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A Senhora Olenna Tyrell e a neta trocaram olhares.

– Ah – disse a velha –, isso é uma pena.

Oh, deuses, pensou Sansa, horrorizada. Se Margaery não se casar com ele, Joff saberá que a culpa é minha.

– Por favor – suplicou –, não impeça o casamento...

– Não tenha medo, Lorde Peixe-Balão está determinado a que Margaery seja rainha. E a palavra de um Tyrell vale mais do que todo o ouro de Rochedo Casterly. Pelo menos era assim na minha época. Seja como for, agradecemos pela verdade, filha.

– … DANÇOU E GIROU ATÉ CHEGAR AO CONCURSO! CONCURSO! CONCURSO! – o Abetouro saltava, rugia e batia os pés.

– Sansa, gostaria de visitar Jardim de Cima? – quando Margaery Tyrell sorria, parecia-se muito com o irmão Loras. – Todas as flores do outono estão em botão nesta época, e há bosques e fontes, pátios cheios de sombras, colunatas de mármore. O senhor meu pai sempre mantém cantores na corte, melhores do que o Abinho aqui, e também flautistas, rabequeiros e harpistas. Temos os melhores cavalos e barcos de lazer para viajar ao longo do Vago. Você pratica falcoaria, Sansa?

– Um pouco – admitiu.

OH, E ELA ERA DOCE E PURA E BELA! A DONZELA COM MEL NOS CABELOS!

– Vai gostar tanto de Jardim de Cima quanto eu, sei que sim. – Margaery empurrou para trás uma madeixa solta dos cabelos de Sansa. – Assim que vir o castelo, nunca mais vai querer partir. E talvez não tenha que fazer isso.

CABELOS! CABELOS! A DONZELA COM MEL NOS CABELOS!

– Chiu, filha – disse a Rainha dos Espinhos em tom penetrante. – Sansa nem sequer nos disse que gostaria de ir até lá como visita.

– Ah, mas gostaria – disse Sansa. Jardim de Cima parecia ser o lugar com que sempre sonhara, como a bela corte mágica que um dia esperara encontrar em Porto Real.

– … CHEIROU O ODOR NO AR DE VERÃO. O URSO! O URSO! PRETO E CASTANHO E COBERTO DE PELO.

– Mas a rainha – prosseguiu Sansa –, ela não me deixará ir...

– Deixará. Sem Jardim de Cima, os Lannister não têm esperança de manter Joffrey no trono. Se o meu filho, o lorde idiota, pedir, ela não terá outra escolha a não ser conceder-lhe o pedido.

– Ele faria isso? – perguntou Sansa. – Ele pedirá?

A Senhora Olenna franziu a testa.

– Não vejo necessidade de lhe dar outra escolha. Claro, ele não faz a mínima ideia de nosso verdadeiro propósito.

CHEIROU O ODOR NO AR DE VERÃO!

Sansa franziu a testa.

– O nosso verdadeiro propósito, senhora?

FUNGOU E RUGIU E CHEIROU-O, BABÃO! MEL NO AR DE VERÃO!

– Tratar de casá-la em segurança, filha – disse a velha, enquanto o Abetouro berrava a velhíssima canção –, com o meu neto.

Casar com Sor Loras, oh... A respiração de Sansa ficou presa na garganta. Lembrou-se de Sor Loras em sua cintilante armadura de safiras, atirando-lhe uma rosa. Sor Loras vestido de seda branca, tão puro, inocente e belo. As covinhas nos cantos da boca quando sorria. A doçura de seu riso, o calor de sua mão. Só podia imaginar o que seria tirar sua túnica e acariciar a pele suave, ficar nas pontas dos pés e beijá-lo, correr os dedos por aqueles espessos caracóis castanhos e afogar-se em seus profundos olhos castanhos. Uma vermelhidão subiu por seu pescoço.

OH, SOU UMA DONZELA, E SOU PURA E BELA! NÃO DANÇAREI C’UM URSO PELUDO! UM URSO! UM URSO! NÃO DANÇAREI C’UM URSO PELUDO!

– Gostaria disso, Sansa? – perguntou Margaery. – Nunca tive uma irmã, só irmãos. Oh, por favor, diga que sim, por favor, diga que consentirá em se casar com meu irmão.

As palavras precipitaram-se para fora de sua boca.

– Sim, eu me caso. Nada me agradaria mais. Casar com Sor Loras, amá-lo...

