper que aguardassem sob o

Dente Dourado. Jura que não cederá nem um pé da terra Tully sem

primeiro regá-la com sangue Lannister.

Catelyn virou as costas ao nascer do sol. Sua beleza pouco fazia para

melhorar seu humor; parecia cruel que um dia amanhecesse tão belo

e terminasse tão feio como aquele prometia.

- Edmure enviou cavaleiros e fez juramentos - disse -, mas não é

Edmure o senhor de Correrrio. E o senhor meu pai?

- A mensagem não menciona Lorde Hoster, senhora - Sor Rodrik

puxou as suíças. Tinham crescido brancas como a neve e espetadas

como um espinheiro enquanto ele se recuperava dos ferimentos; já

quase parecia ele mesmo de novo.

- Meu pai não teria dado a Edmure a defesa de Correrrio a menos

que estivesse muito doente - disse ela, preocupada. - Devia ter sido

acordada assim que esta ave chegou.

- Meistre Colemon disse-me que a senhora sua irmã achou melhor

deixá-la dormir.

- Devia ter sido acordada - insistiu Catelyn.

- O meistre disse-me que sua irmã planeja ter uma conversa com a

senhora depois do combate - Sor Rodrik respondeu.

- Então ainda tenciona ir em frente com esta farsa? - Catelyn fez

uma careta. - O anão a tocou como se fosse uma gaita, mas ela é

surda demais para ouvir a melodia. Aconteça o que acontecer esta

manhã, Sor Rodrik, já é mais que tempo de nos retirarmos. Meu

lugar é em Winterfell com meus filhos. Se estiver suficientemente

forte para viajar, pedirei a Lysa uma escolta para nos levar a Vila

Gaivotas. Podemos apanhar um navio lá.

- Outro navio? - Sor Rodrik ficou ligeiramente verde, mas conseguiu

não estremecer. -Como quiser, senhora.

O velho cavaleiro esperou à porta dos aposentos enquanto Catelyn

chamava os criados que Lysa lhe dera. Enquanto a vestiam, pensou

que, se falasse com a irmã antes do duelo, talvez fosse capaz de fazê-

la mudar de ideia. Os planos de Lysa mudavam com os seus

humores, e estes mudavam de hora em hora. A acanhada jovem que

conhecera em Correrrio tinha se transformado numa mulher que era

alternadamente

orgulhosa,

atemorizada,

cruel,

sonhadora,

imprudente, medrosa, teimosa, vaidosa e, acima de tudo, inconstante.

Quando aquele seu nojento carcereiro viera rastejando lhes dizer que

Tyrion Lannister desejava confessar, Catelyn insistira com Lysa para

que o anão fosse trazido somente a elas, mas não, nada estaria bom a

menos que a irmã conseguisse um espetáculo para metade do Vale. E

agora isto...

- O Lannister é meu prisioneiro - disse a Sor Rodrik enquanto

desciam as escadas da torre e avançavam através dos frios salões

brancos do Ninho da Águia. Catelyn vestia lã cinzenta sem

ornamentos e um cinto prateado. - Minha irmã tem de ser lembrada

disso.

À porta dos aposentos de Lysa, encontraram o tio saindo, furioso.

- Vai se juntar ao festival de tolos? - proferiu bruscamente Sor

Brynden. - Eu lhe diria para enfiar algum bom-senso na sua irmã a

tapas, se pensasse que isso teria algum resultado, mas só machucaria

sua mão.

- Chegou uma ave de Correrrio - começou Catelyn -, uma carta de

Edmure...

- Eu sei, filha - o peixe negro que prendia seu manto era a única

concessão que Brynden fazia aos ornamentos. - Tive de ouvir a

notícia da boca de Meistre Colemon. Pedi à sua irmã licença para

levar mil homens experimentados para Correrrio a toda pressa. Sabe

o que ela me disse? O Vale não pode prescindir de mil espadas, nem

mesmo de uma, Tio, é o Cavaleiro do Portão. Vosso lugar é aqui -

uma rajada de risos infantis soprou pelas portas abertas atrás dele, e

Brynden lançou um relance sombrio por sobre o ombro. - Bem,

disse-lhe que bem poderia arranjar um novo Cavaleiro do Portão.

Peixe Negro ou não, ainda sou um Tully. Partirei para Correrrio ao

cair da noite.

Catelyn não podia fingir surpresa.

- Sozinho? Sabe tão bem como eu que nunca sobreviveria à estrada

de altitude. Sor Rodrik e eu vamos regressar a Winterfell. Venha