Выбрать главу

“Mas para vendê-lo tem de mantê-lo em sua posse, e as terras fluviais estão cheias de homens que de bom grado o raptariam. Glover e Tallhart foram derrotados em Valdocaso, mas restos de sua tropa ainda andam por aí, com a Montanha a massacrar os que ficam para trás. Mil Karstarks percorrem as terras a sul e a leste de Correrrio, à sua caça. Em outros pontos, há homens de Darry deixados sem senhor e sem lei, matilhas de lobos de quatro patas, e os bandos de foras da lei do senhor do relâmpago. Dondarrion de bom grado enforcaria você e o bode na mesma árvore. – O Senhor do Forte do Pavor ensopou um pedaço de pão no sangue. – Harrenhal era o único lugar onde Lorde Vargo poderia ter esperança de mantê-lo a salvo, mas aqui os seus Bravos Companheiros estão em grande desvantagem numérica em relação aos meus homens, e a Sor Aenys e seus Frey. Ele sem dúvida temia que eu o devolvesse a Sor Edmure em Correrrio... ou pior, que o deixasse seguir caminho para junto de seu pai.

“Ao mutilá-lo, pretendeu remover a ameaça de sua espada, arranjar uma lembrança macabra para enviar ao seu pai e diminuir o valor que teria para mim. Pois ele é homem meu, tal como eu sou um homem do Rei Robb. Portanto, o crime dele é meu, ou pode assim parecer aos olhos de seu pai. E aí reside a minha... pequena dificuldade. – Fitou Jaime, sem pestanejar, com os olhos claros, expectante, gelado.

Estou vendo.

– Quer que o absolva de culpa. Que diga ao meu pai que este coto não é obra sua. – Jaime soltou uma gargalhada. – Senhor, mande-me para Cersei, e eu cantarei uma canção tão doce quanto quiser sobre a gentil forma como me tratou. – Sabia que qualquer outra resposta significava que Bolton voltaria a entregá-lo ao bode. – Se eu tivesse uma mão, escreveria. Como fui mutilado pelo mercenário que meu próprio pai trouxe para Westeros, e resgatado pelo nobre Lorde Bolton.

– Confiarei na sua palavra, sor.

Eis algo que não ouço com frequência.

– Quando nos será permitido que partamos? E como planeja fazer que eu passe por todos esses lobos, salteadores e Karstark?

– Partirá quando Qyburn disser que está suficientemente forte, com uma forte escolta de homens selecionados e sob o comando de meu capitão, Walton. Chamam-no de Pernas de Aço. Um soldado de férrea lealdade. Walton vai entregá-lo a salvo e inteiro em Porto Real.

– Desde que as filhas da Senhora Catelyn também sejam entregues a salvo e inteiras – disse a garota. – Senhor, a proteção desse seu Walton é bem-vinda, mas as meninas estão a meu cargo.

O Senhor do Forte do Pavor deu-lhe um relance de olhos desinteressado.

– Já não tem de se preocupar com as meninas, senhora. A Senhora Sansa é esposa do anão, só os deuses podem separá-los agora.

– A esposa dele? – disse Brienne, espantada. – Do Duende? Mas... ele jurou, perante a corte inteira, à vista dos deuses e dos homens...

Ela é tão inocente. Jaime estava quase tão surpreso quanto a garota, mas escondia melhor. Sansa Stark, isso deve ter posto um sorriso na cara de Tyrion. Lembrou-se de como o irmão fora feliz com a pequena filha do caseiro... durante uma quinzena.

– O que o Duende jurou ou deixou de jurar pouco importa agora – disse Lorde Bolton. – Principalmente a você. – A garota pareceu quase machucada. Talvez tenha finalmente sentido as mandíbulas de aço da armadilha quando Roose Bolton fez sinal aos guardas. – Sor Jaime prosseguirá até Porto Real. Receio que eu não tenha dito nada a seu respeito. Seria pouco escrupuloso de minha parte privar Lorde Vargo de ambos os seus troféus. – O Senhor do Forte do Pavor estendeu a mão para outra ameixa. – Se fosse você, senhora, iria me preocupar menos com os Stark e bastante mais com safiras.

