Выбрать главу

chamado Hodor que era maior que todos eles, mas o cavaleiro a

quem chamavam Montanha Que Cavalga teria olhado de cima para

Hodor. Devia ter por volta de dois metros e trinta, com ombros

maciços e braços tão grossos como troncos de pequenas árvores. Seu

cavalo de batalha parecia um pônei entre suas pernas cobertas de

armadura, e a lança que trazia parecia tão pequena como um cabo

de vassoura.

Ao contrário do irmão, Sor Gregor não vivia na corte. Era um

homem solitário que raramente saía de suas terras, exceto para

travar guerras e participar de torneios. Estivera com Lorde Tywin

quando Porto Real caíra, era então um cavaleiro recém-armado de

dezessete anos, mas já notável pelo tamanho e pela sua implacável

ferocidade, Havia quem dissesse que fora Gregor quem atirara a

cabeça do príncipe criança Árgon Targaryen contra uma parede e

quem murmurasse que depois disso violara a mãe, a princesa Elia, de

Dorne, antes de lhe cravar a espada. Não se diziam essas coisas ao

alcance dos ouvidos de Gregor.

Ned Stark não se lembrava de alguma vez ter falado com o homem,

embora Gregor o tivesse acompanhado durante a rebelião de Balon

Greyjoy, um cavaleiro no meio de milhares. Observou-o inquieto. Não

era seu costume dar grande atenção a mexericos, mas as coisas que

se diziam de Sor Gregor eram mais que sinistras. Preparava-se para

casar pela terceira vez, e ouviam-se sombrios sussurros sobre as

mortes das duas primeiras esposas. Dizia-se que sua fortaleza era um

lugar sombrio onde criados desapareciam para nunca mais serem

vistos, e até os cães tinham medo de entrar no salão. E tinha havido

uma irmã que morrera jovem em estranhas circunstâncias, e o fogo

que desfigurara o irmão, e o acidente de caça que matara o pai.

Gregor herdara a fortaleza, o ouro e as propriedades da família. O

irmão mais novo, Sandor, partira no mesmo dia para servir os

Lannister como cavaleiro juramentado, e dizia-se que nunca mais re-

gressara, nem mesmo para visita.

Quando o Cavaleiro das Flores fez sua entrada, um murmúrio

percorreu a multidão, e Ned ouviu o sussurro fervente de Sansa:

- Ah, ele é tão lindo.

Sor Loras Tyrell era esbelto como um junco, vestido numa fabulosa

armadura de prata polida até cegar, gravada com uma filigrana de

sinuosas trepadeiras negras e minúsculos miosótis azuis. A plebe

percebeu, no mesmo instante que Ned, que o azul das flores

provinha de safiras; um suspiro escapou de um milhar de gargantas.

Dos ombros do rapaz pendia o manto pesado. Era tecido de miosótis,

miosótis verdadeiros, centenas de flores frescas entrelaçadas numa

pesada capa de lã.

Seu corcel era tão esguio como o cavaleiro, uma bela égua cinzenta,

feita para a velocidade. O enorme garanhão de Sor Gregor relinchou

ao captar seu cheiro. O rapaz de Jardim de Cima fez qualquer coisa

com as pernas e o cavalo curveteou de lado, ágil como um dançarino.

Sansa agarrou o braço de Ned.

- Pai, não deixe que Sor Gregor lhe faça mal - ela pediu. Ned viu que

ela trazia a rosa que Sor Loras lhe dera no dia anterior. Jory também

lhe contara aquilo.

- Aquelas são lanças de torneio - disse à filha. - São feitas para que

se estilhacem com o impacto, para que ninguém se fira - mas

lembrou-se do rapaz morto na carroça, com seu manto de

crescentes, e as palavras arranharam-lhe a garganta.

Sor Gregor estava com problemas em controlar o cavalo. O garanhão

berrava e batia com as patas no chão, abanando a cabeça. A

Montanha espetou-lhe ferozmente os calcanhares envolvidos em

armadura. O cavalo empinou-se e quase o derrubou.

