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o que fazer com ela. A rainha franziu as sobrancelhas.

- Da próxima vez, pergunte - sua voz soou dura. - Só os deuses

sabem com que tipo de histórias ela tem enchido a cabeça de Sansa.

- Jeyne está assustada - Sansa disse logo. - Não para de chorar.

Prometi-lhe que perguntaria se pode ver o pai.

O velho Grande Meistre Pycelle baixou os olhos.

- O pai dela está bem, não está? - Sansa perguntou ansiosamente.

Sabia que tinha havido luta, mas certamente ninguém faria mal a um

intendente. Vayon Poole nem sequer usava uma espada.

A rainha Cersei olhou para os conselheiros, um de cada vez.

- Não quero que Sansa se aflija sem necessidade. Que faremos com

esta sua amiguinha, senhores?

Lorde Petyr inclinou-se para a frente.

- Encontrarei um lugar para ela.

- Na cidade, não - a rainha se exaltou.

- Toma-me por um tolo? A rainha ignorou aquilo.

- Sor Borós, escolte essa moça até os aposentos de Lorde Petyr e

instrua seu pessoal para mantê-la lá até que ele vá buscá-la. Diga-lhe

que Mindinho a levará para ver o pai, isso deve acalmá-la. Quero-a

longe quando Sansa regressar ao seu quarto.

- Às vossas ordens, Vossa Graça - disse Sor Borós. Fez uma

reverência profunda, rodou nos calcanhares e retirou-se, com a longa

capa agitando o ar atrás dele.

Sansa estava confusa.

- Não compreendo - disse. - Onde está o pai de Jeyne? Por que Sor

Borós não pode levá-la até ele, em vez de ter de ser Lorde Petyr a

fazê-lo? - tinha prometido a si mesma que seria uma senhora, tão

gentil como a rainha e tão forte como a mãe, a Senhora Catelyn, mas

de repente sentiu-se novamente assustada. Por um segundo pensou

que ia chorar. - Para onde a enviará? Ela não fez nada de mal, é uma

boa moça.

- Ela perturbou você - a rainha disse gentilmente. - Não pode ser.

Agora nem mais uma palavra. Lorde Baelish se assegurará de que

cuidarão de Jeyne, prometo - bateu com a mão na cadeira ao seu

lado. - Sente-se, Sansa. Quero falar com você.

Sansa sentou-se ao lado da rainha. Cersei voltou a sorrir, mas isso

não a fez sentir-se menos ansiosa. Varys apertava as mãos suaves, o

Grande Meistre Pycelle mantinha os olhos ensonados nos papéis que

tinha à sua frente, mas conseguia sentir que Mindinho a olhava

fixamente. Algo na maneira como o pequeno homem a olhava fazia

Sansa sentir-se como se estivesse despida. Sua pele arrepiou-se.

- Querida Sansa - disse a Rainha Cersei, pousando a mão suave no

seu pulso. - Uma criança tão bela. Espero que saiba como Joffrey e

eu gostamos de você.

- G o s t am ? - disse Sansa, sem fôlego. Mindinho fora esquecido. Seu

príncipe a amava. Nada mais importava.

A rainha sorriu.

- Penso em você quase como minha filha. E sei do amor que tem por

Joffrey - abanou a cabeça com ar fatigado. - Temo que tenhamos

notícias graves a respeito do senhor seu pai. Ê preciso ter coragem,

filha.

As palavras calmas da rainha provocaram um arrepio em Sansa,

- O que é?

- Seu pai é um traidor, querida - disse Lorde Varys. O Grande

Meistre Pycelle ergueu sua cabeça antiga.

- Com meus próprios ouvidos escutei Lorde Eddard jurar ao nosso

amado Rei Robert que protegeria os jovens príncipes como se fossem

seus filhos. E, no entanto, no momento em que o rei morreu,

convocou o pequeno conselho a fim de roubar do Príncipe Joffrey o

trono que lhe pertence de direito,

- Não - Sansa exclamou, - Ele não faria isso. Não f a r i a !

