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– Sinto algo bastante semelhante ao que senti no Moinho de Pedra logo antes de os berrantes de guerra soarem – disse Edmure, só em parte brincando.

Lothar soltou uma gargalhada bondosa.

– Rezemos para que o seu casamento termine de forma igualmente feliz, senhor.

E que os deuses nos protejam se não terminar. Catelyn encostou os calcanhares no cavalo, deixando o irmão e Lothar Coxo na companhia um do outro.

Tinha sido ela quem insistiu para que Jeyne permanecesse em Correrrio, enquanto Robb preferiria mantê-la ao seu lado. Lorde Walder podia perfeitamente interpretar a ausência da rainha no casamento como outra desfeita, mas sua presença seria outro tipo de insulto, sal nas feridas do velho.

– Walder Frey tem uma língua afiada e uma longa memória – prevenira o filho. – Não duvido que você seja suficientemente forte para aturar as reprimendas do velho como preço a pagar por sua aliança, mas tem em si muito do seu pai para se segurar sentado enquanto ele lança insultos na cara de Jeyne.

Robb não podia negar a sensatez daquilo. Mas, ao mesmo tempo, nutre ressentimento contra mim, e parte dele me culpa pela ausência dela, embora saiba que foi um bom conselho.

Dos seis Westerling que tinham vindo do Despenhadeiro com o filho, só um permanecia ao seu lado; Sor Raynald, irmão de Jeyne, o porta-estandartes real. Robb tinha enviado o tio de Jeyne, Rolph Spicer, para entregar o jovem Martyn Lannister ao Dente Dourado, no mesmo dia em que recebera o acordo de Lorde Tywin com relação à troca de cativos. Tinha sido um gesto hábil. O filho ficava aliviado de seus receios quanto à segurança de Martyn, Galbart Glover ficava aliviado por saber que o irmão Robett tinha sido posto num navio em Valdocaso, Sor Rolph tinha uma tarefa importante e honrosa... e Vento Cinzento estava de novo ao lado do rei. Onde é o lugar dele.

A Senhora Westerling permaneceu em Correrrio com os filhos; Jeyne, a irmã mais nova, Eleyna, e o jovem Rollam, escudeiro de Robb, que protestou amargamente por ser deixado para trás. E, no entanto, isso também era sensato. Olyvar Frey havia sido escudeiro de Robb e estaria sem dúvida presente no casamento da irmã; exibir a ele seu substituto seria tão insensato como grosseiro. Quanto a Sor Raynald, era um alegre jovem cavaleiro que jurou que nenhum insulto de Walder Frey conseguiria provocá-lo. E rezemos para que só tenhamos de lidar com insultos.

Mas Catelyn tinha seus temores a esse respeito. O senhor seu pai nunca voltara a confiar em Walder Frey após o Tridente, e ela tinha isso sempre em mente. A Rainha Jeyne estaria mais segura atrás das altas e fortes muralhas de Correrrio, com o Peixe Negro a protegê-la. Robb até tinha criado para ele um novo título, Protetor das Marcas Meridionais. Se algum homem conseguiria defender o Tridente, esse homem era Sor Brynden.

Fosse como fosse, Catelyn teria saudades do rosto escarpado do tio, e Robb sentiria a falta dos conselhos dele. Sor Brynden desempenhou um papel em todas as vitórias que o filho conquistara. Galbart Glover tomou seu lugar no comando dos batedores e da escolta dianteira; um bom homem, leal e firme, mas sem o brilhantismo do Peixe Negro.

Atrás da tela de batedores de Glover, a linha de marcha de Robb estendia-se por vários quilômetros. Grande-Jon liderava a vanguarda. Catelyn viajava na coluna principal, rodeada por pesados cavalos de guerra com homens cobertos de aço sobre o dorso. Atrás, vinha o comboio da bagagem, uma procissão de carroças carregadas de comida, forragem, material para acampar, presentes de casamento e os feridos que estavam fracos demais para caminhar, vigiados de perto por Sor Wendel Manderly e seus cavaleiros de Porto Branco. Manadas de ovelhas, cabras e bois descarnados seguiam atrás, e depois vinha uma pequena comitiva de seguidoras de acampamentos, de pés doloridos. Ainda mais para trás, avançava Robin Flint e a retaguarda. Não havia inimigos atrás deles ao longo de centenas de quilômetros, mas Robb não queria correr riscos.

