se sentar conosco.
- O Senhor do Presunto pensa que é bom demais para se
juntar a gente como nós - sugeriu Jeren.
- Vi-o comer uma torta de porco - Sapo disse com um
sorrisinho. - Acham que ele seria um irmão? - e desatou a
soltar grunhidos.
- Parem com isso! - exclamou Jon com voz zangada.
Os outros rapazes calaram -se, surpreendidos pela súbita
fúria.
- Ouçam-me - disse Jon mais calmo, e contou-lhes como as
coisas deveriam acontecer, Pyp o apoiou, como já sabia
que faria, mas, quando Halder falou, foi uma surpresa
agradável. Grenn a princípio mostrou -se preocupado, mas
Jon conhecia as palavras que o fariam mudar de idéia. Um
por um, todos cerraram fileiras, Jon persuadiu alguns,
lisonjeou outros, envergonhou os restantes, e fez ameaças
onde eram necessárias. No fim, estavam todos de acordo...
Todos, menos Rast.
- Vocês, meninas, façam o que quiserem - ele disse -, mas
se Thorne me mandar lutar com a Senhora Porquinha, vou
cortar para mim uma fatia de bacon - riu na cara de Jon e
deixou todos ali.
Horas mais tarde, enquanto o castelo dormia, três dos
rapazes fizeram uma visita à cela de Rast. Grenn segurou -
lhe os braços, enquanto Pyp s e sentava sobre suas pernas.
Jon conseguiu ouvir a respiração acelerada de Rast quando
Fantasma saltou para cima de seu peito. Os olhos do lobo
selvagem ardiam como brasas enquanto os dentes
mordiscavam a pele lisa da garganta do rapaz, o suficiente
apenas para fazê-lo sangrar.
- Lembra-se? Nós sabemos onde você dorme - disse Jon
em voz baixa.
Na manhã seguinte, Jon ouviu Rast contar a Albett e a
Sapo como a navalha tinha escorre gado enquanto se
barbeava.
Daquele dia em diante, nem Rast nem nenhum dos outr os
machucou Samwell Tarly. Quando Sor Alliser os fazia
confrontá-lo, defendiam-se e afastavam seus golpes lentos
e desajeitados. Se o mestre de armas gritava por um
ataque, dançavam em frente e davam uma pancadinha
ligeira na placa de peito, no elmo ou na perna de Sam.
Sor Alliser irritava-se, ameaçava-os e os chamava de
covardes, mulheres e coisas piores, mas Sam permaneceu
incólume. Algumas noites mais tarde, a pedido de Jon,
juntou-se a eles para a refeição da noite, sentando -se no
banco ao lado de Halde r. Passaram-se mais quinze dias até
ganhar coragem para se juntar à conversa, e, ao fim de
algum tempo, já ria das caretas de Pyp e brincava com
Grenn como qualquer outro.
Samwell Tarly podia ser gordo, desajeitado e assustado,
mas não era nenhum tolo. Uma noite visitou Jon em sua
cela.
- Não sei o que você fez - disse -, mas sei que fez alguma
coisa - e afastou timidamente seus olhos. - Nunca tinha
tido um amigo.
- Nós não somos amigos - disse Jon, pousando a mão no
amplo ombro de Sam. - Somos irmãos.
E eram, pensou consigo mesmo depois de Sam se retirar.
Robb, Bran e Rickon eram os filhos de seu pai, e ainda os
amava, mas Jon sabia que nunca fora realmente um deles,
Catelyn Stark assegurara-se disso. Os muros cinzentos de
Winterfell podiam ainda assombrar seus sonhos, mas
Castelo Negro era agora a sua vida, e seus irmãos eram
Sam, Grenn, Halder e Pyp, e os ou tros renegados que
vestiam o negro da Patrulha da Noite.
- Meu tio disse a verdade - ele segredou a Fantasma,
perguntando a si mesmo se algum dia voltaria a ver
Benjen Stark para lhe dizer isto.
Eddard
- É o torneio da Mão que está causando todos os
problemas, senhores - queixou-se o Comandante da
Patrulha da Cidade ao conselho do rei.
- O torneio do rei - corrigiu Ned, já estremecendo. -
Garanto-lhes, a Mão não deseja de sempenhar nele nenhum
papel.
- Chame como desejar, senhor. Têm chegado cavaleiros de
todo o reino, e para cada cavaleiro recebemos dois
cavaleiros livres, três artesãos, seis homens de armas, uma
dúzia de mercadores, duas dúzias de meretrizes e mais
ladrões do que me atrevo a adivinhar. Este maldito calor
já rinha tomado a cidade inteira numa febre, e agora, com
todos esses visitantes... na noite passada tivemos um
afogamento, uma rixa de taberna, três lutas com faca s, um
estupro, dois incêndios, incontáveis assaltos e uma corrida
bêbada de cavalos ao longo da Rua das Irmãs. Na noite
anterior uma cabeça de mulher foi encontrada no Grande
Septo, flutuando na lagoa do arco -íris. Ninguém parece
saber como foi parar lá ou a quem pertence.
- Que horror - exclamou Varys com um estremecimento.
Lorde Renly Baratheon foi menos compreensivo.
- Se não é capaz de manter a paz do rei, Janos, talvez a
Patrulha da Cidade deva ser coman dada por alguém que
seja.
Janos Slynt, um homem robusto e de fortes maxil ares,
inchou como um sapo irritado, com sua grande cabeça
calva começando a enrubescer.
- Nem o próprio Aegon, o Dragão, seria capaz de manter a
paz, Senhor Renly. Preciso de mais homens.
- Quantos? - Ned perguntou, inclinando -se para a frente.
Como sempre, Robert não se incomodara em estar
presente na sessão do conselho, e assim cabia à sua Mão
falar por ele.
- Tantos quantos for possível obter, Senhor Mão.
- Contrate cinquenta novos homens - disse-lhe Ned. -
Lorde Baelish lhe arranjará o di nheiro.
- Ah, sim? - Mindinho retrucou.
- Sim. Se foi capaz de encontrar quarenta mil dragões de
ouro para uma bolsa de campeão, certamente também o
será para reunir alguns cobres a fim de manter a paz do
rei - Ned voltou a se virar para Janos Slynt. - Também lhe
darei vinte boas espadas da guarda de minha própria Casa
para servir com a Patrulha até que a multidão parta.
- Muito agradecido, Senhor Mão - disse Slynt com uma
reverência. - Prometo-lhe que será dado bom uso.
Quando o Comandante se retirou, Eddard virou-se para o
resto do conselho.
- Quanto mais depressa esta loucura terminar, melhor me
sentirei - como se a despesa e os problemas não fossem
aborrecimento bastante, todos insistiam em dizer "o
torneio da Mão", como se fosse ele sua causa. E Robert
parecia pensar honestam ente que devia se sentir honrado!
- O reino prospera com tais eventos, senhor - disse o
Grande Meistre Pycelle. - Trazem aos grandes a
oportunidade de alcançar a glória e aos pequenos um
intervalo em suas aflições.
- E põem moedas em muitos bolsos - acrescentou
Mindinho. - Todas as estalagens da ci dade estão cheias, e
as rameiras caminham de pernas arqueadas, tinindo seus
bolsos a cada passo.
Lorde Renly soltou uma gargalhada.
- É uma sorte que meu irmão Stannis não esteja entre
nós. Lembram-se daquela ocasião em que propôs que se
proibissem os bordéis? O rei lhe perguntou se gostaria
talvez de proibir também que se comesse, cagasse e
respirasse, já que estava com a mão na massa. A bem da