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reverência, e os irmãos seguiram o seu exemplo, mas, enquanto se

instalavam em seus lugares, ouviu os dois mais novos conversando

em voz baixa sobre o tinir de taças de vinho.

- ... preferia morrer a viver assim - murmurou um deles, o que tinha

o nome do pai, Eddard, e o irmão Torrhen disse que era provável

que o rapaz fosse tão quebrado por dentro como por fora, covarde

demais para tirar a própria vida.

Quebrado, Bran pensou amargamente enquanto se agarrava à faca.

Seria isso agora? Bran, o Quebrado?

- Não quero ser quebrado - sussurrou com veemência a Meistre

Luwin, que estava sentado à sua direita. - Quero ser um cavaleiro.

- Há quem chame à nossa Ordem os cavaleiros da mente -

respondeu Luwin. - É um rapaz extremamente inteligente quando se

esforça, Bran. Alguma vez pensou na possibilidade de usar uma

corrente de meistre? Não há limite para o que pode aprender.

- Quero aprender magia - disse-lhe Bran. - O corvo prometeu que eu

voaria. Meistre Luwin suspirou.

- Posso ensinar história, artes de curar, as ervas. Posso ensinar a

língua dos corvos, e como construir um castelo, e o modo como um

marinheiro orienta o navio pelas estrelas. Posso ensinar a medir os

dias e a marcar a passagem das estações, e na Cidadela, em Vilavelha,

podem lhe ensinar outras mil coisas. Mas, Bran, ninguém pode lhe

ensinar magia.

- Os filhos podiam - Bran respondeu. - Os filhos da floresta - aquilo

lhe lembrou a promessa que fizera a Osha no bosque sagrado, e

contou a Luwin o que ela dissera.

Meistre o ouviu educadamente.

- Parece-me que a selvagem podia dar lições de contar histórias à

Velha Ama - ele disse quando Bran terminou. - Voltarei a falar com

ela, se desejar, mas seria melhor se não incomodasse seu irmão com

esta loucura. Ele tem preocupações mais que suficientes sem se

aborrecer com gigantes e mortos na floresta. São os Lannister que

têm o senhor seu pai cativo, Bran, não os filhos da floresta - pousou

a mão gentil no braço de Bran. - Pense no que eu disse, menino.

Dois dias mais tarde, enquanto uma alvorada vermelha surgia num

céu varrido pelo vento, Bran deu por si no pátio junto ao portão,

atado à Dançarina, enquanto se despedia do irmão.

- Você é agora senhor de Winterfell - disse-lhe Robb. Estava montado

num hirsuto garanhão cinzento, com o escudo pendurado no seu

flanco; madeira reforçada a ferro, branca e cinzenta, com o desenho

de uma cabeça de um lobo gigante a rosnar. O irmão de Bran usava

cota de malha cinza sobre couros branqueados, uma espada e um

punhal à cintura, um manto debruado de pele sobre os ombros. -

Você tem de ocupar o meu lugar, como ocupei o do nosso pai, até

regressarmos.

- Eu sei - respondeu Bran em tom infeliz. Nunca se sentira tão

pequeno, tão só ou tão assustado. Não sabia como ser um senhor.

- Escute os conselhos de Meistre Luwin e tome conta de Rickon.

Diga a ele que volto assim que a luta acabar.

Rickon recusara-se a descer. Estava lá em cima, em seu quarto, de

olhos vermelhos e rebelde.

- Não! - gritara quando Bran lhe perguntara se não queria dizer

adeus a Robb. - Adeus, não!

- Eu lhe disse - Bran respondeu. - Ele diz que nunca ninguém

regressa.

- Não pode ser um bebê para sempre. É um Stark, e tem quase

quatro anos - Robb suspirou. - Bem, nossa mãe estará em casa em

breve. E eu trarei nosso pai, prometo.

