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– O que você está fazendo?

– Estou mostrando a idade que tenho. – Desatou a camisa de pele de veado, atirou-a para o lado, tirou pela cabeça todas as três camisolas de lã que usava por baixo. – Acho que devia me ver.

– Nós não devíamos...

Devíamos. – Os seios dela saltitaram quando se equilibrou num pé só para puxar uma bota, e depois saltou para o outro pé, para tratar da outra. Seus mamilos eram grandes círculos cor-de-rosa. – Você também – disse Ygritte enquanto puxava para baixo os calções de pele de ovelha de Jon. – Se quer ver, precisa mostrar. Não sabe nada, Jon Snow.

– Sei que desejo você – ouviu sua própria voz dizer, esquecido de todos os votos e honra. Ela estava na sua frente, nua como no dia em que nasceu, e ele estava duro como a rocha que os rodeava. Àquela altura já tinha estado dentro dela meia centena de vezes, mas sempre por baixo das peles, com outras pessoas em volta. Nunca vira como ela era bela. As pernas de Ygritte eram magras, mas bem torneadas; os pelos no local onde as coxas se juntavam, de um vermelho mais vivo do que os que tinha na cabeça. Será que isso faz dela ainda mais sortuda? Puxou-a para mais perto.

– Adoro seu cheiro – disse. – Adoro seus cabelos vermelhos. Adoro sua boca, e o jeito como me beija. Adoro seu sorriso. Adoro seus peitos. – Beijou-os, primeiro um e depois o outro. – Adoro suas pernas magras, e o que está entre elas. – Ajoelhou-se para beijá-la ali, a princípio levemente em seu monte de vênus, mas Ygritte abriu um pouco as pernas e ele viu o cor-de-rosa no interior e beijou-o também, e saboreou-o. Ela soltou um pequeno arquejo.

– Se adora tudo isso, por que é que ainda tá vestido? – sussurrou. – Não sabe nada, Jon Snow. Nad... oh. Oh. OHHH.

Mais tarde, ela ficou quase acanhada, ou tão acanhada quanto Ygritte poderia ficar.

– Aquela coisa que você fez – disse, deitada com ele na pilha de roupas. – Com a sua... boca. – Hesitou. – É isso... é isso que os senhores fazem com suas senhoras, lá no sul?

– Acho que não. – Nunca ninguém havia dito a Jon o que os senhores faziam com as suas senhoras. – Eu só... quis beijar ali, foi só isso. Parece que você gostou.

– Sim. Eu... gostei um bocadinho. Ninguém lhe ensinou aquilo?

– Não houve ninguém – confessou ele. – Só você.

– Um donzelo – brincou ela. – Era um donzelo.

Ele deu-lhe um beliscão brincalhão no mamilo mais próximo.

– Eu era um homem da Patrulha da Noite. – Era, ouviu-se dizer. O que seria agora? Não queria debruçar-se sobre esse assunto. – Você era donzela?

Ygritte apoiou-se num cotovelo.

– Tenho dezenove anos, sou uma esposa de lanças e beijada pelo fogo. Como poderia ser donzela?

– Quem foi?

– Um rapaz numa festa, há cinco anos. Tinha vindo comerciar, com os irmãos, e seus cabelos eram como os meus, beijados pelo fogo, por isso pensei que ele devia ter sorte. Mas era fraco. Quando voltou pra me raptar, o Lança-Longa quebrou o braço dele e botou-o para correr, e ele não voltou a tentar, nem uma vez.

– Então não foi o Lança-Longa? – Jon estava aliviado. Gostava do Lança-Longa, com seu rosto simples e modos amigáveis.

Ela esmurrou-o.

– Isso é nojento. Você se deitaria com a sua irmã?

– Lança-Longa não é seu irmão.

– É da minha aldeia. Não sabe nada, Jon Snow. Um homem de verdade rapta uma mulher de longe, pra fortalecer o clã. As mulheres que se deitam com irmãos, pais ou gente do clã ofendem os deuses e são amaldiçoadas com filhos fracos ou doentes. Ou até monstros.

– Craster casa com as próprias filhas – destacou Jon.

Ela voltou a esmurrá-lo.

