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para saber disso.

- Se os seus campos e propriedades estão a salvo - dizia Lorde Petyr

-, o que querem então da coroa?

- Os senhores do Tridente mantêm a paz do rei - disse Sor Raymun

Darry. - Os Lannister a quebraram. Pedimos licença para lhes

responder, aço contra aço. Pedimos justiça para o povo de Sherrer,

Vila Vêneda e Vau do Saltimbanco.

- Edmure concorda que devemos pagar a Gregor Clegane na sua

sangrenta moeda - declarou Sor Marq -, mas o velho Lorde Hoster

ordenou que viajássemos até aqui para pedir licença ao rei antes de

atacar.

E n t ã o , g r a ç a s a o s d e u s e s p e l o v e l h o L o r d e H o s t e r .

Tywin Lannister era tanto raposa como leão, Se tinha de fato enviado

Sor Gregor para incendiar e pilhar, e Ned não duvidava que o tivesse

feito, tivera o cuidado de garantir que Clegane avançasse na

cobertura da noite, sem estandartes, sob o disfarce de um salteador

comum. Se Correrrio respondesse ao ataque, Cersei e o pai

insistiriam em que tinham sido os Tully e não os Lannister a quebrar

a paz do rei. Só os deuses sabiam no que acreditaria Robert.

O Grande Meistre Pycelle estava de novo em pé.

- Senhor Mão, se esta boa gente acredita que Sor Gregor esqueceu

seus votos sagrados para se dedicar ao saque e à violação, que vão se

queixar ao seu suserano. Estes crimes não dizem respeito à coroa.

Que procurem a justiça de Lorde Tywin.

- Tudo é a justiça do rei - disse-lhe Ned. - No norte, no sul, no oeste

e no leste, tudo o que fazemos, fazemos em nome de Robert.

- A justiça do r e i - disse o Grande Meistre Pycelle. - É bem verdade,

e por isso deveríamos adiar este assunto até que o rei...

- O rei está caçando para lá do rio e pode regressar só daqui a dias -

observou Lorde Eddard.

- Robert pediu-me que sentasse aqui no seu lugar, para ouvir com os

seus ouvidos e falar com a sua voz. Pretendo fazer isso mesmo...

embora concorde que ele deva ser informado - então viu um rosto

familiar sob as tapeçarias. - Sor Robar.

Sor Robar Royce avançou e fez uma reverência.

- Senhor.

- Seu pai está caçando com o rei - disse Ned. - Pode fazer chegar até

ele a notícia do que foi aqui dito e feito hoje?

- Imediatamente, senhor.

- Temos então a sua licença para exercer vingança contra Sor

Gregor? - perguntou Marq Piper à Mão.

- Vingança? - disse Ned. - Pensei que estávamos falando de justiça.

Queimar os campos de Clegane e matar a sua gente não restaurará a

paz do rei, mas apenas o seu orgulho ferido - afastou o olhar antes

que o jovem cavaleiro desse voz ao seu ultrajado protesto e dirigiu-se

aos aldeãos.

- Povo de Sherrer, não posso devolver as casas e colheitas nem sou

capaz de trazer os mortos de volta à vida. Mas talvez possa conceder

um pouco de justiça, em nome do nosso rei, Robert.

Todos os olhos no salão estavam postos nele, à espera. Lentamente,

Ned lutou para se pôr em pé, erguendo-se do trono com a força dos

braços, com a perna quebrada gritando dentro do gesso. Fez o que

pôde para ignorar a dor; não era o momento de deixar que vissem a

sua fraqueza.

- Os Primeiros Homens acreditavam que o juiz que clamasse pela

morte devia manejar a espada, e no Norte ainda mantemos esse

costume. Não me agrada enviar outro para matar em meu nome...,

mas parece que não tenho escolha - indicou com um gesto a perna

quebrada.

