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- Sua betheyn fica em suas mãos, Jaantony Alto-Jadeferro - Pyr disse com firmeza, embora seu bastão se agitasse nervosamente. - Discipline-a como quiser, como deve. O quase-homem é meu para ser caçado.

Garse Janacek parara a alguns metros de distância. Seus olhos se moviam de um interlocutor para outro, e por duas vezes pareceu prestes a responder. Mas Jaan Vikary ignorou todos eles.

- Remova as mordaças das bocas deles - disse, gesticulando em direção aos prisioneiros.

O teyn de Pyr permanecia parado ao lado de Dirk e Gwen, encarando o alto-senhor Jadeferro. Hesitou por um longo momento, então abaixou-se e tirou as mordaças.

- Obrigado - falou Dirk.

Gwen balançou a cabeça para tirar o cabelo dos olhos e se levantou com dificuldade, os braços ainda amarrados às costas.

- Jaan - ela disse em voz insegura. - Você ouviu?

- Ouvi - Vikary respondeu. Então, falou para os Braiths. - Soltem os braços dela.

- Você é presunçoso, Jadeferro. - Lorimaar reclamou.

Pyr, contudo, pareceu curioso. Apoiou-se em seu bastão.

- Solte os braços dela - disse. Seu teyn puxou Gwen rudemente e usou a faca para libertá-la.

- Mostre-me seus braços - Vikary disse para Gwen.

Ela hesitou, então tirou as mãos de trás das costas e as estendeu, palmas para baixo. No seu braço esquerdo o jade-e-prata brilhou. Ela não havia retirado o bracelete.

Dirk olhou, amarrado e desesperado, sentindo um calafrio. Ela não havia retirado o bracelete.

Vikary olhou para Myrik, que ainda estava sentado de pernas cruzadas, com os olhos fixos em Gwen.

- Levante-se.

O homem se ergueu e virou o rosto para o Jadeferro, tirando o olhar de Gwen pela primeira vez desde que chegara. Vikary ia começar a falar, mas Gwen o interrompeu.

- Não - Gwen ainda esfregava os pulsos. Agora parara e pousara a mão direita sobre o bracelete. Sua voz era firme. - Você não entende, Jaan? Não. Se você o desafiar, se você matá-lo, eu vou tirar isso. Eu vou.

Pela primeira vez, uma emoção tomou conta do rosto de Jaan, e seu nome era angústia.

- Você é minha betheyn - ele disse. - Se eu não... Gwen...

- Não - ela insistiu.

Um dos Braiths riu. Ao ouvir, Garse Janacek fez uma careta, e Dirk viu um espasmo selvagem contrair o rosto do homem chamado Myrik.

Se Gwen notou, não se importou. Olhou para Myrik.

- Eu matei seu teyn - afirmou. - Eu. Não Jaan. Nem o pobre Dirk. Eu o matei e admito. Ele estava nos caçando, assim como você. E matando os emerelianos também. - Myrik não disse nada. Todos ficaram em silêncio. - Se tem que duelar, então, se realmente me quer morta, duele comigo - Gwen prosseguiu. - Eu aceito. Lute comigo se sua vingança é tão importante.

Pyr gargalhou alto. Um instante depois, seu teyn se juntou a ele, assim como Roseph e vários dos outros - o companheiro gordo e de rosto severo de Roseph, o ancião de garra. Todos estavam gargalhando.

O rosto de Myrik ficou corado, então branco e corado novamente.

- Cadela betheyn - disse. Seu rosto se crispou novamente, e dessa vez todos viram. - Você zomba de mim. Um duelo é... meu teyn... e você é uma mulher! - Terminou com um grito que sobressaltou os homens e que fez os cães começarem a uivar. Então perdeu o controle.

Ergueu as mãos sobre a cabeça, fechando-as e abrindo-as, e golpeou-a no rosto enquanto ela se esquivava de sua fúria, e de repente estava sobre ela. Seus dedos se fecharam ao redor da garganta de Gwen, e ele avançou, enquanto ela recuava. Estavam rolando uma vez e outra no chão até que bateram contra a lateral de um aeromóvel. Myrik parou firme sobre ela, com Gwen presa por baixo, as mãos dele apertando com força a carne do pescoço dela. Ela bateu nele com força na mandíbula, mas, em sua ira, ele nem pareceu sentir. O kavalariano começou a bater a cabeça dela contra o aeromóvel, uma vez, outra e mais outra, gritando o tempo todo em antigo kavalariano.

