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segura e levá-la a salvo até Winterfell se a luta corresse mal. Robb

quisera cinquenta; Catelyn insistira que dez seriam suficientes, que

ele necessitaria de todas as espadas para a luta. Tinham chegado aos

trinta, nenhum deles satisfeito com o resultado.

- Chegará quando chegar - disse-lhe Catelyn. Sabia que, quando

chegasse, significaria a morte. Talvez a morte de Hal. . ou a sua, ou a

de Robb. Ninguém estava a salvo. Nenhuma vida era certa. Catelyn

estava satisfeita por esperar, por escutar os murmúrios nos bosques

e a tênue música do regato, por sentir o vento morno nos cabelos.

Afinal de contas, esperar não lhe era estranho. Seus homens sempre

a tinham feito esperar. "Espera por mim, gatinha", dizia-lhe sempre o

pai quando partia para a corte, para as feiras ou para batalhas. E ela

esperava, pacientemente em pé nas ameias de Correrrio, enquanto as

águas do Ramo Vermelho e do Pedregoso passavam pelo castelo. Ele

nem sempre chegava quando dizia, e por vezes passavam-se vários

dias enquanto Catelyn mantinha sua vigília, espreitando por ameias e

seteiras até vislumbrar Lorde Hoster sobre seu velho castrado

castanho, trotando pela margem do rio até o atracadouro."Esperou

por mim?", perguntava quando se dobrava para abraçá-la. "Esperou,

gatinha?"

Brandon Stark também lhe pedira para esperar. "Não demorarei,

senhora", garantira. "Casaremos quando eu regressar." Mas quando o

dia por fim chegara, era seu irmão Eddard quem estava a seu lado

no septo.

Ned permanecera pouco mais de uma quinzena com sua nova esposa

antes de também ele partir para a guerra com promessas nos lábios.

Pelo menos, a deixara com mais do que palavras; dera-lhe um filho.

Nove luas tinham crescido e minguado, e Robb nascera em Correrrio

enquanto o pai ainda guerreava no sul. Dera-o à luz, em sangue e

dor, sem saber se Ned chegaria a vê-lo. Seu filho. Fora tão pequeno. .

E agora era por Robb que esperava... por Robb e por Jaime Lannister,

o cavaleiro dourado que os homens diziam que nunca aprendera a

esperar. "O Regicida é irrequieto e irrita-se facilmente", dissera tio

Brynden a Robb. E apostara suas vidas e suas melhores esperanças

de vitória na verdade do que dissera.

Se Robb estava assustado, não mostrava sinal disso. Catelyn observou

o filho enquanto se movia por entre os homens, tocando um no

ombro, trocando um gracejo com outro, ajudando um terceiro a

sossegar um cavalo ansioso. Sua armadura tinia levemente quando se

movia. Só a cabeça se encontrava descoberta. Catelyn viu uma brisa

agitar seus cabelos ruivos, tão parecidos com os dela, e perguntou a

si mesma quando fora que o filho crescera tanto. Quinze anos, e

quase tão alto como ela.

Deixem que cresça mais, pediu aos deuses. Deixem que conheça os

dezesseis anos, e os vinte, e os cinquenta. Deixem que cresça tão alto

como o pai, e que erga o próprio filho nos braços. Por favor, por

favor, por favor. Enquanto o observava, aquele jovem alto com a

barba nova e o lobo selvagem que lhe seguia os calcanhares, tudo o

que conseguia ver era o bebê que haviam colocado em seu peito em

Correrrio havia tanto tempo.

A noite estava quente, mas pensar em Correrrio era o suficiente para

fazê-la estremecer. Onde estão eles?, perguntou-se. Poderia o tio ter

se enganado? Tanta coisa dependia da verdade do que lhes tinha

dito. Robb dera ao Peixe Negro trezentos homens com lanças e os

enviara à frente para ocultar sua marcha.

