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- Como inferno você se envolveu em uma situação dessas, Gwen? - Dirk quis saber. Estava se esforçando para que sua voz não se quebrasse. Estava zangado com ela, ferido por ela e, mesmo assim, estranhamente (ou talvez não tão estranhamente) exultante. Era tudo verdade, tudo o que Ruark lhe dissera. O kimdissiano era um bom amigo dela e seu confidente; apesar disso, ela tinha buscado por ele. Sua vida era uma miséria, ela era uma escrava, e ele podia consertá-la, ele. - Você devia ter uma idéia de como seria.

Ela deu de ombros.

- Menti para mim mesma - disse - e deixei Jaan mentir para mim, embora acho que ele honestamente acredita em todas as falsidades amorosas que me diz. Se pudesse começar de novo... mas não posso. Eu estava pronta para ele, Dirk, precisava dele e o amei. Ele não tinha ferro-e-pedrardente para me dar. Isso ele já dera para outra pessoa, então me deu jade-e-prata, e eu aceitei só para ficar perto dele, com apenas uma vaga noção do que isso significava. Eu perdera você havia não muito tempo. Não queria que Jaan se fosse também. Então coloquei o belo braceletinho e disse em voz bem alta: "sou mais do que uma betheyn", como se fizesse diferença. Dê um nome a uma coisa e de algum modo ela se transformará naquilo. Para Garse, sou betheyn de Jaan e sua cro-betheyn, e isso é tudo. Os nomes definem os laços e as obrigações. O que mais poderia haver? Para qualquer outro kavalariano é a mesma coisa. Quando tento sair disso, ultrapassar esse nome, Garse está ali, zangado, gritando betheyn! Para mim. Jaan é diferente, apenas Jaan, e algumas vezes não posso evitar e começo a me perguntar como ele realmente se sente. - Colocou as mãos sobre a toalha da mesa e fechou os punhos, lado a lado. - A mesma maldita coisa, Dirk. Você queria me transformar em Jenny, e eu me salvei rejeitando o nome. Mas, como uma tola, aceitei o jade-e-prata, e agora sou esposa-escrava e nenhuma das minhas negações pode mudar isso. A mesma maldita coisa! - A voz dela estava estridente, seus punhos fechados com tanta força que as juntas dos dedos estavam ficando brancas.

- Podemos mudar isso - Dirk disse rapidamente. - Volte comigo. - Ele soou vazio, sem esperança, desesperado, triunfante, preocupado; seu tom era tudo isso ao mesmo tempo.

No início, Gwen não respondeu. Dedo por dedo, muito lentamente, ela abriu as mãos, e encarou-as solenemente, respirando profundamente, virando as mãos uma vez e outra, como se fossem algum estranho artefato colocado diante dela para inspeção. Então as espalmou na mesa e empurrou, ficando em pé.

- Por quê? - perguntou, e o calmo controle retornara à sua voz. - Por quê, Dirk? Para que você possa me transformar em Jenny novamente? É por isso? Porque que eu o amei uma vez, porque algo pode ter ficado?

- Sim! Não, quero dizer. Você me confunde. - Ele também se levantou.

Ela sorriu.

- Ah, mas eu também amei Jaan certa vez, mais recentemente do que você. E com ele, agora, há outros laços, todas as obrigações de jade-e-prata. Com você, bem, apenas lembranças, Dirk.

Quando ele não respondeu - ficou parado, esperando -, Gwen se dirigiu para a porta. Ele a seguiu.

O robô-garçom os interceptou e bloqueou o caminho deles, com seu rosto de metal ovoide e sem expressão.

- A conta - ele disse. - Preciso do número de suas contas do Festival.

Gwen franziu o cenho.

- Conta Larteyn, Jadeferro 797-742-677 - replicou. - Registre as duas refeições neste número.

- Registrado - o robô disse, enquanto saía do caminho.

Atrás deles, o restaurante ficou escuro.

A Voz deixara o carro esperando por eles. Gwen lhe disse para levá-los de volta à pista de aterrissagem, e o veículo começou a se mover por corredores que repentinamente se inundaram de cores vivas e música alegre.

- O maldito computador registrou a tensão em nossa voz - ela disse, um pouco zangada. - Agora está tentando nos animar.

- Não está fazendo um trabalho muito bom - Dirk respondeu com um sorriso. Então completou - Obrigado pela refeição. Converti meus padrões para moeda do Festival antes de chegar, mas temo não ter ganhado muito com o câmbio.

- Jadeferro não é pobre - Gwen disse. - E não há muito que ser pago em Worlorn de qualquer modo.

- Humm. Sim. Nunca pensei que houvesse, até agora.

- Programas do Festival - Gwen explicou. - Esta é a única cidade que ainda funciona desta maneira. Todas as outras estão fechadas. Uma vez por ano, di-Emerel manda um enviado para limpar todas as contas dos bancos. Embora logo chegue ao ponto de que a viagem custará mais do que ele arrecada.

- Estou surpreso de que ainda não tenha acontecido.

- Voz! - ela disse. - Quantas pessoas vivem em Desafio hoje?

As paredes responderam.

- Atualmente tenho trezentos e nove residentes legais e quarenta e dois convidados, incluindo vocês. Vocês podem, se quiserem, se tornar residentes. Os preços são bastante razoáveis.

- Trezentos e nove? - Dirk surpreendeu-se. - Onde?