A rainha pegou uma carta. O papel estava rasgado e tinha sido

endurecido por sangue seco, mas o selo quebrado era do seu pai, o

lobo gigante timbrado em cera clara.

- Encontramos isto com o capitão da guarda de sua Casa, Sansa. E

uma carta para o irmão de meu falecido esposo, Stannis, convidando-

o a ocupar o trono.

- Por favor, Vossa Graça, houve algum erro - um pânico súbito a

deixou tonta e fraca. - Por favor, mande buscar meu pai, ele contará,

ele nunca escreveria uma carta assim, o rei era seu amigo.

- Robert pensava que sim - a rainha disse, - Esta traição teria

quebrado seu coração. Os deuses foram bondosos por o terem levado

antes que assistisse a ela - suspirou. - Sansa, querida, você deve

compreender a posição terrível em que isto nos deixa. Você é

inocente de todo o mal, todos sabemos, mas é filha de um traidor,

Como poderei permitir que se case com meu filho?

- Mas eu o am o - Sansa lamentou-se, confusa e assustada. Que

planejavam eles fazer-lhe? Que tinham feito a seu pai? Não devia ser

assim. Tinha de casar com Joffrey, estavam noivos, ele lhe tinha sido

prometido, ela até tinha sonhado com o casamento. Não era justo

que o roubassem dela por causa do que quer que seu pai tivesse

feito,

- E eu sei disso muito bem, filha - disse Cersei, com a voz muito

bondosa e doce. - Por que motivo teria vindo me contar os planos do

seu pai para enviá-la para longe de nós, se não fosse por amor?

- F o i por amor - Sansa respondeu apressadamente, - Meu pai nem

me queria dar licença para dizer adeus - ela era a boa moça, a moça

obediente, mas naquela manhã sentira-se tão má como Arya,

esgueirando-se para longe da Septã Mordane, desafiando o senhor

seu pai, Nunca antes fizera algo tão voluntarioso, e nunca teria feito

aquilo se não amasse tanto Joffrey, - Ele ia me levar de volta para

Winterfell e casar-me com um cavaleiro de baixa categoria qualquer,

mesmo apesar de ser Joffrey quem eu quero. Eu lhe disse, mas ele

não quis ouvir - o rei era a sua última esperança. O rei podia

o r d e n a r ao pai que a deixasse ficar em Porto Real e casar com o

Príncipe Joffrey, Sansa sabia que ele podia fazê-lo, mas o rei sempre a

assustara. Era barulhento, tinha uma voz rude, estava mais vezes

bêbado que sóbrio e provavelmente a teria enviado de volta a Lorde

Eddard, mesmo que a deixassem falar com ele. Portanto, fora até a

rainha e abrira-lhe o coração, e Cersei escutara e agradecera-lhe

amavelmente... só que depois Sor Arys escoltara-a para o quarto no

topo do castelo de Maegor e colocara os guardas, e algumas horas

mais tarde tinha começado a luta lá fora. - Por favor - terminou -, a

senhora t e m de me deixar casar com Joffrey, serei a melhor esposa

que ele poderá ter, verá. Serei uma rainha tal como a senhora,

prometo.

A Rainha Cersei olhou para os outros.

- Senhores do conselho, que dizem à súplica dela?

- Pobre criança - murmurou Varys. - Um amor tão verdadeiro e

inocente, Vossa Graça, seria cruel negar-lhe... e, no entanto, que

podemos fazer? O pai está condenado - suas mãos suaves

esfregaram-se uma à outra num gesto de impotente aflição.

- Uma criança nascida da semente de um traidor achará que a

traição lhe é natural - disse o Grande Meistre Pycelle. - Ela é agora

uma doçura, mas, dentro de dez anos, quem sabe que traições

poderá maquinar?

- N ão - Sansa disse, horrorizada. - Não sou, nunca... não trairia

Joffrey, eu o amo, juro, eu o amo.

- Ah, tão pungente - disse Varys. - E, no entanto, diz-se deveras que