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- Não - ela disse. - Não.

- Você foi ao meu encontro!

- Você anunciou sua chegada da nave. Eu nunca... acredite em mim, foi a primeira vez que soube que estava vindo. Não sabia o que pensar. Achei que fosse me dizer em algum momento, por isso não perguntei.

Dirk falou alguma coisa, mas a torre lançou sua nota baixa e arrebatou suas palavras. Ele meneou a cabeça.

- Você não me chamou?

-Não.

- Mas eu recebi a jóia-sussurrante. Em Braque. A mesma, preparada pelo ésper. Não dá para falsificar. - Ele lembrou de mais alguma coisa. - E Arkin disse...

- Sim - ela falou e mordeu o lábio. - Não entendo. Ele deve ter enviado para você. Mas ele era meu amigo. Alguém com quem falar. Não entendo. - Deu um gemido.

- Sua cabeça? - Dirk perguntou rapidamente.

- Não - ela disse. - Não.

Dirk observou o rosto dela.

- Arkin a enviou?

- Sim. Só pode ser ele. Tem que ser. Nos conhecemos em Áva- lon, bem depois que você e eu... você sabe. Arkin me ajudou. Foi uma época difícil. Ele também estava comigo quando você mandou a jóia para Jenny. Comecei a chorar. Contei tudo para ele, e conversamos. Mesmo depois, depois que eu conheci Jaan, Arkin e eu continuamos próximos. Ele era como um irmão!

- Um irmão - Dirk repetiu. - Por que ele...

- Não sei!

Dirk ficou pensativo.

- Quando nos encontramos no porto espacial, Arkin estava com você. Você pediu que ele a acompanhasse? Eu esperava que estivesse sozinha, lembro disso.

- Foi idéia dele - ela falou. - Bem, eu havia dito que estava nervosa. Em encontrá-lo novamente. Ele... ele se ofereceu para ir junto e me dar apoio moral. E disse que queria conhecê-lo também. Você sabe. Depois de tudo o que eu havia contado para ele em Avalon.

- E no dia em que você e ele foram para o bosque? Você sabe, quando tive problemas com Garse e depois com Bretan... o que aconteceu?

- Arkin falou... uma migração de escaravelhos-blindados. Na verdade não era isso, mas tínhamos que checar. Saímos apressadamente.

- Por que não me disse para onde estava indo? Pensei que Jaan e Garse tinham batido em você, que a estavam mantendo afastada de mim. Na noite anterior, você disse que...

- Eu sei, mas Arkin disse que avisaria você.

- E ele me convenceu a fugir - Dirk falou. - E você, suponho que tenha lhe dito que, para me convencer, você devia...

Ela assentiu.

Dirk se virou na direção da janela. A última luz partira do cume das torres. Acima, um punhado de estrelas brilhava.

Dirk as contou. Doze. Exatamente uma dúzia. Ele se perguntava se algumas delas eram galáxias de verdade, nas profundezas do Grande Mar Negro.

- Gwen - falou. - Jaan partiu nesta manhã. Daqui até Larteyn e de volta, de aeromóvel... quanto tempo leva?

Quando ela não respondeu, ele se virou para olhá-la novamente.

As paredes estavam cheia de fantasmas, e Gwen tremia sob as luzes.

- Ele já devia estar de volta, não devia? - Ela assentiu e deitou-se novamente no colchão claro.

A Cidade Sereia cantava sua canção de ninar, seu hino ao sono final.

Capítulo 11

Dirk atravessou o quarto.

O rifle laser estava apoiado contra a parede. Ele o pegou, sentiu novamente a textura oleosa do plástico negro e liso. Passou o polegar pela cabeça de lobo. Apoiou a arma no ombro, apontou e disparou.

O feixe de luz ficou pelo menos por um segundo no ar. Dirk moveu o rifle ligeiramente, e o raio também se moveu. Quando a luz sumiu, assim como a imagem residual de suas retinas, viu que havia feito um buraco irregular na janela. O vento passava por ali ruidosamente, em dissonância com a música de Lamiya-Bailis.

Gwen saiu meio bamba da cama.

- O quê? Dirk?

Ele deu de ombros e baixou o rifle.

- O quê? - ela repetiu. - O que está fazendo?

- Quero ter certeza de que sei como isso funciona - ele explicou. - Eu... eu vou partir.

Ela franziu o cenho.

- Espere - disse. - Vou pegar minhas botas.

