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subitamente as rédeas do cavalo e virou-se na sela.

- Tarly - bradou -, venha cá.

Jon viu o sobressalto do medo no rosto de Sam enquanto se

aproximava pesadamente em sua égua; não havia dúvida de que

pensava estar metido em encrenca.

- Você é gordo, mas não é estúpido, rapaz - disse bruscamente o

Velho Urso. - Apresentou--se bem lá atrás. E você também, Snow.

Sam corou, ficando com o rosto vermelho-vivo, e tropeçou na

própria língua ao tentar gaguejar uma cortesia. Jon teve de sorrir.

Quando emergiram de sob as árvores, Mormont pôs o pequeno mas

resistente cavalo a trote. Fantasma saiu da floresta a toda velocidade,

ao encontro do grupo, lambendo os beiços, com o focinho vermelho

da caça. Muito acima, os homens na Muralha viram a coluna que se

aproximava. Jon ouviu o chamamento profundo e gutural do grande

corno do vigia, chamando através das milhas; um único e longo

sopro que estremecia entre as árvores e arrancava ecos do gelo.

uuuuuuuuuuooooooooooooooooooooooooooooooo

O som atenuou-se lentamente até silenciar. Um sopro significava

patrulheiros de regresso, e Jon pensou: Pelo menos fui patrulheiro

por um dia. Aconteça o que acontecer, não podem me tirar isso.

Bowen Marsh os aguardava no primeiro portão quando levaram os

cavalos pelo túnel de gelo. O Senhor Intendente estava com o rosto

vermelho e agitado.

- Senhor - exclamou para Mormont ao abrir as barras de ferro -,

chegou uma ave, precisa vir imediatamente.

- O que se passa, homem? - Mormont disse bruscamente.

De uma forma estranha, Marsh lançou um relance ajon antes de

responder.

- Meistre Aemon tem a carta. Espera no seu aposento privado.

- Muito bem. Jon, trate do meu cavalo e diga a Sor Jaremy para pôr

os mortos em um armazém até que o meistre esteja pronto para eles

- Mormont afastou-se a passos largos, resmungando.

Enquanto levavam os cavalos de volta ao estábulo, Jon ficou

desconfortavelmente consciente de que as pessoas o observavam. Sor

Alliser Thorne exercitava seus rapazes no pátio, mas parou para fitar

Jon, com um tênue meio sorriso nos lábios. Donal Noye, o maneta,

estava em pé à porta do armeiro.

- Que os deuses estejam contigo, Snow - ele gritou.

Há alguma coisa errada, pensou Jon. Há alguma coisa muito errada.

Os mortos foram levados para um dos depósitos que se abriam ao

longo da base da Muralha, uma cela escura e fria esculpida no gelo e

usada para conservar a carne, os grãos e por vezes até a cerveja. Jon

assegurou-se de que o cavalo de Mormont fosse alimentado e tratado

antes de cuidar do seu. Depois, foi à procura dos amigos. Grenn e

Sapo estavam de vigia, mas encontrou Pyp na sala comum.

- O que aconteceu? - perguntou. Pyp baixou a voz.

- O rei está morto,

Jon ficou aturdido. Robert Baratheon parecera velho e gordo quando

visitara Winterfell, mas também com boa saúde, e não se falara de

doenças.

- Como é que você sabe?

- Um dos guardas ouviu Clydas ler a carta para Meistre Aemon - Pyp

inclinou-se para mais perto. - Jon, lamento. Ele era amigo do seu pai,

não era?

- Tinham sido próximos como irmãos em tempos passados - Jon

sentiu curiosidade em saber se Joffrey manteria o pai como Mão do

Rei. Não parecia provável. Isso poderia querer dizer que Lorde

Eddard regressaria a Winterfell, e as irmãs também. Podiam até

permitir que ele os visitasse, com autorização de Lorde Mormont.

Seria bom voltar a ver o sorriso de Arya e falar com seu pai. Vou

perguntar-lhe sobre minha mãe, decidiu. Agora sou um homem, e já

é mais que tempo que me conte. Mesmo que ela fosse uma

prostituta, não me importo. Quero saber.

