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- Você percebeu - Gwen comentou antes de saírem - que estamos na mão errada? O tráfego de descida deveria estar do outro lado do corredor central.

- Isso é proibido, sem dúvida, pelas normas de di-Emerel - Dirk sorriu. - Mas não acho que a Voz vá se incomodar.

Gwen devolveu o sorriso, tocou nos instrumentos, e a arraia sob eles arrancou e acelerou. Então, por um longo tempo, fizeram vento enquanto deslizavam pela penumbra cinzenta, cada vez mais rápido. Gwen estava nos controles, pálida e com os lábios apertados, e Dirk, ao seu lado, observava de braços cruzados os números dos andares, enquanto corredor após corredor passava por eles.

Ouviram os Braiths muito antes de vê-los - os uivos novamente, os latidos selvagens que eram diferentes de qualquer som canino que Dirk já ouvira, ainda mais selvagens pelos ecos que reverberavam na galeria. Quando ouviu a matilha, Dirk estendeu a mão e apagou os faróis do aeromóvel.

Gwen olhou para ele interrogativamente.

- Não fazemos muito barulho - ele disse. - Nunca nos ouvirão com os uivos e seus próprios gritos. Mas podem ver as luzes chegando por trás. Certo?

- Certo - ela respondeu. Nada mais. Estava concentrada no aeromóvel. Dirk a observou sob a luz pálida e cinzenta que restava para eles. Seus olhos eram jade novamente, duros e polidos, tão zangados quanto os de Garse Janacek ficavam algumas vezes. Ela tinha sua arma finalmente, e os caçadores kavalarianos estavam em algum lugar adiante.

Perto do andar 497, passaram por uma área repleta de panos rasgados que esvoaçavam e se agitaram com sua descida. Um pedaço maior do que os outros permaneceu parado no meio da galeria. Os restos de um sobretudo de retalhos marrom, feito em tiras.

Adiante, os uivos ficavam mais fortes e mais altos.

Um sorriso passou brevemente pelos lábios de Gwen. Dirk viu e recordou, intrigado, sua gentil Jenny de Ávalon. Então viram as figuras, pequenas formas negras na galeria sombria, formas que se transformaram rapidamente em homens e cães conforme a arraia corria na direção deles. Cinco dos grandes cães de caça corriam livremente pela galeria, nos calcanhares de um sexto, maior do que todos eles, preso na extremidade de duas pesadas correntes negras. Dois homens estavam na outra ponta das correntes, tropeçando atrás da matilha enquanto o imenso cão líder os levava adiante.

Ficavam cada vez maiores. Como cresciam rápido!

Os cães foram os primeiros a ouvir o aeromóvel. O líder lutou para se virar, e uma das correntes foi arrancada da mão do caçador. Três dos cães soltos deram a volta, rosnando, e um quarto começou a correr para cima, ao encontro do veículo que descia em alta velocidade. Os homens pareceram confusos por um instante. Um estava enroscado na corrente que segurava quando o cão líder mudou de direção. O outro, de mãos vazias, tateou o quadril em busca de algo.

Gwen acendeu as luzes. Na semiescuridão, os olhos da arraia eram cegantes.

O aeromóvel os alcançou.

As impressões rolaram sobre Dirk uma após a outra. Um uivo persistente que abruptamente se transformou em um grito de dor; o impacto sacudiu a arraia. Selvagens olhos vermelhos brilhando horrivelmente perto, uma cara de rato e dentes amarelos cheios de baba, então o impacto novamente, outra sacudida, um estalo. Mais impactos, ruídos repugnantes de carne, um, dois, três. Um grito, um grito bem humano, e então o perfil de um homem contra a luz dos faróis. Pareceu que levou uma hora até alcançá-lo. Era um homem robusto e maciço, ninguém que Dirk conhecesse, vestido com calças grossas e jaqueta de tecido-camaleão que parecia mudar de cor enquanto se aproximavam. Suas mãos estavam na frente dos olhos, uma delas segurando um inútil laser de duelo, e Dirk pode ver o brilho do metal do bracelete sobre a manga do homem. Cabelos brancos caíam até os ombros.

Então, repentinamente, depois de uma eternidade em câmara lenta, o homem se foi. A arraia sacudiu novamente. Dirk saltou no assento.