Ele meneou a cabeça.

- Você também? - O rosto dela estava duro, desagradável. - Não preciso que me protejam, malditos sejam...

- Não é isso - ele a interrompeu.

- Se isso é alguma idiotice para se fazer de herói diante dos meus olhos, não está funcionando. - Ela falou, colocando as mãos nos quadris.

Ele sorriu.

- Isso, Gwen, é alguma idiotice para me fazer de herói diante dos meus olhos. Seu olhos... seus olhos não têm mais importância.

- Por quê, então?

Ele ergueu o rifle, incerto.

- Não sei - admitiu. - Talvez porque goste de Jaan e deva isso a ele. Porque quero reparar o que fiz traindo a confiança dele, depois que me fez keth.

- Dirk... - ela começou.

Ele a interrompeu com um gesto.

- Eu sei... mas isso não é tudo. Talvez eu queira encarar Ruark. Talvez porque em Kryne Lamiya tenha havido mais suicidas do que em todas as outras cidades do Festival, e eu seja um deles. Você pode escolher um motivo, Gwen. Entre todos esses. - Um leve sorriso cruzou seu rosto. - Talvez porque haja apenas doze estrelas, você sabia? Então não faz diferença, faz?

- O que você acha que vai poder fazer de útil?

- Quem sabe? E por que isso importa? Você se importa, Gwen? Realmente? - Meneou a cabeça, e o movimento fez o cabelo cair em sua testa novamente, então o empurrou para trás. - Eu não me importo se você se importa - disse, com voz forçada. - Você disse, ou insinuou, que eu estava sendo egoísta quando estávamos em Desafio. Bem, talvez eu estivesse. E talvez esteja sendo agora. Vou lhe dizer uma coisa, no entanto. O que quer que eu vá fazer, não estou esperando nada de você, Gwen. Entende o que quero dizer?

Era um bom discurso de despedida, mas, a meio caminho da porta, ele se acalmou, hesitou e virou.

- Fique aqui, Gwen - disse. - Apenas fique. Ainda está ferida. Se tiver que fugir, Jaan disse algo sobre uma caverna. Sabe sobre o que ele estava falando? - Ela assentiu. - Bem, vá para lá se precisar. Caso contrário, fique aqui. - Fez um estranho sinal de despedida com o rifle, girou sobre os calcanhares e saiu apertando o passo.

Na pista de pouso, as paredes eram apenas paredes - sem fantasmas, sem murais, sem luzes. Dirk tropeçou no aeromóvel que procurava na escuridão, então esperou um pouco para que seus olhos se acostumassem. Seu carro abandonado não era produzido em Alto Kavalaan; era um pequeno artefato de dois lugares, uma lágrima negra e prateada de plástico e metal leve. Sem blindagem, é claro, e a única arma que carregava era o rifle laser que acomodou no colo.

O veículo estava apenas um pouco menos morto do que o resto de Worlorn, mas pouco era o suficiente. Quando ligou a energia, o carro despertou, e os instrumentos iluminaram a cabine com um fulgor pálido. Dirk comeu uma barra de proteína rapidamente e estudou as leituras do painel. O suprimento de energia estava baixo, mas devia conseguir chegar até seu destino. Não usaria os faróis; podia voar com as luzes das estrelas. A calefação podia ser dispensada também, enquanto a jaqueta de couro o mantivesse afastado do frio.

Dirk fechou a portinhola, trancando-se na cabine, e ligou o controle de gravidade. O aeromóvel se elevou, balançando um pouco instável, mas se elevou. Empurrou os controles para frente, e então estava no ar.

Teve apenas um relampejo de terror. Se a gravidade artificial não respondesse bem, sabia, não seria capaz de voar, apenas se chocaria contra o solo recoberto de musgo abaixo. O aeromóvel sacudiu e desceu de forma alarmante quando se afastou da pista, mas apenas por um instante; logo recuperou força e subiu no vento uivante, e a única coisa que continuou revirando foi o estômago de Dirk.

Subiu continuamente, tentando colocar o carrinho o mais alto possível. A cadeia de montanhas estava logo à frente, e tinha que ultrapassá-la. Além disso, não estava nem um pouco a fim de encontrar outros viajantes noturnos. Bem no alto, com as luzes apagadas, podia ver outros aeromóveis que passassem mais embaixo, e as chances dele próprio passar despercebido eram boas.