conosco, tio. Eu lhe darei os seus mil homens. Correrrio não lutará
sozinho.
Brynden refletiu por um momento e depois concordou com um
aceno brusco.
- Será como diz. E o caminho maior para casa, mas assim é mais
provável que lá chegue. Espero por você lá embaixo - foi-se embora a
passos largos, com o manto rodopiando atrás dele.
Catelyn trocou um olhar com Sor Rodrik. Atravessaram as portas na
direção do agudo e nervoso som do riso de uma criança.
Os aposentos de Lysa abriam-se para um pequeno jardim, um círculo
de terra e plantas plantado com flores azuis e rodeado por todos os
lados de grandes torres brancas. Os construtores tinham-no
planejado como um bosque sagrado, mas o Ninho da Águia era
rodeado da pedra dura da montanha, e não importava quanta terra
era trazida do Vale, não conseguiam que um represeiro ganhasse
raízes ali. Assim, os senhores do Ninho da Águia plantaram grama e
espalharam estátuas por entre pequenos arbustos floridos. Seria ali
que os dois campeões se defrontariam para colocar suas vidas, e a de
Tyrion Lannister, nas mãos dos deuses.
Lysa, recém-escovada e vestida de veludo creme com um cordão de
safiras e selenita ao redor do pescoço leitoso, encontrava-se no
terraço que dava para o local do combate, rodeada pelos seus
cavaleiros, servidores e senhores, grandes e pequenos. A maior parte
ainda acalentava a esperança de desposá-la, dormir com ela e
governar o Vale de Arryn a seu lado. Pelo que Catelyn vira durante
sua estadia no Ninho da Águia, era uma vã esperança.
Uma plataforma de madeira fora construída para elevar a cadeira de
Robert; era aí que se sentava o Senhor do Ninho da Águia, rindo e
batendo as mãos enquanto um corcunda, vestido de retalhos azuis e
brancos, fazia suas marionetes, dois cavaleiros de madeira, se
golpearem mutuamente. Tinham sido trazidos grandes jarros de um
creme espesso e cestos de amoras silvestres, e os convidados bebiam
um vinho doce, com aroma de laranja, de taças de prata com
gravuras. Brynden chamara àquilo um festival de tolos, e não era de
admirar.
Do outro lado do terraço, Lysa riu alegremente de alguma
brincadeira de Lorde Hunter, e mordiscou uma amora espetada na
ponta do punhal de Sor Lyn Corbray. Eram os pretendentes que se
encontravam em melhor posição nas graças de Lysa.. hoje, pelo
menos. Catelyn teria dificuldades para decidir qual dos homens era
mais inadequado. Eon Hunter era ainda mais velho que Jon Arryn,
meio estropiado pela gota e amaldiçoado por três filhos conflituosos,
cada um mais ganancioso que o outro. Sor Lyn era um tipo de
loucura diferente; esbelto e bem-apessoado, herdeiro de uma casa
antiga mas empobrecida, porém vaidoso, imprudente, de
temperamento quente... e, segundo se sussurrava, notoriamente
desinteressado nos encantos íntimos das mulheres.
Quando Lysa viu Catelyn, recebeu-a com um abraço fraternal e um
beijo úmido na face.
- Não está uma manhã adorável? Os deuses nos sorriem. Experimente
uma taça de vinho, querida irmã. Lorde Hunter teve a amabilidade de
mandá-lo buscar da sua própria adega.
- Obrigada, mas não. Lysa, temos de conversar.
- Depois - prometeu a irmã, já começando a virar-lhe as costas.
- Agora - Catelyn falou mais alto do que desejara. Os homens
viraram-se para olhar. - Lysa, não pode querer seguir em frente com
esta loucura. Vivo, o Duende tem valor. Morto, não passa de comida
para corvos. E se seu campeão prevalecer aqui...
