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O grande homem de cabelos brancos assentiu lentamente, relutante.

- Se é quase-homem, mas não korariel, então não temos problema - Bretan continuou -, então pode ser caçado. E se ele é um homem de verdade, humano como os altos-senhores, e não um quase-homem?

Chell era muito mais lento do que seu teyn. O kavalariano mais velho franziu o cenho pensativamente e disse:

- Bem, ele não é fêmea, então não pode ser tomado. Mas se ele é humano, deve ter direitos de homem e um nome de homem.

- Verdade - Bretan concordou. - Mas ele não pode ser korariel, então o crime é responsabilidade exclusiva dele. Eu duelaria com ele, não com Jaantony Alto-Jadeferro. - O Braith deu o estranho grunhido-rosnado novamente.

Chell assentiu, e Dirk estava quase estarrecido. O mais jovem dos dois caçadores parecia ter acertado as coisas com uma desagradável precisão. Dirk dissera tanto a Vikary quanto a Janacek, em termos inequívocos, que rejeitava o escudo contaminado da proteção de Jadeferro. Naquele momento, havia sido uma coisa fácil de fazer. Em mundos sãos, como Ávalon, teria sido inquestionavelmente a coisa certa a se fazer. Em Worlorn, as coisas não eram tão claras.

- Aonde o levaremos? - Chell perguntou. Os dois Braiths falavam como se Dirk não tivesse mais vontade do que o aeromóvel.

- Devemos levá-lo para Jaantony Alto-Jadeferro e seu teyn - Bretan disse em sua voz áspera. - Conheço a torre deles de vista.

Por um breve instante, Dirk pensou em sair correndo. Não parecia viável. Eram dois deles, com armas e até mesmo um aeromóvel. Ele não iria longe.

- Eu irei - disse quando vieram em sua direção. - Posso mostrar o caminho. - Poderia ganhar algum tempo para pensar, em todo caso; os Braiths não pareciam saber que Vikary e Janacek já estavam na Cidade do Tanque sem Estrelas, sem dúvida tentando proteger os desvalidos filhos da lesma de outros caçadores.

- Mostre-nos, então - Chell falou. E Dirk, sem saber o que mais fazer, levou-os em direção aos elevadores subterrâneos. Durante a subida, refletiu amargamente que tudo aquilo acontecera porque estava cansado de esperar. E agora, parecia, teria que esperar de qualquer jeito.

Capítulo 6

No começo, a espera foi um inferno.

Eles o levaram para a pista de aterrissagem no topo da torre vazia, depois que descobriram que os Jadeferro não podiam ser encontrados, e o forçaram a sentar no canto do telhado varrido pelo vento. O pânico tomava conta de Dirk, e seu estômago tinha um nó dolorido.

- Bretan... - Dirk começou, em uma voz que beirava à histeria, mas o kavalariano apenas se virou para ele e desferiu um tapa em sua boca.

- Não sou "Bretan" para você - disse. - Me chame de Bretan Braith se tiver que se dirigir a mim, quase-homem.

Depois disso, Dirk ficou em silêncio. A quebrada Roda de Fogo mancava lentamente pelos céus de Worlorn, e enquanto a observava se arrastar, Dirk sentia que estava muito perto de ter um ataque de nervos. Tudo o que lhe acontecera parecia irreal, e os Braiths e os eventos da tarde eram o menos real de tudo, e ele se perguntava o que aconteceria se repentinamente ficasse em pé e pulasse da beira do telhado até a rua. Cairia e cairia, pensou, como acontece em um sonho, mas quando se esmagasse nos tijolos de pedrardente escura lá embaixo não haveria dor, apenas o choque de um súbito despertar. E se encontraria em sua cama em Braque, ensopado de suor e rindo dos absurdos desse pesadelo.

Brincou com esse pensamento e outros semelhantes por um tempo que pareceu horas, mas, quando olhou para cima, o Satã Gordo mal tinha se posto completamente. Começou a tremer, então; o frio, disse a si mesmo, o vento frio de Worlorn, mas sabia que aquilo não era o frio, e quanto mais lutava para se controlar, mais tremia, até que os kavalarianos olharam para ele com estranheza. E a espera prosseguiu.