Deu meia-volta com o cavalo e afastou-se a trote. Vento Cinzento o

seguiu, saltitando ao lado do cavalo de guerra, esbelto e ligeiro. Hallis

Mollen atravessou o portão à frente da coluna, transportando a

ondulante bandeira branca da Casa Stark no topo de um grande

poste de freixo cinzento. Theon Greyjoy e Grande-Jon puseram-se ao

lado de Robb, e seus cavaleiros formaram uma coluna dupla atrás

deles, com lanças de ponta de aço brilhando ao sol.

De um modo desconfortável recordou as palavras de Osha, Ele

marcha na direção errada, pensou. Por um instante quis galopar

atrás dele e gritar o aviso, mas quando Robb desapareceu sob a

porta levadiça o momento passou,

Para lá das muralhas do castelo ergueu-se um rugido. Bran sabia que

os soldados apeados e os habitantes da vila saudavam Robb enquanto

ele passava; saudavam Lorde Stark, o Senhor de Winterfell no seu

grande garanhão, com seu manto ondulante e Vento Cinzento, que

corria ao seu lado. Compreendeu com uma dor surda que nunca o

saudariam daquele modo. Ele podia ser Senhor de Winterfell

enquanto o irmão e o pai estivessem ausentes, mas era ainda Bran, o

Quebrado. Nem sequer podia sair de cima do cavalo se não fosse

para cair.

Depois de as saudações distantes se reduzirem ao silêncio, e o pátio

ficar por fim vazio, Winterfell pareceu deserto e morto. Bran olhou

em redor, para o rosto dos que ficaram, mulheres, crianças e velhos..

e Hodor. O enorme cavalariço tinha uma expressão perdida e

assustada no rosto.

- Hodor? - disse ele, com voz triste.

- Hodor - concordou Bran, perguntando a si mesmo que significado

teria aquilo.

Daenerys

Depois de obter seu prazer, Khal Drogo levantou-se dos tapetes de

dormir e ficou em pé, acima dela. Sua pele brilhava, escura como

bronze, à luz avermelhada que vinha do braseiro, e podiam-se ver as

tênues linhas de antigas cicatrizes no peito largo. Cabelos negros

como tinta, soltos e sem nós, caíam em cascata sobre os ombros e ao

longo das costas, até bem depois da cintura. O membro viril cintilava

de umidade. A boca do khal torceu-se numa expressão mal-

humorada sob o longo bigode.

- O garanhão que monta o mundo não precisa de cadeiras de ferro

para nada.

Dany apoiou-se sobre o braço para olhá-lo, tão alto e magnífico.

Adorava especialmente os seus cabelos. Nunca foram cortados; ele

nunca conhecera a derrota.

- Foi profetizado que o garanhão cavalgará até os confins da terra -

ela disse.

- A terra termina no mar negro de sal - Drogo respondeu

imediatamente. Molhou um pano numa bacia de água morna para

limpar o suor e o óleo da pele. - Nenhum cavalo pode atravessar a

água venenosa.

- Nas Cidades Livres há navios aos milhares - disse-lhe Dany, tal

como já tinha lhe dito antes. - Cavalos de madeira com cem pernas,

que voam pelo mar em asas cheias de vento.

Khal Drogo não queria ouvir falar do assunto.

- Não falaremos mais de cavalos de madeira e cadeiras de ferro -

deixou cair o pano e começou a se vestir. - Hoje irei para o campo

caçar, mulher esposa - anunciou enquanto se enfiava num colete

pintado e afivelava um cinto largo com pesados medalhões de prata,

ouro e bronze.

- Sim, meu sol-e-estrelas - Dany respondeu. Drogo levaria os

companheiros de sangue e partiriam em busca do hrakkar, o grande

leão branco das planícies. Se regressassem em triunfo, a alegria do

senhor seu marido seria feroz, e talvez estivesse disposto a escutá-la.

Ele não temia animais selvagens ou nenhum homem que já respirara,

mas o mar era outra coisa. Para os dothrakis, água que um cavalo