Eram três mil e quinhentos, três mil e quinhentos que tinham passado pelo batismo de sangue no Bosque dos Murmúrios, que tinham ruborizado as espadas na Batalha dos Acampamentos, em Cruzaboi, em Cinzamarca, no Despenhadeiro e ao longo dos montes ricos em ouro do ocidente Lannister. À exceção da pequena comitiva de amigos de Lorde Edmure, os senhores do Tridente tinham ficado para trás, a fim de defender as terras fluviais enquanto o rei recuperava o Norte. Em frente esperavam a noiva de Edmure e a batalha seguinte de Robb... e, para mim, dois filhos mortos, uma cama vazia e um castelo cheio de fantasmas. Era uma perspectiva sem alegria. Brienne, onde você está? Devolva-me as minhas meninas, Brienne. Devolva-as em segurança.

A garoa que os tinha acompanhado quando partiram de Correrrio transformou-se numa chuva suave e constante pelo meio-dia e prosseguiu até bem depois do cair da noite. No dia seguinte, os nortenhos não chegaram a ver o sol, avançando sob céus de chumbo com o capuz vestido, a fim de manter a água afastada dos olhos. Era uma chuva pesada que transformava estradas em lama e campos em atoleiros, enchendo os rios e despindo as árvores de suas folhas. O bater constante das gotas tornava a conversa miúda muito difícil para o pouco que importava, e por isso os homens falavam apenas quando tinham algo a dizer, o que era bastante raro.

– Somos mais fortes do que parecemos, senhora – disse a Senhora Maege Mormont enquanto avançavam. Catelyn tinha começado a nutrir amizade pela Senhora Maege e por sua filha mais velha, Dacey; descobrira que eram mais compreensivas do que a maioria no que dizia respeito a Jaime Lannister. A filha era alta e esguia, a mãe, baixa e robusta, mas vestiam-se de forma semelhante, com cota de malha e couro, com o urso negro da Casa Mormont desenhado nos escudos e nos sobretudos. Aos olhos de Catelyn, era um vestuário bizarro para uma senhora, mas Dacey e a Senhora Maege pareciam mais confortáveis, como guerreiras e como mulheres, do que a garota de Tarth jamais esteve.

– Lutei ao lado do Jovem Lobo em todas as batalhas – disse alegremente Dacey Mormont. – Ainda não perdeu nenhuma.

Não, mas perdeu todo o resto, pensou Catelyn, mas não seria bom dizê-lo em voz alta. Aos nortenhos não faltava coragem, mas estavam longe de casa, com pouco que os sustentasse além da fé em seu jovem rei. Essa fé tinha de ser protegida, a todo custo. Tenho de ser mais forte, disse a si mesma. Tenho de ser forte por Robb. Se me desesperar, a dor vai me consumir. Tudo dependia daquele casamento. Se Edmure e Roslin estivessem felizes um com o outro, se o Atrasado Lorde Frey pudesse ser apaziguado e seu poderio de novo casado com o de Robb... Mesmo assim, que chances teremos, encurralados entre os Lannister e os Greyjoy? Era uma questão que Catelyn não se atrevia a aprofundar, embora Robb tratasse de pouco mais do que isso. Ela via como ele estudava seus mapas sempre que montavam o acampamento, em busca de um plano que lhe pudesse reconquistar o Norte.

O irmão Edmure tinha outras preocupações.

– Não acreditam que todas as filhas de Lorde Walder se parecem com ele, não é? – perguntou, ao sentar-se em seu grande pavilhão listrado, com Catelyn e os amigos.

– Com tantas mães diferentes, algumas das donzelas têm necessariamente de sair atraentes – disse Sor Marq Piper –, mas por que haveria o velho patife de lhe dar uma das bonitas?