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Arryn estão a mil léguas de distância.

- O senhor irá convocar Lorde Stannis a regressar de

Pedra do Dragão?

- Ainda não - Ned respondeu. - Só quando tiver uma

noção mais precisa sobre o que se passa aqui e onde ele

se encaixa - o assunto o importunava. Por que Stannis

partira? Teria desempenhado algum papel no assassinato

de Jon Arryn? Ou estaria com receio? Ned achava difícil

imaginar o que poderia assustar Stannis Baratheon, que já

aguentara Ponta Tempestade durante um ano de cerco,

sobrevivendo à custa de ratazanas e botas de couro

enquanto os se nhores Tyrell e Redwyne esperavam fora do

castelo com suas tropas, banqueteando -se à vista das

muralhas.

- Traga-me meu gibão, por favor. O cinza, com o símbolo

do lobo gigante. Quero que o ar meiro saiba quem sou.

Talvez o torne mais cooperante.

Jory dirigiu-se ao guarda-roupa.

- Lorde Renly é irmão tanto de Lorde Stannis quanto do

rei.

- No entanto, parece que não foi convidado para esses

passeios - Ned não sabia bem o que pensar de Renly, com

seus modos amistosos e sorrisos fáceis. Alguns dias antes,

ele o tinha chamado de canto para lhe mostrar um

requintado medalhão de ouro rosa. Lá dentro encontrava -

se uma miniatura pintada no vigoroso estilo myriano,

mostrando uma bela e jovem mulher com olhos de corça e

uma cascata de suave cabelo castanho.

Renly parecera ansioso por saber se a jovem lhe lembrava

alguém, e ficara desapontado quan do Ned não encontrou

resposta melhor que um encolher de ombros. Confessara

que a senhora era irmã de Loras Tyrell, Margaery, mas

havia quem dissesse que se parecia com Lyanna. "Não",

dissera-lhe Ned, assombrado. Seria possível que Lorde

Renly, que tanto se assemelhava a um Robert jovem,

tivesse imaginado uma paixão por uma mulher que achava

ser uma Lyanna jovem? Aquilo lhe pareceu mais que um

pouco bizarro.

Jory ergueu o gibão e Ned enfiou as mãos pelas cavas.

- Lorde Stannis talvez regresse para o torneio de Robert

- disse, enquanto Jory lhe atava a peça de roupa nas

costas.

- Isso seria um golpe de sorte, senhor - Jory respondeu.

Ned afivelou uma espada à cintura.

- Em outras palavras, não é provável - seu sorriso era

sombrio.

Jory enrolou o manto de Ned em torno de seus ombros e

o prendeu ao pescoço com o distin tivo da Mão do Rei.

- O armeiro vive em cima de sua loja, numa casa grande

que se ergue no topo da Rua do Aço. Alyn conhece o

caminho, senhor.

Ned acenou com a cabeça.

- Que os deuses ajudem aquele ajudante de teberna se

estiver me fazendo correr atrás de sombras - não seria

grande coisa como apoio, mas o Jon Arryn que Ned Stark

conhecera não era alguém que usasse armaduras

incrustadas de jóias e prata. A ço era aço; destinava-se à

proteção, não à ostentação. Era verdade que podia ter

mudado de ponto de vista. Certamente não seria o

primeiro homem a olhar de forma diferente para as coisas

depois de alguns anos passados na corte... , mas a mudança

era suficientemente marcada para levantar dúvidas em

Ned.

- Há mais algum serviço que eu lhe possa prestar?

- Suponho que é melhor que comece a visitar prostíbulos.

- Penoso dever, senhor - Jory sorriu, - Os homens ficarão

felizes por ajudar. Porther já fez cm bom começo.

O cavalo preferido de Ned estava selado e à espera no

pátio. Varly e Jacks puseram-se a seu lado quando

avançou pelo pátio. Seus capacetes de aço e cotas de

malha deviam estar abrasadores, mas não soltaram uma

palavra de queixa. Quando Lorde Eddard passou sob o

Portão do Rei e entrou no fedor da cidade, com o manto

cinza e branco pendendo de seus ombros, viu olhos em

roda a parte e esporeou a montaria até um trote. Os

guardas o seguiram.

Foi olhando para trás com frequência enquanto abriam

caminho pelas ruas cheias de gente da cidade. Tomard e

Desmond tinham deixado o castelo mais cedo, de manhã, a

fim de tomar posições no caminho que devia percorrer e

verificar se alguém os seguia, mas mesmo assim Ned não

se sentia confiante. A sombra da Aranha do Rei e dos seus

passarinhos o deixava inquieto como uma donzela na noite

de núpcias.

A Rua do Aço começava na praça do mercado, ao lado do

Portão do Rio, como era chamado nos mapas, ou Portão

da Lama, o nome que recebia habitualmente. Um

saltimbanco sobre per nas de pau caminhava por entre a

multidão como um grande inseto, arrastando uma horda

de crianças descalças aos gritos. Noutro lugar, dois

rapazes esfarrapados que não eram mais velhos que Bran

duelavam com paus, perante o sonoro encorajamento de

alguns e as furiosas pragas de outros. Uma velha acabou

com a competição ao se debruçar em uma janela e

despejar um balde de restos de cozinha sobre a cabeça

dos combatentes, A sombra da muralha, agriculto res

berravam ao lado de suas carroças: "Maçãs, as melhores

maçãs, baratas, metade do preço"; Melões-de-sangue,

doces como mel"; "Nabos, cebolas, raízes, aqui tem, aqui,

aqui temos nabos, cebolas, raízes, aqui tem".

O Portão da Lama estava aberto e um esquadrão de

Patrulheiros da Cidade vestidos com seus mantos

dourados apoiava-se nas lanças sob a porta levadiça.

Quando uma coluna de ho mens a cavalo apareceu vinda

do leste, os guardas desataram numa atividade frenética,

gritando ordens e afastando as carroças e o tráfego

pedestre a fim de deixar entrar o cavaleiro e s ua escolta.

O primeiro cavaleiro a entrar pelo portão transportava

um longo estandarte negro. A seda ondeava ao vento

como uma coisa viva; o tecido estava ornado com um céu

noturno cortado por um relâmpago de cor púrpura.

- Abram alas para Lorde Berid - gritou o cavaleiro. - Abram alas

para Lorde Beric! - e logo atrás vinha o jovem senhor em

pessoa, uma fogosa figura montada num corcel negro, de

cabelos ruivos alourados, vestindo um manto de cetim

negro pontilhado de estrelas.

- Veio para lutar no torneio da Mão, senhor? - gritou-lhe

um guarda.

- Vim para ganhar o torneio da Mão - gritou Lorde Beric

de volta por entre as aclamações da multidão.

Ned virou as costas à praça onde a Rua do Aço começava

e seguiu seu trajeto sinuoso por uma longa colina acima,

passando por ferreiros que trabalhavam em forjas abertas,

cavaleiros livres que regateavam os preços de cotas de

malha e grisalhos ferrageiros que vendiam lâminas e

navalhas velhas em suas carroças. Quanto mais subiam,

maiores iam ficando os edifícios. O ho mem que

procuravam encontrava-se no ponto mais alto da colina,

numa enorme casa de madeira e estuque, cujos andares

superiores pairavam por cima da rua estreita. As portas