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– Subam o rio exibindo o meu estandarte. Os cranogmanos vão encontrá-los. Quero dois navios para duplicar as chances de minha mensagem chegar a Howland Reed. A Senhora Maege irá num deles, Galbart no segundo. – Virou-se para os dois que tinha indicado. – Levarão cartas para os meus senhores que permanecem no Norte, mas todas as ordens nelas contidas serão falsas, para o caso de terem o azar de serem capturados. Se isso acontecer, deverão dizer-lhes que se dirigiam ao norte. De volta à Ilha dos Ursos, ou na direção da Costa Pedregosa. – Bateu com um dedo no mapa. – A chave é Fosso Cailin. Lorde Balon sabia disso, e foi por sabê-lo que enviou para lá o irmão Victarion com o núcleo duro das forças Greyjoy.

– Com disputas de sucessão ou sem elas, os homens de ferro não são burros a ponto de abandonar Fosso Cailin – disse a Senhora Maege.

– Não mesmo – admitiu Robb. – Victarion deixará para trás a melhor parte de sua guarnição, suponho. No entanto, cada homem que levar consigo será um homem a menos com que teremos de lutar. E ele irá levar muitos de seus capitães, contem com isso. Os líderes. Precisará desses homens para falar por ele se quiser ter esperança de se sentar na Cadeira da Pedra do Mar.

– Não pode querer atacar pelo talude, Vossa Graça – disse Galbart Glover. – As aproximações são estreitas demais. Não há maneira de desdobrar em linha. Nunca ninguém tomou o Fosso.

– A partir do sul – disse Robb. – Mas se pudermos atacar ao mesmo tempo a partir de norte e de oeste, e pegar os homens de ferro pela retaguarda enquanto eles afastam aquilo que julgam ser o ataque principal, ao longo do talude, então temos uma chance. Depois de me unir a Lorde Bolton e aos Frey, terei mais de doze mil homens. Pretendo dividi-los em três batalhões e fazê-los avançar pelo talude com meio dia de intervalo. Se os Greyjoy têm olhos ao sul do Gargalo, verão todas as minhas forças correndo impetuosamente contra Fosso Cailin.

“Roose Bolton ficará à frente da retaguarda, enquanto eu comandarei o centro. Grande-Jon, você liderará a vanguarda contra Fosso Cailin. Seu ataque deverá ser tão violento que os homens de ferro não tenham tempo para se perguntar se alguém estará se esgueirando sobre eles a partir do norte.”

Grande-Jon soltou um risinho.

– É melhor que os seus homens cheguem se esgueirando depressa, senão os meus homens assaltam aquelas muralhas e conquistam Fosso Cailin antes que mostre a cara. Darei o castelo de presente ao senhor quando chegar do passeio.

– Esse é um presente que ficarei feliz em aceitar – disse Robb.

Edmure franzia a testa.

– Fala de atacar os homens de ferro pela retaguarda, senhor, mas como planeja passar para norte deles?

– Há caminhos através do Gargalo que não se encontram em nenhum mapa, tio. Caminhos que só os cranogmanos conhecem... estreitas trilhas entre os pântanos e as estradas aquáticas através dos juncos que só barcos podem seguir. – Virou-se para os dois mensageiros. – Digam a Howland Reed que ele deve me enviar guias, dois dias depois de eu começar a subir o talude. Que os envie para o batalhão central, onde flutua o meu estandarte. Três tropas partirão das Gêmeas, mas só duas chegarão a Fosso Cailin. Meu batalhão vai se dissolver no Gargalo, para voltar a emergir no Febre. Se formos rápidos depois do casamento de meu tio, poderemos estar todos em posição por volta do fim do ano. Cairemos sobre o Fosso de três lados no primeiro dia do novo século, no momento em que os homens de ferro acordarem com martelos batendo nas cabeças do hidromel que vão emborcar na noite anterior.

– Gosto desse plano – disse Grande-Jon. – Gosto bastante dele.

Galbart Glover esfregou a boca.

– Há riscos. Se os cranogmanos falharem...

– Não ficaremos pior do que antes. Mas eles não falharão. Meu pai conhecia o valor de Howland Reed. – Robb enrolou o mapa, e só então olhou para Catelyn. – Mãe.

Ficou tensa.

– Tem algum papel nisso para mim?