- Ouvi Hake dizer que os mortos eram do seu tio - Pyp disse.

- Sim. São dois dos seis que ele levou consigo. Já devem estar mortos

há muito, só que.. os corpos são estranhos.

- Estranhos? - Pyp era todo curiosidade. - Estranhos como?

- Sam te contará - Jon não queria falar daquilo. - Eu tenho de ir ver

se o Velho Urso precisa de mim.

Dirigiu-se sozinho para a Torre do Senhor Comandante,

curiosamente apreensivo. Os irmãos que estavam de guarda olharam-

no solenemente quando se aproximou.

- O Velho Urso está no aposento privado - anunciou um deles, -

Perguntou por você.

Jon fez um aceno, e pensou que, ao sair dos estábulos, devia ter ido

logo para lá. Subiu vivamente os degraus da torre. Ele quer vinho ou

um fogo na lareira, é tudo, disse a si mesmo.

Quando entrou no aposento, o corvo de Mormont gritou:

- Grão! Grão! Grão! Grão!

- Não acredite, acabei de alimentá-lo - resmungou o Velho Urso.

Estava sentado à janela, lendo uma carta. - Traga-me uma taça de

vinho e encha uma para você.

- Para mim, senhor?

Mormont ergueu os olhos da carta e os fixou em Jon. Havia piedade

naquele olhar; podia senti-la.

- Ouviu o que eu disse.

Jon despejou o vinho com cuidado exagerado, vagamente consciente

de que estava arrastando aquele ato. Quando as taças se enchessem,

não teria escolha a não ser enfrentar o que quer que estivesse

naquela carta. Mas depressa demais elas se encheram.

- Sente-se, rapaz - ordenou-lhe Mormont. - Beba. Jon permaneceu

em pé.

- É o meu pai, não é?

O Velho Urso tamborilou na carta com o dedo,

- É o seu pai e o rei - respondeu, com voz cavernosa. - Não quero

mentir para você, as notícias são dolorosas. Nunca pensei que

conheceria outro rei, com os anos que tenho, tendo Robert metade

da minha idade e sendo forte como um touro - bebeu um gole de

vinho. - Dizem que o rei adorava caçar. Aquilo que amamos nos

destrói sempre, rapaz. Lembre-se disso. Meu filho amava aquela sua

jovem esposa. Vaidosa mulher. Se não fosse por causa dela, nunca

teria pensado em vender os caçadores furtivos.

Jon quase não conseguia seguir o que o comandante estava dizendo.

- Senhor, não compreendo. Que aconteceu ao meu pai?

- Pedi que se sentasse - resmungou Mormont. "Senta", gritou o

corvo. - E beba, raios te partam. É uma ordem, Snow.

Jon sentou-se e bebericou o vinho.

- Lorde Eddard foi aprisionado. Está sendo acusado de traição. Diz-se

que conspirou com os irmãos de Robert para negar o trono ao

Príncipe JofFrey.

- Não - disse Jon de imediato. - Não pode ser. Meu pai nunca trairia

o rei.

- Seja como for - disse Mormont -, não cabe a mim decidir. Nem a

você.

- Mas é uma mentira - Jon insistiu. Como podiam pensar que seu pai

era um traidor, teriam todos enlouquecido? Lorde Eddard Stark

nunca se desonraria.. não é?

Gerou um bastardo, sussurrou uma pequena voz em seu interior.

Onde está a honra nisso? E a sua mãe, o que lhe aconteceu? Ele nem

sequer pronuncia seu nome,

- Senhor, o que vai lhe acontecer? Vão matá-lo?

- Quanto a isso não sei responder, rapaz. Pretendo enviar uma carta.

Quando jovem, conheci alguns dos conselheiros do rei. O velho

Pycelle, Lorde Stannis, Sor Barristan... Seja o que for que seu pai fez

ou deixou de fazer, é um grande senhor. Tem de ser autorizado a

vestir o negro e a juntar-se a nós. Só os deuses sabem como