– Craster é mais da sua gente do que da nossa. O pai dele era um corvo que raptou uma mulher da aldeia de Brancarbor, mas depois de tê-la, voou de volta pra sua Muralha. Uma vez, ela foi a Castelo Negro pra mostrar o filho ao corvo, mas os irmãos sopraram seus berrantes e botaram a mulher pra correr. O sangue do Craster é preto, e ele carrega uma pesada maldição. – Passou os dedos levemente pela barriga dele. –Antes tinha medo de que você fizesse o mesmo. Que fugisse de volta pra Muralha. Você nunca soube o que fazer depois de me raptar.

Jon sentou-se.

– Ygritte, eu não raptei você.

– Raptou, sim. Saltou da montanha e matou o Orell, e antes de eu conseguir chegar ao machado tinha uma faca encostada na minha garganta. Pensei que você ia me possuir naquela hora, ou me matar, ou talvez as duas coisas, mas não. E quando lhe contei a história do Bael, o Bardo, e do modo como ele colheu a rosa de Winterfell, imaginei que ia me colher com certeza na hora, mas não. Não sabe nada, Jon Snow. – Dirigiu-lhe um sorriso acanhado. – Mas pode ser que ande aprendendo umas coisas.

De repente, Jon reparou que a luz oscilava em volta de Ygritte. Olhou ao redor.

– É melhor subirmos. A tocha está quase no fim.

– O corvo tá com medo dos filhos de Gendel? – disse ela, com um sorriso. – É rapidinho pra chegar lá em cima, e eu ainda não acabei o que queria fazer com você, Jon Snow. – Voltou a puxá-lo para baixo e montou nele. – Não quer... – Hesitou.

– O quê? – perguntou ele, enquanto a tocha começava a se apagar.

– Fazer aquilo de novo? – disse Ygritte, muito depressa. – Com a boca? O beijo do senhor? E eu... eu podia ver se você também gosta.

Quando a tocha se extinguiu, Jon Snow já não se importou.

A culpa chegou mais tarde, mas mais fraca do que antes. Se isso é assim tão errado, pensou, por que os deuses fizeram com que desse uma sensação tão boa?

A gruta estava negra como breu quando terminaram. A única luz era o tênue brilho da passagem de volta à caverna maior, onde ardiam vinte fogueiras. Pouco depois andavam tateando e esbarrando um no outro enquanto tentavam se vestir no escuro. Ygritte tropeçou e caiu na lagoa, e soltou um grito devido à água gelada. Quando Jon riu, ela puxou-o também para dentro. Lutaram e espirraram água na escuridão, e então ela acabou de novo nos braços dele, e descobriram que, afinal, ainda não tinham terminado.

– Jon Snow – disse-lhe Ygritte, depois de ele gastar a sua semente dentro dela –, não se mexa agora, querido. Gosto de sentir você aí, gosto mesmo. E se a gente não voltasse pra junto do Styr e do Jarl? E se fôssemos pra dentro, pra nos juntarmos aos filhos de Gendel? Nunca mais quero sair desta gruta, Jon Snow. Nunca mais.

Daenerys

–Todos? – a jovem escrava soava cautelosa. – Vossa Graça, os ouvidos sem valor desta ouviram-na mal?

Uma luz fresca e verde filtrava-se pelos painéis de vidro colorido em forma de diamante montados nas paredes triangulares e inclinadas, e uma brisa soprava suavemente pelas portas do terraço, trazendo do jardim que nele crescia o cheiro de frutos e flores.

– Seus ouvidos ouviram bem – disse Dany. – Quero comprar todos. Diga isso aos Bons Mestres, por favor.

Naquele dia, havia escolhido um vestido qarteno. A seda de um tom profundo de violeta realçava a cor púrpura de seus olhos. O corte desnudava seu seio esquerdo. Enquanto os Bons Mestres de Astapor conferenciavam entre si em voz baixa, Dany bebericou vinho ácido de caqui de uma taça alta de prata. Não conseguia compreender tudo que eles estavam dizendo, mas ouvia a avidez.

Cada um dos oito negociantes era servido por dois ou três escravos pessoais... embora um Grazdan, o mais velho, tivesse seis. Para não parecer uma pedinte, Dany tinha trazido seus próprios servidores; Irri e Jhiqui, com suas calças de sedareia e coletes pintados, o velho Barba-Branca e o poderoso Belwas, e seus companheiros de sangue. Sor Jorah encontrava-se atrás dela, sufocando em seu sobretudo verde com o urso negro de Mormont bordado. O cheiro do suor do cavaleiro era uma resposta terrena aos doces perfumes que ensopavam os astapori.