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– Aguardei o nosso jantar com tanta expectativa.

– Margaery também, assim como a senhora minha avó. – Tomou seu braço e levou-a na direção dos degraus.

– Sua avó? – Sansa estava achando difícil caminhar, conversar e pensar ao mesmo tempo, com Sor Loras tocando seu braço. Sentia o calor de sua mão através da seda.

– A Senhora Olenna. Ela também deverá jantar com você.

– Oh – disse Sansa. Estou falando com ele, e ele está me tocando, está segurando meu braço e me tocando. – Chamam-na de Rainha dos Espinhos. Não é verdade?

– É. – Sor Loras soltou uma gargalhada. Ele tem a mais quente das gargalhadas, pensou Sansa enquanto o jovem prosseguia – Mas é melhor que não use esse nome na presença dela, caso contrário é provável que seja espetada.

Sansa corou. Qualquer idiota teria compreendido que nenhuma mulher ficaria feliz por ser chamada de “Rainha dos Espinhos”. Talvez eu seja mesmo tão burra quanto Cersei Lannister diz. Tentou desesperadamente pensar em algo inteligente e encantador para lhe dizer, mas a esperteza a tinha abandonado. Quase lhe disse como era belo, até se lembrar de que já tinha feito isso.

Mas ele era belo. Parecia mais alto do que quando o vira pela primeira vez, mas mantinha a agilidade e a graciosidade, e Sansa nunca vislumbrara outro garoto com olhos tão maravilhosos. Mas ele não é um garoto, é um homem-feito, um cavaleiro da Guarda Real. Achou que sua aparência era ainda melhor de branco do que com o verde e dourado da Casa Tyrell. O único ponto de cor que havia nele agora era o broche que prendia seu manto; a rosa de Jardim de Cima trabalhada em ouro mole amarelo, aninhada em uma base de delicadas folhas verdes de jade.

Sor Balon Swann abriu a porta de Maegor para eles passarem. Estava também todo de branco, embora a cor nem de perto o vestisse tão bem quanto a Sor Loras. Para lá do fosso dos espigões, duas dúzias de homens treinavam com espadas e escudos. Com o castelo tão cheio, o pátio exterior fora dado aos visitantes, para ali levantarem suas tendas e pavilhões, deixando apenas os pátios interiores, menores, para os treinos. Um dos gêmeos Redwyne estava sendo encurralado por Sor Tallad, com os olhos postos em seu escudo. O atarracado Sor Kennos, de Kayce, que mostrava os dentes e bufava sempre que erguia a espada, parecia estar se defendendo bem contra Osney Kettleblack, mas o irmão de Osney, Sor Osfryd, castigava violentamente o escudeiro com cara de rã, Morros Slynt. Com ou sem espadas embotadas, Slynt teria uma rica safra de hematomas na manhã seguinte. Sansa estremeceu só de ver. Eles mal acabaram de enterrar os mortos da última batalha e já estão treinando para a próxima.

Na extremidade do pátio, um cavaleiro solitário, com um par de rosas douradas no escudo, defendia-se de três oponentes. Precisamente no momento em que Sansa os observava, o cavaleiro golpeou um dos oponentes na parte lateral da cabeça, deixando-o sem sentidos.

– Aquele é seu irmão? – perguntou Sansa.

– Sim, senhora – disse Sor Loras. – Garlan treina frequentemente contra três homens, ou mesmo quatro. Ele diz que em batalha é raro que se lute um contra um, e por isso gosta de estar preparado.

– Deve ser muito corajoso.

– É um grande cavaleiro – respondeu Sor Loras. – Na verdade, é melhor espadachim do que eu, embora eu seja melhor lanceiro.

– Eu me lembro – disse Sansa. – Cavalga maravilhosamente, sor.

– A senhora é amável por dizer tal coisa. Quando foi que me viu montar?

– No torneio da Mão, não se recorda? Montou um corcel branco, e sua armadura era feita de uma centena de diferentes espécies de flores. Você me deu uma rosa. Uma rosa vermelha. Nesse dia atirou rosas brancas às outras mulheres. – Falar daquilo fazia-a corar. – Disse que nenhuma vitória possuía sequer metade da minha beleza.

Sor Loras dirigiu-lhe um sorriso modesto.

– Disse apenas uma verdade simples, que qualquer homem com olhos pode ver.

Ele não se lembra, compreendeu Sansa, sobressaltada. Está só sendo gentil comigo, não se lembra de mim, da rosa ou de qualquer outra coisa. Tivera tanta certeza de que o acontecimento tinha significado algo, de que tinha significado tudo. Uma rosa vermelha, e não branca.