-Jaime não sabe - dissera Sor Brynden quando regressara. - Aposto

nisso a minha vida. Nenhuma ave lhe chegou, meus arqueiros

certificaram-se disso. Vimos alguns de seus batedores, mas os que

nos viram não sobreviveram para ir lhe contar. Ele deveria tê-los

mandado em maior número. Não sabe.

- De que tamanho é a sua tropa? - perguntara o filho de Catelyn.

- Doze mil homens a pé, espalhados em torno do castelo em três

acampamentos separados, com os rios entre eles - respondera o tio,

com o sorriso assimétrico de que se lembrava tão bem. - Não há

outra forma de montar cerco a Correrrio, mas, mesmo assim, isso

será a ruína deles. Dois ou três mil homens a cavalo.

- O Regicida tem três homens contra cada um dos nossos - dissera

Galbart Glover.

- É verdade - dissera Sor Brynden -, mas há uma coisa que falta a

Sor Jaime.

- Sim? - perguntara Robb.

- Paciência.

A tropa do Norte era maior do que quando deixara as Gêmeas. Lorde

Jason Mallister trouxera as suas forças de Guardamar para se juntar

a eles quando rodeavam a nascente do Ramo Azul e se dirigiam a

galope para o sul, e outros também haviam se juntado, pequenos

cavaleiros e senhores, homens de armas sem chefe que tinham fugido

para o norte quando o exército de seu irmão Edmure fora desfeito

sob as muralhas de Correrrio. Tinham exigido o mais que se atre-

viam dos cavalos, a fim de chegar àquele lugar antes que Jaime

Lannister soubesse de sua vinda, e agora a hora estava próxima.

Catelyn viu o filho montar. Olyvar Frey segurava-lhe o cavalo. Era

filho de Lorde Walder, dois anos mais velho que Robb, e dez anos

mais jovem e ansioso. Atou o escudo de Robb no lugar e entregou-

lhe o elmo. Quando o baixou sobre o rosto que ela amava tanto, um

jovem e alto cavaleiro surgiu montado no garanhão cinzento no lugar

onde o filho estivera. Estava escuro entre as árvores, aonde a lua não

chegava. Quando Robb virou a cabeça para vê-la, só enxergava negro

dentro de seu visor.

- Tenho de percorrer a fileira, mãe - ele disse. - Meu pai diz que

devemos deixar que os homens nos vejam antes das batalhas.

- Então vá - disse ela. - Deixa que te vejam.

- Isso lhes dará coragem - disse Robb.

E quem dará coragem a mim?, ela perguntou a si mesma, mas

manteve o silêncio e obrigou-se a sorrir. Robb virou o grande

garanhão cinzento e afastou-se lentamente dela, com Vento Cinzento

a seguir-lhe os movimentos como uma sombra. Atrás dele, a guarda

de batalha entrou em formação. Quando forçara Catelyn a aceitar

seus protetores, ela insistira que ele também fosse guardado, e os

senhores vassalos tinham concordado. Muitos de seus filhos tinham

clamado pela honra de acompanhar o Jovem Lobo, como tinham

começado a chamá-lo. Torrhen Karstark e o irmão Eddard

encontravam-se entre os trinta, tal como Patrek Mallister, Pequeno-

Jon Umber, Daryn Hornwaod, Theon Greyjoy, não menos que cinco

dos muitos descendentes de Walder Frey, bem como homens mais

velhos, como Sor Wendel Manderly e Robin Flint. Um de seus

companheiros era até mesmo uma mulher: Dacey Mormont, a filha

mais velha da Senhora Maege e herdeira da Ilha dos Ursos, uma

esguia mulher de um metro e oitenta a quem fora dada uma maça

de armas numa idade em que à maioria das mulheres eram

oferecidas bonecas. Alguns dos outros senhores resmungavam a esse

respeito, mas Catelyn não queria ouvir suas queixas.

- Isto não tem a ver com a honra de suas Casas - dissera-lhes. - Tem

a ver com manter meu filho vivo e inteiro.

E se chegar a esse ponto, perguntou-se, serão trinta suficientes?