- Há poucas hipóteses de isso acontecer, senhora - assegurou-lhe
Lorde Hunter, dando-lhe pancadinhas no ombro com uma mão cheia
de sardas. - Sor Vardis é um valente lutador. Ele dará cabo do
mercenário.
- Dará? - disse friamente Catelyn. - Tenho dúvidas - ela vira Bronn
lutar na estrada de altitude; não fora por acaso que sobrevivera à
viagem, enquanto outros homens tinham morrido. Movia-se como
uma pantera, e aquela sua feia espada parecia fazer parte de seu
braço.
Os pretendentes de Lysa reuniam-se à volta delas como abelhas em
torno de uma flor.
- As mulheres pouco sabem destas coisas - disse Sor Morton
Waynwood. - Sor Vardis é um cavaleiro, querida senhora. Este outro
homem, bem, no fundo os homens desse tipo são todos covardes.
São suficientemente úteis em batalha, com milhares de companheiros
em redor, mas basta pô-los em combate individual e a virilidade lhes
escoa do corpo.
- Suponhamos então que seja verdade o que diz - disse Catelyn com
uma cortesia que lhe fez doer a boca. - O que ganharíamos com a
morte do anão? Imagina que Jaime se interessará um pouco que seja
por termos dado ao irmão um julgamento antes de o atirarmos da
montanha?
- Decapitem o homem - sugeriu Sor Lyn Corbray. - Quando o
Regicida receber a cabeça do Duende, isto lhe servirá de aviso.
Lysa sacudiu impacientemente os longos cabelos ruivos.
- Lorde Robert quer vê-lo voando - disse, como se isso decidisse
tudo. - E o Duende só tecle culpar a si próprio. Foi ele que exigiu
julgamento por combate.
- A Senhora Lysa não tinha maneira honrosa de lhe negar, mesmo se
o desejasse fazer - en-:: ou solenemente Lorde Hunter.
Ignorando-os todos, Catelyn virou todas as suas forças para a irmã.
- Lembro-lhe de que Tyrion Lannister é meu prisioneiro.
- E eu lembro a você que o anão assassinou o senhor meu esposo! - a
voz dela se ergueu. - Envenenou a Mão do Rei e deixou meu querido
bebê sem pai, e agora pretendo vê-lo pagar rx)r isso! - rodopiando,
com as saias balançando em volta das pernas, Lysa atravessou o
terraço a passos rápidos. Sor Lyn, Sor Morton e os outros
pretendentes despediram-se com acenos frios í a seguiram.
- Você acha que ele assim fez? - perguntou-lhe Sor Rodrik em voz
baixa quando ficaram de novo a sós. - Refiro-me a assassinar Jon
Arryn. O Duende ainda nega, e com grande veemência..
- Acredito que os Lannister assassinaram Lorde Arryn - respondeu
Catelyn -, mas se foi Tyrion, Sor Jaime, a rainha, ou todos juntos,
nem posso começar a decidir - Lysa tinha falado : nome de Cersei na
carta que enviara para Winterfell, mas agora parece certa de que
Tyrion é o autor do crime... talvez porque o anão estava ali, ao passo
que a rainha se encontrava a salvo atrás das muralhas da Fortaleza
Vermelha, a milhares de léguas ao sul. Catelyn quase desejava ter
queimado a carta da irmã antes de tê-la lido.
Sor Rodrik puxou as suíças.
- O veneno, bem.. é verdade que isso podia ser trabalho do anão. Ou
de Cersei. Diz-se que veneno é a arma das mulheres, com o seu
perdão, minha senhora... Agora, o Regicida... não cenho grande
apreço pelo homem, mas ele não é desse tipo. Gosta demasiado de
ver sangue naquela sua espada dourada. Terá sido veneno, senhora?
Catelyn franziu a testa, vagamente incomodada.
- De que outra forma teriam eles feito com que a morte parecesse
natural? - atrás dela Lorde Robert guinchou, deliciado, quando um
dos cavaleiros fantoches cortou o outro ao meio, derramando uma