- L o rd e E d d a rd ! - o grito veio da ala leste do salão quando um

bonito adolescente avançou ousadamente a passos largos. Sem a

armadura, Sor Loras Tyrell parecia ter menos ainda do que os seus

dezesseis anos. Trajava seda azul-clara, e o cinto era uma corrente de

rosas douradas, o símbolo de sua Casa. - Suplico a honra de agir em

vosso lugar. Atribua-me esta tarefa, senhor, e juro que não vos

deixarei ficar mal.

Mindinho soltou um risinho.

- Sor Loras, se o enviarmos sozinho, Sor Gregor nos mandará de

volta a sua cabeça com uma ameixa enfiada nessa linda boca. A

Montanha não é do tipo que dobra o pescoço perante a justiça de

qualquer homem.

- Não temo Gregor Clegane - disse Sor Loras altivamente.

Ned deixou-se cair lentamente sobre o duro assento de ferro do

deformado trono de Aegon. Seus olhos procuraram entre os rostos

junto à parede,

- Lorde Beric - chamou -, Thoros de Myr. Sor Gladden. Lorde Lothar

- os homens nomeados avançaram um por um. - Cada um de vocês

deverá reunir vinte homens para levar as minhas ordens à fortaleza

de Gregor. Vinte dos meus guardas irão junto. Lorde Beric

Dondarrion, o comando é seu, como é próprio da sua posição.

O jovem senhor de cabelos ruivos aloirados fez uma reverência.

- Às vossas ordens, Lorde Eddard.

Ned ergueu a voz para que fosse levada até a extremidade mais

distante da sala do trono.

- Em nome de Robert, o Primeiro do seu Nome, Rei dos Ândalos e

dos Roinares e dos Primeiros Homens, Senhor dos Sete Reinos e

Protetor do Território, pela voz de Eddard da Casa Stark, sua Mão,

encarrego os senhores de seguirem a toda pressa às terras do

Ocidente, atravessarem o Ramo Vermelho do Tridente sob a

bandeira do rei e de lá levarem a justiça do rei ao falso cavaleiro

Gregor Clegane e a todos os que partilharam dos seus crimes.

Denuncio-o, acuso-o e despojo-o de sua posição e seus títulos, de

todas as terras, rendimentos e domínios, e sentencio-o à morte. Que

os deuses se apiedem de sua alma.

Quando o eco de suas palavras se extinguiu, o Cavaleiro das Flores

pareceu perplexo.

- Lorde Eddard, e eu?

Ned o olhou. De sua posição elevada, Loras Tyrell parecia quase tão

novo como Robb.

- Ninguém duvida de seu valor, Sor Loras, mas nosso assunto aqui é

a justiça, e o que você busca é a vingança - voltou a olhar para Lorde

Beric. - Partirão à primeira luz. Estas coisas são mais bem tratadas

depressa - ergueu a mão. - A coroa não ouvirá mais petições hoje.

Alyn e Porther subiram os íngremes degraus de ferro para ajudá-lo a

descer. Enquanto desciam, conseguia sentir o carrancudo olhar de

Loras Tyrell, mas quando chegou ao chão da sala do trono o rapaz já

se afastara a passos largos.

Na base do Trono de Ferro Varys recolhia papéis da mesa do

conselho. Mindinho e o Grande Meistre Pycelle já tinham se retirado.

- É um homem mais corajoso que eu, senhor - disse suavemente o

eunuco.

- Por que, Lorde Varys? - Ned perguntou bruscamente. Sentia a

perna latejar e não estava com disposição para jogos de palavras.

- Se fosse eu a estar ali em cima, teria enviado Sor Loras. Ele queria

t a n t o ir... e um homem que tem os Lannister como inimigos faria

bem em fazer dos Tyrell seus amigos.

- Sor Loras é jovem - disse Ned. - Atrevo-me a dizer que ele superará

o desapontamento.

- E Sor Ilyn? - o eunuco afagou a bochecha rechonchuda e empoada.

- Afinal de contas, ele é o Magistrado do Rei. Enviar outros homens

para desempenhar o seu trabalho... alguns poderiam interpretá-lo

como um grave insulto.

- Não houve intenção alguma de lhe faltar com o respeito - na

verdade, Ned não confiava no cavaleiro mudo, embora esse fato