Выбрать главу

– Senhora Sansa – disse-lhe –, esta noite será a mais bela senhora no salão.

– O senhor é bondoso demais.

– Senhora – disse Shae em tom desejoso. – Eu não poderia ir servir às mesas? Quero tanto ver os pombos saírem voando da torta.

Sansa olhou-a com incerteza.

– A rainha escolheu todos os criados.

– E o salão estará muito cheio de gente. – Tyrion teve de reprimir o aborrecimento. – Mas haverá músicos por todo o castelo, e mesas no pátio exterior com comida e bebida para todos. – Inspecionou o seu gibão novo, de veludo carmesim com ombros almofadados e mangas bufantes com cortes que mostravam o cetim negro que tinham por baixo. Um belo traje. Tudo o que precisa é de um belo homem para vesti-lo. – Venha, Pod, ajude-me a entrar nisto.

Bebeu outra taça de vinho enquanto se vestia, e então tomou a esposa pelo braço e acompanhou-a para fora da Fortaleza das Cozinhas, a fim de se juntarem ao rio de seda, cetim e veludo que fluía para a sala do trono. Alguns convidados já tinham ocupado seus lugares nos bancos. Outros zanzavam diante das portas, aproveitando o calor fora de época da tarde. Tyrion desfilou com Sansa em volta do pátio, a fim de cumprir as cortesias da praxe.

Ela é boa nisso, pensou, enquanto a observava dizer ao Lorde Gyles que sua tosse parecia melhor, elogiar Elinor Tyrell pelo vestido e interrogar Jalabhar Xho acerca dos costumes nupciais das Ilhas do Verão. O primo de Tyrion, Sor Lancel, havia sido trazido para baixo por Sor Kevan, era a primeira vez que deixava a cama desde a batalha. Tem um aspecto horrível. Os cabelos de Lancel tinham se tornado brancos e quebradiços, e ele estava magro como um espeto. Se não tivesse o pai ao seu lado para mantê-lo em pé, certamente teria tombado no chão. Mas quando Sansa elogiou sua bravura e disse como era bom vê-lo ganhando forças de novo, tanto Lancel como Sor Kevan resplandeceram. Ela teria sido uma boa rainha e uma esposa ainda melhor para Joffrey se ele tivesse tido o bom-senso de amá-la. Perguntou a si mesmo se o sobrinho seria capaz de amar alguém.

– Seu visual está muito requintado, filha – disse a Senhora Olenna Tyrell a Sansa quando se aproximou deles em seu passo titubeante, trajando um vestido de pano de ouro que devia pesar mais do que ela. – Mas o vento desmanchou seus cabelos. – A pequena velha esticou-se e ocupou-se com as madeixas soltas, voltando a colocá-las no lugar e endireitando a rede para cabelo de Sansa. – Fiquei muito triste quando soube de suas perdas – disse enquanto remexia e repuxava. – Seu irmão era um horrível traidor, eu sei, mas se começarmos a matar homens em bodas, eles ficarão com ainda mais medo do casamento do que já têm. Pronto, assim está melhor. – A Senhora Olenna sorriu. – Tenho o prazer de dizer que parto para Jardim de Cima depois de amanhã. Já estou por aqui desta cidade malcheirosa, muito obrigada. Talvez queira me acompanhar para uma pequena visita, enquanto os homens estão longe entretidos com a guerra deles? Vou sentir uma falta tão terrível de minha Margaery, e de todas as suas adoráveis senhoras. Sua companhia seria um conforto tão querido.

– É gentil demais, senhora – disse Sansa –, mas o meu lugar é junto do senhor meu esposo.

A Senhora Olenna concedeu a Tyrion um sorriso enrugado e desdentado.

– Oh? Perdoe uma velha tonta, senhor, não pretendi roubar a sua adorável esposa de você. Assumi que estaria longe, liderando uma tropa Lannister contra um inimigo malvado qualquer.

– Uma tropa de dragões e veados. O mestre da moeda tem de permanecer na corte para garantir que todos os exércitos sejam pagos.

– Com certeza. Dragões e veados, é muito inteligente. E também a moeda do anão. Já ouvi falar dessa moeda do anão. Sem dúvida que coletá-la é uma ocupação tão desagradável.

– Deixo a outros a coleta, senhora.

