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sobre a mesa, fazendo-o girar lentamente com o dedo. - Pouco amor

se perde entre Lorde Renly e os Lannister. Bronze Yohn Royce, Sor

Balon Swann, Sor Loras, a Senhora Tanda, os gêmeos Redwyne..

todos eles têm um séquito de cavaleiros e soldados aqui na corte.

- Renly tem trinta homens na sua guarda pessoal, e os outros, ainda

menos. Não chega, mesmo se tivesse certeza de que todos eles

escolheriam aliar-se a mim. Tenho de controlar os homens de manto

dourado. A Patrulha da Cidade tem dois mil homens que juraram

defender o castelo, a cidade e a paz do rei.

- Ah, mas quando a rainha proclamar um rei e outro Mão, de quem

será a paz que eles protegerão? - Lorde Petyr deu um piparote no

punhal, pondo-o a girar no mesmo lugar. Girou e girou, oscilando

enquanto rodopiava. Quando por fim abrandou e parou, a ponta

apontou para Mindinho. - Ora, aí está a resposta - disse ele, sorrindo.

- Seguirão o homem que lhes paga - recostou-se e olhou diretamente

para o rosto de Ned, com os olhos cinza-esverdeados brilhantes de

troça. - Use sua honra como uma armadura, Stark. Julga que o

mantém a salvo, mas tudo o que ela faz é torná-lo pesado e

dificultar-lhe os movimentos. Olhe para você agora. Sabe por que

motivo me convocou a vir até aqui. Sabe o que quer me pedir para

fazer. Sabe que isso tem de ser feito.. mas não é h o n r o s o , por isso

as palavras se prendem em sua garganta.

O pescoço de Ned estava rígido de tensão. Por um momento ficou

tão zangado que não teve suficiente confiança em si próprio para

falar.

Mindinho soltou uma gargalhada.

- Devia obrigá-lo a dizê-lo, mas seria uma crueldade.. Por isso, nada

tema, meu bom senhor. Em nome do amor que sinto por Catelyn,

falarei com Janos Slynt agora mesmo e me assegurarei de que a

Patrulha da Cidade seja sua. Seis mil peças de ouro deverão bastar.

Um terço para o Comandante, um terço para os oficiais, um terço

para os homens. Talvez conseguíssemos comprados por metade desse

preço, mas prefiro não arriscar - sorrindo, pegou o punhal e o

ofereceu a Ned, com o cabo para a frente.

Jon

Jon comia bolo de maçã e morcela de café da manhã quando

Samwell Tarly se deixou cair no banco.

- Fui chamado ao septo - Sam disse num sussurro excitado. - Vão

tirar-me do treino. Vou ser feito irmão com você. Acredita?

- Não! E verdade?

- É verdade. Vou ajudar Meistre Aemon com a biblioteca e as aves.

Ele precisa de alguém que saiba ler e escrever cartas.

- Será bom nisso - disse Jon, sorrindo. Sam lançou em volta uma

olhadela ansiosa.

- Já está na hora? Não devo me atrasar, eles podem mudar de idéia -

mostrou-se bastante vigoroso quando atravessaram o pátio salpicado

de capim. O dia estava morno e ensolarado. Regatos escorriam pelos

lados da Muralha, e o gelo parecia cintilar.

Dentro do septo, o grande cristal capturava a luz da manhã que

jorrava através da janela virada para o sul e a espalhava num arco-

íris pelo altar. A boca de Pyp escancarou-se ao ver Sam, e Sapo

acotovelou Grenn nas costelas, mas ninguém se atreveu a dizer uma

palavra. Septão Celladar fazia oscilar um turíbulo, enchendo o ar de

incenso odorífero que fazia lembrar a Jon o pequeno septo da

Senhora Stark em Winterfell. Pela primeira vez o septão parecia estar

sóbrio.