– O seu papel é ficar a salvo. Nossa viagem através do Gargalo será perigosa, e nada nos espera no norte a não ser batalhas. Mas Lorde Mallister teve a bondade de se oferecer para mantê-la em segurança em Guardamar até a guerra acabar. Sei que lá estará confortável.

Será esta a minha punição por me opor a ele no assunto de Jon Snow? Ou por ser uma mulher e, pior, uma mãe? Precisou de um momento para perceber que todos a observavam. Eles já sabiam, compreendeu. Catelyn não devia ter se surpreendido. Não conquistara amigos ao libertar o Regicida, e mais de uma vez tinha ouvido Grande-Jon dizer que um campo de batalha não era lugar para mulheres.

A fúria deve ter relampejado em seu rosto, porque Galbart Glover interveio antes que dissesse uma palavra.

– Senhora, Sua Graça é sensato. É melhor que não venha conosco.

– Guardamar será iluminada por sua presença, Senhora Catelyn – disse Lorde Jason Mallister.

– Quer fazer de mim uma prisioneira – disse ela.

– Uma hóspede de honra – insistiu Lorde Jason.

Catelyn virou-se para o filho.

– Não pretendo ofender Lorde Jason – disse, rigidamente –, mas se não puder prosseguir com você, preferiria voltar a Correrrio.

– Deixei a minha esposa em Correrrio. Quero a minha mãe em outro lugar. Se você guardar todos os seus tesouros numa bolsa, só estará tornando a vida daqueles que querem assaltá-lo mais fácil. Após o casamento, irá para Guardamar, e esta é a minha ordem régia. – Robb levantou-se, e, com igual rapidez, seu destino ficou decidido. Pegou uma folha de pergaminho. – Mais uma coisa. Lorde Balon deixou o caos atrás de si, esperamos nós. Eu não farei o mesmo. Mas ainda não tenho um filho, meus irmãos Bran e Rickon estão mortos e minha irmã encontra-se casada com um Lannister. Refleti longa e duramente sobre quem poderá me suceder. Ordeno-lhes agora, como meus senhores legítimos e leais, que coloquem seus selos neste documento como testemunhas de minha decisão.

Deveras um rei, pensou Catelyn, derrotada. Só podia esperar que a armadilha que ele tinha planejado para Fosso Cailin funcionasse tão bem quanto aquela na qual acabara de prendê-la.

Samwell

Brancarbor, pensou Sam. Por favor, que isto seja Brancarbor. Lembrava-se de Brancarbor. Ficava nos mapas que tinha desenhado, rumo ao norte. Se aquela aldeia fosse Brancarbor, saberia onde se encontravam. Por favor, tem de ser. Desejava isso tanto que se esqueceu dos pés por um instante, esqueceu-se das dores nas panturrilhas e nos rins e dos dedos rígidos e tão gelados que quase não sentia. Até se esqueceu de Lorde Mormont e de Craster, das criaturas e dos Outros. Brancarbor, rezou Sam, a qualquer deus que pudesse estar ouvindo.

Mas todas as aldeias selvagens eram muito parecidas umas com as outras. Um enorme represeiro crescia no centro daquela... mas uma árvore branca não queria necessariamente dizer Brancarbor. O represeiro em Brancarbor não era maior do que aquele? Talvez estivesse se lembrando mal. O rosto esculpido no tronco branco como osso era longo e triste; lágrimas vermelhas de seiva seca escorriam de seus olhos. Era esse o seu aspecto quando viemos para o norte? Sam não conseguia se lembrar.

Em volta da árvore erguia-se um punhado de cabanas de um só cômodo, com telhado de turfa, um edifício comprido feito de troncos e coberto de musgo, um poço de pedra, um curral de ovelhas... mas sem ovelhas, e sem pessoas. Os selvagens tinham partido para se juntar a Mance Rayder nas Presas de Gelo, levando tudo que possuíam, exceto suas casas. Sam sentia-se grato por isso. A noite estava chegando, e seria bom dormir sob um teto, para variar. Estava tão cansado. Parecia que tinha passado metade da vida caminhando. Suas botas estavam se desfazendo, e todas as bolhas em seus pés tinham estourado e se transformado em calos, mas agora tinha bolhas novas debaixo dos calos e os dedos dos pés estavam ficando queimados pelo frio.