– Ah, deixa? Eu pensava que gostaria de tratar disso em pessoa. Não podemos admitir que a Coroa seja espoliada de sua moeda do anão. Podemos?

– Que os deuses não o permitam. – Tyrion começava a perguntar a si mesmo se Lorde Luthor Tyrell não teria cavalgado falésia abaixo intencionalmente. – Se nos perdoar, Senhora Olenna, é hora de ocuparmos nosso lugar.

– E eu também. Setenta e sete pratos, certamente. Não acha que isso é um pouco excessivo, senhor? Eu não comerei mais do que três ou quatro garfadas, mas nós dois somos muito pequenos, não somos? – voltou a dar palmadinhas nos cabelos de Sansa e disse: – Bem, vá lá, filha, e tente se mostrar mais alegre. Onde se meteram os meus guardas? Esquerdo, Direito, onde estão? Venham me ajudar a subir para o estrado.

Embora o anoitecer ainda estivesse a uma hora de distância, a sala do trono já estava um esplendor de luz, com tochas ardendo em todas as arandelas. Os convidados alinhavam-se, em pé, ao longo das mesas, enquanto arautos gritavam nome e títulos dos senhores e senhoras que faziam sua entrada. Pajens com a libré real escoltavam-nos pelo largo corredor central. A galeria encontrava-se repleta de músicos; tambores, flautistas e rabequeiros, corda, sopro e percussão.

Tyrion pegou no braço de Sansa e fez a caminhada num passo pesado e bamboleante. Sentia os olhos postos nele, espiando a nova cicatriz que o tinha deixado ainda mais feio do que já era. Que olhem, pensou enquanto saltava para a cadeira. Que me encarem e que murmurem até se fartarem, não me esconderei por causa deles. A Rainha dos Espinhos seguiu-o, avançando com passinhos minúsculos. Tyrion perguntou a si mesmo qual dos dois pareceria mais absurdo, ele com Sansa ou a mulherzinha encarquilhada entre seus guardas gêmeos de dois metros e dez de altura.

Joffrey e Margaery entraram na sala do trono montados em cavalos brancos combinando. Pajens corriam à frente deles, espalhando pétalas de rosa sob os cascos. O rei e a rainha também tinham se trocado para o banquete. Joffrey usava calções com listras negras e carmesim e um gibão de pano de ouro com mangas de cetim negro e rebites de ônix. Margaery trocou o vestido recatado que tinha usado no septo por outro muito mais revelador, um traje de samito verde-claro com um corpete em renda miúda que lhe desnudava os ombros e a parte superior de seus pequenos seios. Soltos, os suaves cabelos castanhos caíam sobre seus ombros brancos e desciam pelas costas quase até a cintura. Na testa trazia uma esguia coroa de ouro. Seu sorriso era tímido e doce. Uma garota adorável, pensou Tyrion, e um destino mais gentil do que o que o meu sobrinho merece.

A Guarda Real escoltou-os até o estrado, até os lugares de honra à sombra do Trono de Ferro, envolto para a ocasião em longas flâmulas do dourado Baratheon, do carmesim Lannister e do verde Tyrell. Cersei abraçou Margaery e beijou suas bochechas. Lorde Tywin fez o mesmo, e o mesmo fizeram Lancel e Sor Kevan. Joffrey recebeu beijos de carinho do pai da noiva e de seus dois novos irmãos, Loras e Garlan. Ninguém pareceu muito ansioso por beijar Tyrion. Depois do rei e da rainha ocuparem seus lugares, o Alto Septão levantou-se para comandar uma prece. Pelo menos não é tão monótono quanto o último, pensou Tyrion, consolando-se.

Ele e Sansa tinham sido postos em lugares distantes à direita do rei, ao lado de Sor Garlan Tyrell e de sua esposa, a Senhora Leonette. Havia uma dúzia de outros convivas sentados mais perto de Joffrey, o que um homem mais suscetível teria tomado como uma afronta, dado ter sido Mão do Rei não muito tempo antes. Tyrion teria se sentido contente se esses convivas tivessem sido cem.

– Que as taças sejam enchidas! – proclamou Joffrey, depois que os deuses receberam o que lhes era devido. Seu copeiro despejou um jarro inteiro de escuro tinto da Árvore no cálice nupcial de ouro que Lorde Tyrell lhe dera naquela manhã. O rei teve de usar ambas as mãos para erguê-lo. – À minha esposa, a rainha!