E finalmente os tremores seguiram seu curso, assim como os pensamentos de suicídio e o pânico antes deles, e um estranho tipo de calma caiu sobre ele. Pegou-se pensando novamente, mas pensando coisas sem sentido: especulava ociosamente, como se tudo aquilo não passasse de uma aposta, se a arraia cinza ou o veículo militar voltariam primeiro, ou em como Jaan ou Garse se arranjariam em um duelo com o Bretan caolho, ou no que aconteceria com os filhos da lesma na distante cidade vinhonegrina. Tais questões pareciam terrivelmente importantes, embora Dirk não soubesse por quê.

Então começou a observar seus captores. Esse era o jogo mais interessante de todos, e servia para passar o tempo tão bem quanto qualquer outro. Enquanto observava, notou algumas coisas.

Os dois kavalarianos mal haviam falado desde que o escoltaram até o telhado. Chell, o alto, sentou-se no muro baixo que circundava a pista de aterrissagem a apenas um metro de Dirk, e, quando começou a estudá-lo, Dirk viu que era um homem realmente velho. A semelhança com Lorimaar Alto-Braith era muito ilusória. Embora Chell andasse e se vestisse como um homem mais jovem, era ao menos vinte anos mais velho do que Lorimaar, Dirk suspeitou. Sentado, seus anos pesavam muito mais. O ventre formava uma proeminência curva sobre o tênue brilho do cinturão de malha de aço, e rugas escavavam profundamente o curtido rosto marrom. Dirk também viu veias azuis e manchas rosáceas nas costas das mãos de Chell enquanto ele as repousava nos joelhos. A longa e inútil espera pelo retorno dos Jadeferros o tocara também, e era mais do que tédio. Suas bochechas pareciam ceder, e seus largos ombros haviam inconscientemente caído em um cansaço desleixado.

Ele se moveu uma vez, suspirando, e esticou-se enquanto apertava as mãos nos joelhos para uni-los com força. Foi quando Dirk viu os braceletes dele. No braço direito tinha ferro-e-pedrardente, gêmeo daquele que era exibido tão orgulhosamente pelo caolho Bretan, e o esquerdo tinha prata. Mas faltava o jade. Havia estado ali em algum momento, mas as pedras haviam sido arrancadas e agora o bracelete prateado estava repleto de orifícios.

Enquanto o velho e cansado Chell (repentinamente parecia difícil para Dirk vê-lo como a ameaçadora figura marcial que fora havia algum tempo) sentou-se e esperou que algo acontecesse, Bretan (ou Bretan Braith, como exigira ser chamado) caminhou horas a fio. Era todo incansável energia, pior do que qualquer um que Dirk já vira, mesmo Jenny, que fora bem inquieta em seu tempo. Mantinha as mãos enfiadas profundamente nos bolsos do curto casaco branco e andava de um lado para o outro pelo telhado, indo e voltando, indo e voltando. A cada três voltas, olhava para cima impacientemente, como se estivesse reprovando o céu crepuscular por não lhe trazer Jaan Vikary.

Eram um par estranho, Dirk decidiu enquanto os observava. Bretan Braith era tão jovem quanto Chell era velho - certamente não mais velho do que Garse Janacek e provavelmente mais jovem do que Gwen, Jaan, ou ele mesmo. Como viera a se tornar teyn de um kavalariano tão mais idoso do que ele? Tampouco era um alto-senhor, nem dera uma betheyn para Braith; seu braço esquerdo, coberto com uma fina camada de pelos ruivos que brilhavam quando estava bem perto de Dirk e refletiam a luz solar, não tinha nenhum bracelete de jade-e-prata.

Seu rosto, aquele estranho meio-rosto, era mais feio do que qualquer coisa que Dirk já vira, mas na medida em que o dia minguava e o falso crepúsculo se tornava real, descobriu que já tinha se acostumado com ele. Quando Bretan Braith caminhava em uma direção, parecia completamente normaclass="underline" um jovem esbelto e ágil, cheio de energia nervosa mantida firmemente sob controle, tão controlada que Bretan parecia prestes a explodir. Seu rosto daquele lado era sem marcas e sereno; tinha curtos cachos negros em volta da orelha e uns poucos lhe caíam pelos ombros, mas não tinha sinal de barba. Mesmo sua sobrancelha era apenas uma suave linha sobre seu grande olho verde. Parecia quase inocente.