O Cavaleiro das Flores saudou o rei, dirigiu-se à extremidade mais

distante da arena e abaixou a lança, pronto. Sor Gregor trouxe seu

animal até a linha, lutando com as rédeas. E de súbito começou. O

garanhão da Montanha rompeu num galope duro, atirando-se

furiosamente à frente, ao passo que o passo da égua era suave como

o deslizar da seda. Sor Gregor pôs o escudo em posição e equilibrou

a lança com dificuldade, enquanto continuava a lutar para manter a

fogosa montaria numa linha reta e, de repente, Loras Tyrell estava

sobre ele, colocando a ponta da lança precisamente lá, e num piscar

de olho a Montanha estava caindo. Era tão imenso que levou o cavalo

consigo, num emaranhado de aço e carne.

Ned ouviu aplausos, aclamações, assobios, suspiros chocados,

murmúrios excitados, e sobretudo as ásperas e roufenhas gargalhadas

de Cão de Caça. O Cavaleiro das Flores puxou as rédeas no fim da

arena. Sua lança nem sequer estava partida. As safiras cintilaram ao

sol quando ergueu o visor, sorrindo. Os plebeus pareciam ter

enlouquecido por ele.

No meio do campo, Sor Gregor Clegane desembaraçou-se e pôs-se de

pé, fervendo de raiva. Arrancou o elmo e esmagou-o contra o chão.

Tinha o rosto escuro de fúria, e os cabelos caíam-lhe nos olhos.

- Minha espada - gritou para o escudeiro, e o rapaz correu para ele.

Nessa altura o garanhão já estava em pé também.

Gregor Clegane matou o cavalo com um único golpe, de tamanha

violência que quase decepou o pescoço do animal. As aclamações

transformaram-se em guinchos num piscar de olhos.

O garanhão caiu de joelhos, berrando enquanto morria. Mas então

Gregor já atravessava a arena a passos largos, dirigindo-se para Sor

Loras Tyrell, de espada ensanguentada em punho.

- Pare-o! - gritou Ned, mas suas palavras perderam-se no burburinho.

Todos estavam também gritando, e Sansa chorava.

Tudo aconteceu num ápice, O Cavaleiro das Flores gritava pela

espada no momento em que Sor Gregor empurrou para o lado seu

escudeiro e tentou agarrar as rédeas do cavalo. A égua cheirou

sangue e empinou-se. Loras Tyrell mal se manteve montado. Sor

Gregor brandiu a espada, um violento golpe a duas mãos que atingiu

o rapaz no peito e o derrubou da sela. O corcel fugiu em pânico,

enquanto Sor Loras jazia atordoado no chão. Mas, quando Gregor

ergueu a espada para o golpe fatal, uma voz áspera advertiu: "Deixe-

o em paz", e uma mão revestida de aço atirou-o para longe do rapaz.

A Montanha rodopiou numa fúria sem palavras, brandindo a espada

num arco mortífero com toda sua maciça força posta no golpe, mas

Cão de Caça aparou o golpe e contra-atacou, e durante aquilo que

pareceu uma eternidade, os dois irmãos trocaram golpes, enquanto

um entontecido Loras Tyrell era ajudado a pôr-se em segurança. Três

vezes Ned viu Sor Gregor lançar violentos golpes no elmo da cabeça

de Cão, mas nem uma vez Sandor deu uma estocada à cara

desprotegida do irmão,

Foi a voz do rei que pôs fim àquilo... a voz do rei e vinte espadas. Jon

Arryn dissera-lhes que um comandante precisa de uma boa voz de

batalha, e Robert provara no Tridente que era verdade. Era esta a

voz que usava agora.

- PAREM COM ESTA LOUCURA - trovejou - EM NOME DO SEU

REI!

Cão de Caça caiu sobre um joelho. O golpe de Sor Gregor cortou o

ar, e por fim caiu em si. Deixou cair a espada, olhou intensamente

para Robert, cercado pela sua Guarda Real e uma dúzia de outros