Loras? – a Senhora Olenna fez uma expressão aborrecida. – Não seja tola, filha. A Guarda Real nunca se casa. Não lhe ensinaram nada em Winterfell? Estávamos falando de meu neto Willas. Ele é um pouco velho para você, com certeza, mas um rapaz adorável, apesar de tudo. Nem um pouquinho imbecil, e além disso herdeiro de Jardim de Cima.

Sansa sentiu vertigem; num instante sua cabeça estava cheia de sonhos sobre Loras, e no seguinte tinham-lhe tirado todos. Willas? Willas?

– Eu – disse, estupidamente. A cortesia é a armadura de uma senhora. Não pode ofendê-los, tenha cuidado com o que diz. – Eu não conheço Sor Willas. Nunca tive o prazer, minha senhora. Ele é... é um cavaleiro tão bom quanto os irmãos?

... ERGUEU-A NO AR C’UMA MÃO! O URSO! O URSO!

– Não – disse Margaery. – Nunca prestou juramento.

A avó franziu a testa.

– Conte a verdade à garota. O pobre rapaz é aleijado, e é assim que as coisas são.

– Foi ferido quando era escudeiro, ao participar de seu primeiro torneio – confidenciou Margaery. – O cavalo caiu e esmagou a perna de Willas.

– A culpa foi daquela serpente de Dorne, aquele Oberyn Martell. E o meistre dele também.

– QUIS UM CAVALEIRO, MAS VOCÊ É UM URSO! UM URSO! UM URSO! PRETO E CASTANHO E COBERTO DE PELO!

– Willas tem uma perna ruim mas um bom coração – disse Margaery. – Costumava ler para mim quando eu era uma menininha, e fazia desenhos das estrelas para mim. Vai amá-lo tanto como nós, Sansa.

‘SPERNEOU E CHOROU, A DONZELA TÃO BELA, MAS ELE LAMBEU-LHE O MEL DOS CABELOS. CABELOS! CABELOS! LAMBEU-LHE O MEL DOS CABELOS!

– Quando poderei conhecê-lo? – perguntou Sansa, hesitante.

– Em breve – prometeu Margaery. – Quando for a Jardim de Cima, depois de Joffrey e eu nos casarmos. Minha avó vai levá-la.

– Levarei – disse a velha, dando palmadinhas na mão de Sansa e abrindo um sorriso suave cheio de rugas. – Levarei mesmo.

ENTÃO SUSPIROU E GUINCHOU E ATÉ ‘SPERNEOU! MEU URSO! CANTOU. MEU URSO TÃO BELO! E DAQUI PARA LÁ FORAM PELO PERCURSO, O URSO, O URSO E A BELA DONZELA. – O Abetouro rugiu o último verso, deu um salto e caiu sobre ambos os pés com um estrondo que fez balançar as taças de vinho sobre a mesa. As mulheres riram e aplaudiram.

– Achava que essa terrível canção nunca mais acabaria – disse a Rainha dos Espinhos. – Mas, olhem, aí vem o meu queijo.

Jon

O mundo era uma escuridão cinzenta e fria, com cheiro de pinheiro e musgo. Névoas pálidas erguiam-se da terra negra enquanto os cavaleiros abriam caminho pela confusão de pedras e árvores deformadas na direção das bem-vindas fogueiras que se espalhavam como joias no fundo do vale do rio, lá embaixo. Havia mais fogueiras do que Jon Snow conseguia contar, centenas delas, milhares, um segundo rio de luzes tremeluzentes ao longo das margens do Guadeleite, branco de gelo. Os dedos da mão que manejava a espada se abriram e fecharam.

Desceram a vertente sem estandartes nem trombetas, num silêncio interrompido apenas pelo murmúrio distante do rio, pelo ruído dos cascos e pelos estalidos da armadura de ossos do Camisa de Chocalho. Em algum lugar, lá no alto, uma águia pairava, com grandes asas azul-acinzentadas abertas, enquanto embaixo seguiam homens, cães, cavalos e um gigante lobo branco.

Uma pedra rolou encosta abaixo, perturbado por um casco de passagem, e Jon viu Fantasma virar a cabeça ao ouvir o súbito som. Ele tinha seguido os cavaleiros a distância o dia todo, como era seu costume, mas quando a lua se ergueu sobre os pinheiros marciais, aproximou-se aos saltos, com os olhos vermelhos brilhando. Os cães do Camisa de Chocalho receberam-no com um coro de rosnidos e violentos latidos, como sempre, mas o lobo gigante não lhes deu importância. Seis dias antes, o maior dos cães atacara-o por trás enquanto os selvagens acampavam à noite, mas Fantasma virara-se e mordera-o, colocando o cão para correr com um quadril ensanguentado. Depois disso, o resto da matilha passou a guardar uma distância saudável.