Dirk lutou para se levantar apenas para ficar parado, inútil, com as mãos amarradas. Garse deu dois passos rápidos para a frente, e Jaan Vikary finalmente começou a se mexer. Mas foi Bretan Braith Lantry quem os alcançou primeiro e arrancou Myrik de cima de Gwen, agarrando-o pelo pescoço com um braço. Myrik lutou ferozmente, até que Lorimaar se juntou a Bretan, e, entre eles, contiveram o homem.

Gwen jazia inerte, a cabeça apoiada contra a porta de metal onde Myrik a golpeara. Vikary ajoelhou-se ao lado dela e tentou colocar um braço ao redor de seus ombros. A parte de trás da cabeça de Gwen deixou uma mancha de sangue na lateral do aeromóvel.

Janacek se ajoelhou também, rapidamente, e sentiu seu pulso. Satisfeito, levantou-se novamente e se virou para encarar os Braiths, a boca apertada de raiva.

- Ela usava jade-e-prata, Myrik - disse. - Você é um homem morto. Eu o desafio.

Myrik parara de gritar, mas estava ofegante. Um dos cães uivou e ficou em silêncio.

- Ela vive? - Bretan perguntou em sua voz áspera.

Jaan Vikary olhou para ele com uma expressão estranha e consternada como a de Myrik há alguns instantes.

- Ela vive.

- É uma sorte - disse Janacek -, mas não graças a você, Myrik, nem faz diferença. Faça suas escolhas!

- Soltem-me! - Dirk pediu. Ninguém se mexeu. - Soltem-me! - gritou.

Alguém cortou suas cordas.

Foi até Gwen, ajoelhando-se ao lado de Vikary. Os olhos dos dois homens se encontraram rapidamente. Dirk examinou a parte de trás da cabeça de Gwen, onde o cabelo escuro já começava a formar uma crosta com o sangue coagulado.

- Uma concussão, no mínimo - disse. - Talvez uma fratura de crânio, talvez algo pior. Não sei. Existe algum serviço médico? - Olhou para cada um dos kavalarianos. - Existe?

Bretan respondeu.

- Nenhum que funcione em Desafio, t'Larien. A Voz lutou comigo. A cidade não respondia. Tive que matá-la.

Dirk fez uma careta.

- Ela não deve ser movida, então. Talvez seja apenas uma concussão. Acho que ela deve descansar.

Incrivelmente, Jaan Vikary deixou Gwen nos braços de Dirk e se levantou. Gesticulou para Lorimaar e Bretan, que mantinham Myrik preso entre eles.

- Soltem-no.

- Soltar...? - Janacek olhou para Vikary com perplexidade.

- Jaan - Dirk falou -, não se incomode com ele. Gwen...

- Leve-a para o aeromóvel! - Vikary mandou.

- Não acho que devemos movê-la...

- Não é seguro aqui, t'Larien. Coloque-a dentro de um aeromóvel.

Janacek estava franzindo o cenho.

- Meu teyn?

Vikary encarou os Braiths novamente.

- Eu disse para soltar este homem. - Fez uma pausa. - Este quase-homem, como vocês o chamariam. Ele ganhou o nome.

- O que pretende, Alto-Jadeferro? - Lorimaar disse gravemente.

Dirk levantou Gwen e a colocou gentilmente no banco de trás do aeromóvel mais próximo. Ela estava com o corpo totalmente mole, mas a respiração ainda era regular. Então deslizou para o assento do motorista e esperou, massageando o pulso para restaurar a circulação.

Todos pareciam ter se esquecido dele. Lorimaar Alto-Braith ainda estava falando.

- Reconhecemos seu direito de enfrentar Myrik, mas deve ser em combate singular, como Teraan Braith Nalarys morreu. Como seu teyn o desafiou primeiro...

Jaan Vikary tinha a pistola laser na mão.

- Soltem-no e saiam de perto.

Lorimaar, perplexo, soltou o braço de Myrik e se apressou em sair de lado. Bretan hesitou.

- Alto-Jadeferro - disse com a voz raspada -, por sua honra e pela dele, por seu grupo e de seu teyn, abaixe sua arma.

Vikary apontou para o jovem de rosto deformado. Bretan contraiu a boca, soltou Myrik e foi para trás encolhendo-se grotescamente.

- O que está acontecendo? - O velho maneta exigiu saber em uma voz áspera. - O que ele está fazendo? - Todos o ignoraram.