Tyrion

Um cavalo relinchou impacientemente atrás dele, entre as fileiras de homens de manto dourado formadas na estrada. Tyrion ouvia também Lorde Gyles tossir. Não tinha pedido a presença de Gyles, tal como não solicitara as de Sor Addam, Jalabhar Xho ou qualquer um dos demais, mas o senhor seu pai achou que Doran Martell talvez não gostasse se apenas um anão viesse escoltá-lo na travessia do Água Negra.

O próprio Joffrey devia ter vindo ao encontro dos dorneses, refletiu enquanto esperava, mas ele estragaria tudo, sem dúvida. Nos últimos tempos, o rei andava repetindo piadinhas sobre os dorneses que tinha ouvido dos homens de armas de Mace Tyrell. Quantos dorneses são necessários para pôr a ferradura em um cavalo? Nove. Um para prender a ferradura e oito para levantar o cavalo. Por algum motivo, parecia a Tyrion que Doran Martell não acharia aquilo divertido.

Viu os estandartes esvoaçando quando os cavaleiros emergiram da verde floresta viva numa longa coluna poeirenta. Dali até o rio, só restavam árvores nuas e enegrecidas, um legado de sua batalha. Estandartes demais, pensou amargamente, enquanto observava as cinzas que eram levantadas pelos cascos dos cavalos que se aproximavam, tal como tinham sido erguidas pelos cascos da vanguarda Tyrell antes de ela esmagar Stannis pelo flanco. Aparentemente, Martell trouxe metade dos senhores de Dorne. Tentou pensar em algum bem que pudesse advir disso, mas não conseguiu.

– Conta quantos estandartes? – perguntou a Bronn.

O cavaleiro mercenário pôs a mão acima dos olhos para tapar o sol.

– Oito... não, nove.

Tyrion virou-se na sela.

– Pod, venha aqui. Descreva as armas que vê e diga-me que casas representam.

Podrick Payne aproximou-se em seu castrado. Transportava o estandarte real, o grande veado e leão de Joffrey, e lutava com o seu peso. Bronn levava o estandarte de Tyrion, o leão de Lannister em ouro sobre carmesim.

Ele está ficando mais alto, percebeu Tyrion quando Pod ficou em pé sobre os estribos para ver melhor. Em breve vai fazer sombra em mim como todos os outros. O garoto andara fazendo um estudo diligente da heráldica de Dorne, por ordem de Tyrion, mas estava nervoso, como sempre.

– Não consigo ver. O vento está agitando os estandartes.

– Bronn, diga ao garoto o que vê.

Bronn parecia muito cavaleiro naquele dia, com gibão e manto novos, e o colar flamejante sobre o peito.

– Um sol vermelho em fundo laranja – anunciou – com uma lança espetada na parte de trás.

– Martell – disse imediatamente Podrick Payne, visivelmente aliviado. – A Casa Martell de Lançassolar, senhor. O Príncipe de Dorne.

– Até meu cavalo saberia essa – disse secamente Tyrion. – Mande outra, Bronn.

– Há uma bandeira púrpura com bolas amarelas.

– Limões? – perguntou Pod em tom esperançoso. – Um fundo púrpura coberto de limões? Da Casa Dalt? De... de Limoeiros.

– Pode ser. A próxima é um grande pássaro preto sobre fundo amarelo. Com qualquer coisa rosa ou branca nas garras, é difícil saber o que, com a bandeira tremulando.

– O abutre de Blackmont segura um bebê nas garras – disse Pod. – A Casa Blackmont de Monpreto, sor.

Bronn soltou uma gargalhada.

– Outra vez lendo livros? Os livros vão arruinar seu olho da espada, garoto. Também vejo um crânio. Um estandarte preto.

– O crânio coroado da Casa Manwoody, osso e ouro sobre negro. – Pod soava mais confiante a cada resposta correta. – Os Manwoody de Tumbarreal.

– Três aranhas pretas?

– São escorpiões, sor. Casa Qorgyle de Arenito, três escorpiões negros sobre vermelho.

– Vermelho e amarelo, com uma linha em zigue-zague entre eles.

– As chamas de Toca do Inferno. Casa Uller.

Tyrion estava impressionado. O rapaz não é nada burro, depois de desatada a língua.

– Continue, Pod – instou. – Se acertar todos, lhe darei um presente.

– Uma rodela com fatias vermelhas e pretas – disse Bronn. – Há uma mão dourada no centro.