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Lorde Tywin havia recusado.

– Já haverá problemas suficientes com Lançassolar por causa da morte do Príncipe Oberyn. Não pretendo tornar as coisas piores prendendo seus companheiros.

– Então temo que Sor Gregor possa morrer.

– Sem dúvida que sim. Jurei que morreria na carta que enviei ao Príncipe Doran com o corpo do irmão. Mas tem de ser visto que foi a espada do Magistrado do Rei que o matou, e não uma lança envenenada. Cure-o.

O Grande Meistre Pycelle pestanejou, desalentado.

– Senhor...

Cure-o – voltou a dizer Lorde Tywin, enfadado. – Vocês estão cientes de que Lorde Varys mandou pescadores para as águas que rodeiam Pedra do Dragão. Eles relatam que só resta uma força simbólica para defender a ilha. Os lisenos desapareceram da baía, e a maior parte das forças de Lorde Stannis desapareceu junto.

– Boas e melhores novas – anunciou Pycelle. – Que Stannis apodreça em Lys, digo eu. Estamos livres do homem e de suas ambições.

– Transformou-se num completo idiota quando Tyrion cortou sua barba? Estamos falando de Stannis Baratheon. O homem lutará até o fim, e mesmo depois. Se desapareceu, isso só pode querer dizer que pretende retomar a guerra. O mais provável é que desembarque em Ponta Tempestade e tente inflamar os senhores da tempestade. Se assim for, está acabado. Mas um homem mais ousado poderia jogar os dados com Dorne. Se ele conquistasse Lançassolar para a sua causa, poderia prolongar esta guerra durante anos. Portanto, não iremos ofender os Martell mais ainda, seja por que motivo for. Os dorneses são livres para partir, e você irá curar Sor Gregor.

E assim a Montanha gritava, noite e dia. Lorde Tywin Lannister conseguia intimidar até o Estranho, aparentemente.

Enquanto Jaime subia os degraus em espiral da Torre da Espada Branca, ouvia Sor Boros roncando em sua cela. A porta de Sor Balon também estava fechada; tinha ficado com o rei naquela noite e dormiria o dia inteiro. À parte os roncos de Blount, a torre estava muito silenciosa. Isso convinha bastante a Jaime. Eu devia descansar. Na noite anterior, depois de sua dança com Sor Addam, sentira-se dolorido demais para dormir.

Mas quando entrou no quarto, encontrou a irmã à sua espera.

Ela estava junto da janela aberta, olhando para lá das muralhas exteriores, para o mar. O vento da baía rodopiava à sua volta, encostando o vestido ao corpo dela de um modo que acelerou o pulso de Jaime. Era branco, aquele vestido, como os reposteiros que pendiam da parede e os cortinados da cama. Voltas de minúsculas esmeraldas alegravam as pontas de suas largas mangas e espiralavam pelo corpete abaixo. Esmeraldas maiores estavam embutidas na teia dourada que prendia seus cabelos dourados. O vestido tinha um corte baixo, desnudando-lhe os ombros e a parte de cima dos seios. Ela é tão bela. Nada mais desejava exceto tomá-la nos braços.

– Cersei. – Fechou a porta sem fazer barulho. – Por que está aqui?

– Para onde mais poderia ir? – quando se virou para ele, havia lágrimas em seus olhos. – O pai deixou claro que já não sou desejada no conselho. Jaime, não pode falar com ele?

Jaime tirou o manto e pendurou-o num gancho na parede.

– Falo todos os dias com Lorde Tywin.

– Você tem de ser assim tão teimoso? Tudo que ele quer...

– ... é forçar-me a sair da Guarda Real e mandar-me de volta para Rochedo Casterly.

– Isso não pode ser assim tão terrível. Ele também vai me mandar de volta para Rochedo Casterly. Quer que eu esteja longe, para que possa ter a mão livre com Tommen. Tommen é meu filho, não dele!

– Tommen é o rei.

– Ele é um garoto! Um garotinho assustado que viu o irmão ser assassinado no próprio casamento. E agora dizem-lhe que precisa se casar. A garota tem o dobro da idade dele e é duas vezes viúva!

Jaime deixou-se cair numa cadeira, tentando ignorar a dor dos músculos machucados.

– Os Tyrell são insistentes. Não vejo mal nisso. Tommen tem se sentido sozinho desde que Myrcella foi para Dorne. Ele gosta de ter Margaery e suas senhoras por perto. Que se casem.

– Ele é seu filho...

– Ele é da minha semente. Nunca me chamou de pai. Assim como Joffrey. Você avisou-me mil vezes para nunca mostrar interesse indevido por eles.

– Para mantê-los a salvo! E você também. O que pareceria se o meu irmão se fizesse de pai com os filhos do rei? Até Robert poderia ter começado a desconfiar.

– Bem, ele agora já está para lá da desconfiança. – A morte de Robert ainda deixava um sabor amargo na boca de Jaime. Devia ter sido eu a matá-lo, e não Cersei. – Só desejaria que ele tivesse morrido pelas minhas mãos. – Quando eu ainda tinha duas. – Se tivesse deixado o regicídio tornar-se um hábito, como ele gostava de dizer, poderia tê-la tomado como esposa para o mundo inteiro ver. Não me envergonho de amá-la, apenas das coisas que fiz para esconder isso. Aquele garoto em Winterfell...

– Eu mandei você atirá-lo da janela? