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- Não entendo - Dirk falou. - Por quê? Qual é a causa destas falhas?

- Por favor, não fiquem alarmados - a Voz respondeu.

- Dirk - Gwen falou calmamente. - Vamos. - Ela saiu do apartamento, uma mala na mão direita e o pacote de sensores pendurado por uma alça no ombro esquerdo. Dirk pegou as outras duas malas e a seguiu pelos corredores azul-cobalto. Correram na direção dos elevadores, Gwen dois passos adiante, os carpetes abafando os sons dos passos.

- Residentes que entram em pânico são mais propensos a se ferir do que aqueles que permanecem na segurança dos apartamentos enquanto durar esta pequena inconveniência - a Voz os recriminou.

- Diga-nos o que está acontecendo e podemos reconsiderar. - Dirk respondeu. Não pararam nem reduziram o passo.

- Os regulamentos de emergência já estão em vigor - a Voz insistiu. - Guardiões foram enviados para conduzi-los de volta ao apartamento. Isso é para sua própria proteção. Repito, guardiões foram enviados para conduzi-los de volta ao apartamento. As normas de di-Emerel proíbem... - As palavras começaram repentinamente a ficar confusas, e a voz baixa se ergueu até se converter em um gemido rouco que arranhou seus ouvidos. Parou em um silêncio assustador.

As luzes se apagaram.

Dirk parou um instante, então deu dois passos adiante na espessa escuridão e trombou em Gwen.

- O quê? - ele disse. - Me desculpe.

- Quieto - Gwen sussurrou e começou a contar os segundos. No treze, os globos pendurados nos cruzamentos dos corredores acenderam novamente. Mas a luz azul era pálida e espectral, pouco mais que suficiente para que pudessem enxergar alguma coisa.

- Vamos - Gwen falou. Começou a andar de novo, mais lentamente dessa vez, avançando com cautela na penumbra azulada. Os elevadores não estavam muito longe.

Quando as paredes falaram com eles, a voz não era a Voz.

- Esta é uma cidade grande - disse -, mesmo assim, não é grande o suficiente para escondê-lo, t'Larien. Estou esperando nos sótãos mais profundos dos emerelianos, no quinquagésimo segundo subsolo. A cidade é minha. Venha até mim, agora, ou toda a luz se apagará ao seu redor, e, na escuridão, meu teyn e eu vamos caçá-lo.

Dirk reconheceu a voz que falava. Era inconfundível. Em Worlorn, ou em qualquer outro lugar, não seria fácil reproduzir a voz sibilante e rouca de Bretan Braith Lantry.

Capítulo 8

Ficaram parados no corredor sombrio como se estivessem paralisados. Gwen era uma obscura silhueta azul, seus olhos eram fossos negros. Sua boca contorcia-se no canto, fazendo Dirk se lembrar horrivelmente de Bretan e seu tique nervoso.

- Eles nos encontraram - ela disse.

- Sim. - Dirk concordou. Os dois estavam sussurrando, por medo de que Bretan Braith, como nova Voz de Desafio, pudesse ouvi-los se falassem algo. Dirk tinha a aguda impressão de que falantes os cercavam, e orelhas também, e talvez olhos: todos invisíveis atrás das paredes acarpetadas.

- Como? - perguntou Gwen. - Eles não tinham como. É impossível.

- Mas conseguiram. Devia ser possível. Mas o que fazemos agora? Vou até eles? O que há lá embaixo, no quinquagésimo segundo subsolo, de qualquer modo?

Gwen franziu o cenho.

- Não sei. Desafio não era minha cidade. Só sei que os subsolos não são residenciais.

- Máquinas. - Dirk sugeriu. - Energia. Suporte à vida.

- Computadores - acrescentou Gwen, em um pequeno sussurro cavernoso.

Dirk colocou as malas no chão. Parecia bobagem apegar-se a roupas e pertences a esta altura.

- Mataram a Voz - ele comentou.

- Talvez. Se é que ela pode ser morta. Pensei que fosse toda uma rede de computadores espalhada pela torre. Não sei. Talvez fosse apenas uma grande instalação.

- De qualquer modo, chegaram ao cérebro central, ao nervo central, o que quer que seja. Não teremos mais avisos gentis das paredes. E, provavelmente, Bretan nos vê bem agora.

- Não - Gwen falou.

- Por que não? A Voz podia.

- Sim, talvez, embora não ache que as instalações da Voz incluíam sensores visuais. Quero dizer, não eram necessários. Ela tinha outros sentidos, coisas que humanos não têm. Mas esse não é o ponto. A Voz era um supercomputador, construído para lidar com bilhões de bits de informação simultaneamente. Bretan não pode fazer isso. Nenhum humano pode. Além disso, a forma de recepção dos dados não foi criada para fazer sentido para ele, para você ou para mim. Apenas para a Voz. Mesmo se Bretan conseguir acesso a todos os dados que a Voz recolhia, a maioria será ininteligível para ele, ou ele receberá os dados tão rapidamente que serão inúteis. Talvez um especialista em cibernética pudesse tirar algo disso, embora eu duvide. Mas não Bretan. Não, a menos que ele conheça algum segredo que nós desconhecemos.

- Ele soube como nos encontrar - Dirk comentou. - E soube onde o cérebro de Desafio estava e como provocar um curto-circuito.

- Não sei como nos encontrou - Gwen respondeu -, mas não era tão difícil chegar à Voz. O último subsolo, Dirk! Foi só uma suposição da parte dele, tinha de ser. Kavalarianos constroem suas fortalezas na profundeza da rocha, e os níveis inferiores são sempre os mais seguros, os mais resguardados. E onde mantêm as mulheres e outros tesouros do grupo.

Dirk estava pensativo.

- Espere um minuto. Ele não pode saber exatamente onde estamos. Caso contrário, por que tentaria nos atrair para o porão ou ameaçaria nos caçar?

Gwen assentiu.

- Ele está no centro de computadores, no entanto. - Dirk prosseguiu. - Temos que ser cuidadosos. Ele pode ser capaz de nos encontrar.

- Alguns dos computadores ainda devem estar funcionando - Gwen falou, olhando de relance na direção do opaco globo azul a alguns metros. - A cidade ainda está viva, mais ou menos.

- Ele pode perguntar à Voz onde estamos? Se a conectar novamente?

- Talvez, mas a Voz lhe diria? Acho que não. Somos residentes legais, desarmados, e ele é um intruso perigoso violando as normas de di-Emerel.

- Ele? Você quer dizer eles. Chell está com ele. Talvez outros também.

- Um grupo de intrusos, então.

- Mas não podem ser mais do que... quantos? Vinte? Menos? Como vão vasculhar uma cidade deste tamanho?

- di-Emerel é um mundo totalmente desprovido de violência, Dirk. E este é um mundo de Festival. Duvido que Desafio tenha muitas defesas. Os guardiões...

Dirk olhou ao redor repentinamente.

- Sim, guardiões. A Voz os mencionou. Estava mandando um atrás de nós. - Quase esperava ver uma silhueta enorme e ameaçadora rodando em direção a eles por algum corredor transversal. Mas não havia nada. Sombras, globos cobalto e um silêncio azul.

- Não podemos ficar parados aqui - Gwen falou. Deixara de sussurrar. Então ele também parou. Ambos perceberam que se Bretan Braith e seus companheiros pudessem ouvir cada palavra que falavam, também poderiam localizá-los de uma dúzia de outros jeitos também. Se fosse assim, o caso deles era sem esperança. Sussurrar era um gesto inútil. - O aeromóvel está só a dois andares daqui - ela lembrou.

- Os Braiths podem estar a dois andares daqui também - Dirk respondeu. - Mesmo se não estiverem, temos que evitar o aeromóvel. Eles devem saber que temos um, e estarão esperando que tentemos fugir. Talvez seja por isso que Bretan fez seu pequeno discurso, para nos fazer decolar, onde seríamos presas fáceis. Seus irmãos de grupo estão provavelmente esperando para nos abater com lasers. - Fez uma pausa, pensativo. - Mas tampouco podemos simplesmente ficar aqui.

- Não perto do nosso apartamento - ela disse. - A Voz sabe onde estamos, e Bretan Braith pode ser capaz de descobrir. Mas temos que permanecer na cidade; você está certo sobre isso.