Na frente estava uma vastidão cinzenta, a comprida galeria curva.

Atrás - Dirk se virou para olhar -, um cão de caça os perseguia, arrastando duas correntes barulhentas enquanto corria. Mas foi ficando cada vez menor e menor. Formas escuras enchiam a fria rua de plástico. Nem bem Dirk começara a contá-los e já estavam fora de sua vista. Um pulso de luz brilhou brevemente sobre suas cabeças, vindo de algum lugar distante.

Em pouco tempo, ele e Gwen estavam sozinhos novamente e não havia outro ruído que não o sussurro de sua descida. O rosto dela estava rígido, as mãos firmes. As dele, não.

- Acho que os matamos - ele disse.

- Sim - ela respondeu. - Matamos. Alguns cães também. - Ficou em silêncio por um instante. Então, disse. - O nome dele, se me lembro bem, era Teraan Braith alguma coisa.

Ambos ficaram em silêncio. Gwen desligou os faróis mais uma vez.

- O que está fazendo? - Dirk perguntou.

- Há mais adiante - ela respondeu. - Lembre-se do grito que ouvimos.

- Sim. - Ele pensou por um tempo. - O carro agüenta mais batidas?

Ela sorriu de leve.

- Ah - disse. - O código de honra kavalariano tem vários modos aéreos. Aeromóveis são freqüentemente escolhidos como armas. São aparatos muito fortes. Este carro é construído para agüentar tiros a laser o máximo de tempo possível. A blindagem... Precisa que continue?

- Não. - Ele fez uma pausa. - Gwen.

-Sim?

- Não mate mais ninguém.

Ela olhou de relance para ele.

- Eles estão caçando os emerelianos - disse - e quem quer que teve o azar de ficar em Desafio. Eles nos caçariam sem o menor pudor.

- Mesmo assim - ele pediu. - Podemos afugentá-los, ganhar algum tempo para os demais. Jaan estará aqui logo. Ninguém precisa ser morto.

Ela suspirou e reduziu a velocidade do aeromóvel.

- Dirk - começou a dizer. Então viu alguma coisa no caminho e reduziu a velocidade ao mínino. - Ali. Olhe - apontou.

A luz estava tão fraca que era difícil ver as coisas com clareza até que se aproximassem, e então... uma carcaça de algum tipo, ou o que restara dela. No centro da galeria, rígida e ensangüentada. Pedaços de carne estavam espalhados por todo lado. Havia sangue seco escuro no plástico.

- Deve ser a vítima que ouvimos mais cedo. - Gwen supôs em um tom coloquial. - Caçadores de quase-homens não comem sua presa, você sabe. Não pensam duas vezes antes de dizer que as criaturas não são humanas, apenas algum tipo de animal semi-senciente, e acreditam nisso. Mesmo assim, o fedor de canibalismo é muito forte, mesmo para eles, então não ousam. Mesmo antigamente, em Alto Kavalaan, durante a era da escuridão, os grupos de caçadores nunca comeram a carne dos quase-humanos que abatiam. Deixavam para os deuses, para as mariposas carniceiras, para os besouros da areia. Depois de ter dado um pedaço para os cães provarem, é claro, como recompensa. Os caçadores tinham seus troféus, no entanto. A cabeça. Vê o torso ali? Mostre-me a cabeça.

Dirk se sentiu enjoado.

- A pele também. - Gwen continuou. - Eles levam facas de esfola. Ou levavam. Lembre-se, a caça de quase-homens está banida em Alto Kavalaan há gerações. Até o conselho de altos-senhores de Braith se pronunciou contra. Tais matanças que esses caçadores remanescentes fazem são sub-reptícias. Eles têm que esconder seus troféus, exceto entre eles mesmos. Aqui, no entanto, bem, deixe-me dizer que Jaan espera que os Braiths permaneçam em Worlorn o máximo que puderem. Segundo me disse, falam de renunciar a Braith, de trazer suas betheyn das fortalezas no planeta natal e formar uma nova coalizão aqui, um grupo que trará de volta os velhos tempos, todas as mortes e as tradições mais sanguinárias. Por um tempo, um ano, dois ou dez, enquanto o estratoescudo toberiano mantiver o calor. Lorimaar Alto-Larteyn e os seus, sem ninguém para restringi-los.

- Isso seria insano!