Os grandes oficiais chegaram em conjunto: Meistre Aemon, apoiado

em Clydas, Sor Alliser, com olhos frios e sombrio, o Senhor

Comandante Mormont, resplandecente num gibão de lã negra com

presilhas de prata em forma de garra de urso. Atrás deles vinham os

membros superiores das três ordens: Bowen Marsh, o Senhor

Intendente com a sua cara vermelha, o Primeiro Construtor, Othell

Yarwyck, e Sor Jaremy Rykker, que comandava os patrulheiros na

ausência de Benjen Stark.

Mormont parou em frente do altar, com o arco-íris brilhando sobre a

grande calva.

- Chegaram até nós como foras da lei - começou -, caçadores

furtivos, violadores, devedores, assassinos e ladrões. Chegaram até

nós como crianças. Chegaram até nós sós, acorrentados, sem amigos

nem honra. Chegaram até nós ricos e chegaram até nós pobres.

Alguns ostentam os nomes de Casas orgulhosas. Outros têm apenas

nomes de bastardos ou não têm nome algum. Não importa. Tudo

isso agora é passado. Na Muralha, somos todos uma Casa. Ao cair da

noite, quando o sol se puser e enfrentarmos a noite que se aproxima,

farão os seus votos. Desse momento em diante, serão Irmãos

Juramentados da Patrulha da Noite. Vossos crimes serão limpos e

vossas dívidas, perdoadas. De igual modo, devem também limpar-se

de suas antigas lealdades, pôr de lado seus ressentimentos, esquecer

igualmente as antigas ofensas e os antigos amores. Aqui começam de

novo. Um homem da Patrulha da Noite vive sua vida pelo reino. Não

por um rei, nem por um senhor, nem pela honra desta ou daquela

Casa, nem por ouro ou por glória ou pelo amor de uma mulher, mas

pelo reino e por todas as pessoas que há nele. Um homem da

Patrulha da Noite não toma uma esposa nem gera filhos. Nossa

esposa é o dever. Nossa amante é a honra. E vocês são os únicos

filhos que algum dia conheceremos. Aprenderam as palavras do voto.

E preciso refletir com cuidado antes de dizê-las, pois uma vez

envergado o negro, não haverá caminho de volta. O castigo pela

deserção é a morte - o Velho Urso fez uma pausa momentânea antes

de dizer:

- Existe alguém entre vocês que deseja deixar a nossa companhia? Se

sim, vá agora, e ninguém pensará menos de você.

Ninguém se moveu.

- Muito bem - disse Mormont. - Podem fazer seus votos aqui ao cair

da noite, perante Septão Celladar e o chefe da sua Ordem, Algum de

vocês é fiel aos velhos deuses?

Jon levantou-se.

- Eu sou, senhor.

- Suponho que desejará proferir suas palavras perante uma árvore-

coração, como fez seu tio

- disse Mormont.

- Sim, senhor - disse Jon. Os deuses do septo não tinham nada a ver

com ele; o sangue dos Primeiros Homens corria nas veias dos Stark.

Ouviu Grenn sussurrar atrás dele.

- Não há aqui um bosque sagrado. Ou há? Nunca vi um bosque

sagrado.

- Não veria uma manada de auroques até que o pisoteassem contra a

neve - Pyp sussurrou em resposta.

- Veria, sim - insistiu Grenn. - Eu os veria a longa distância. O

próprio Mormont confirmou as dúvidas de Grenn.

- Castelo Negro não tem necessidade de um bosque sagrado. Para lá

da Muralha, a Floresta Assombrada encontra-se como se encontrava

na Idade da Alvorada, muito antes de os ândalos trazerem os Sete

através do mar estreito. Encontrará um bosque de represeiros a meia

légua deste local, e talvez encontre lá também os seus deuses.

- Senhor - a voz fez Jon olhar para trás, surpreendido. Samwell Tarly

estava de pé. O gordo rapaz esfregou as palmas suadas na túnica. -

Poderei... poderei ir também? Dizer as minhas palavras junto a essa

árvore-coração?

- A Casa Tarly também é fiel dos velhos deuses? - perguntou