– Foi depois de ter derrubado Sor Robar Royce – disse ela, desesperada.

Ele tirou a mão de seu braço.

– Matei Robar em Ponta Tempestade, senhora. – Não estava se vangloriando; sua voz soava triste.

Ele e outro dos homens da Guarda Arco-Íris do Rei Renly, sim. Sansa ouviu as mulheres falar disso em volta do poço, mas por um momento tinha se esquecido.

– Foi quando Lorde Renly foi morto, não foi? Que coisa terrível para sua pobre irmã.

– Para Margaery? – a voz dele estava tensa. – Com certeza. Mas ela estava em Pontamarga. Não viu nada.

– Mesmo assim, quando ouviu a notícia...

Sor Loras afagou ligeiramente o cabo da espada com a mão. O punho era de couro branco, o botão, uma rosa de alabastro.

– Renly está morto. Robar também. Por que falar deles?

A aspereza em seu tom pegou-a desprevenida.

– Eu... senhor, eu... não pretendia ofendê-lo, sor.

– Nem poderia fazê-lo, Senhora Sansa – respondeu Sor Loras, mas todo o calor tinha desaparecido de sua voz. Nem voltou a tomar seu braço.

Subiram a escada em espiral num profundo silêncio.

Oh, por que eu tinha de mencionar Sor Robar? pensou Sansa. Estraguei tudo. Ele agora está zangado comigo. Tentou pensar em alguma coisa que pudesse dizer para fazer as pazes, mas todas as palavras que passavam por sua cabeça eram capengas e fracas. Fique calada, senão vai ficar ainda pior, disse a si mesma.

Lorde Mace Tyrell e sua comitiva tinham sido alojados atrás do septo real, na longa fortaleza com telhado de ardósia, que era chamada de Arcada das Donzelas desde que o Rei Baelor, o Abençoado, confinara ali as irmãs, para que a visão delas não o tentasse a ter pensamentos carnais. Junto às suas portas altas e esculpidas encontravam-se dois guardas com meio elmo dourado e manto verde debruado de cetim dourado, com a rosa dourada de Jardim de Cima cosida no peito. Ambos tinham mais de dois metros e dez de altura e eram largos de ombros e estreitos de cintura, magnificamente musculosos. Quando Sansa se aproximou o suficiente para ver seus rostos, não foi capaz de distingui-los um do outro. Possuíam os mesmos maxilares fortes, os mesmos profundos olhos azuis, os mesmos densos bigodes ruivos.

– Quem são eles? – perguntou a Sor Loras, momentaneamente esquecida do embaraço.

– A guarda pessoal de minha avó – disse-lhe ele. – A mãe deles os chamou de Erryk e Arryk. Minha avó não consegue distingui-los, por isso os chama de Esquerdo e Direito.

Esquerdo e Direito abriram as portas, e a própria Margaery Tyrell surgiu e desceu saltitante o pequeno lance de escadas, ao encontro dos recém-chegados.

– Senhora Sansa – gritou –, estou tão contente por ter vindo. Seja bem-vinda.

Sansa ajoelhou aos pés de sua futura rainha.

– A senhora me concede uma grande honra, Vossa Graça.

– Por que não me chama de Margaery? Por favor, levante-se. Loras, ajude a Senhora Sansa a ficar em pé. Posso chamá-la de Sansa?

– Se lhe agradar.

Sor Loras fez o que lhe foi pedido. Margaery mandou-o embora com um beijo fraternal e pegou a mão de Sansa.

– Venha, minha avó a espera, e ela não é a mais paciente das senhoras.

O fogo crepitava na lareira, e esteiras com um cheiro doce tinham sido espalhadas pelo chão. Uma dúzia de mulheres estava sentada em volta da longa mesa de montar.

Sansa só reconheceu a alta e digna esposa de Lorde Tyrell, a Senhora Alerie, cuja longa trança prateada se encontrava presa com anéis incrustados de joias. Margaery fez as outras apresentações. Havia três primas Tyrell, Megga, Alla e Elinor, todas com idades próximas à de Sansa. A roliça Senhora Janna era irmã de Lorde Tyrell, e era casada com um dos Fossoway da maçã verde; a graciosa Senhora Leonette, de olhos brilhantes, era também uma Fossoway, casada com Sor Garlan. A Septã Nysterica possuía um rosto modesto e marcado por varíola, mas parecia alegre. A pálida e elegante Senhora Graceford esperava criança, e a Senhora Bulwer era uma criança, com não mais de oito anos. E “Merry” era como ela chamaria a rude e encorpada Meredyth Crane, mas decididamente não a Senhora Merryweather, uma apaixonante beleza de Myr, de olhos negros.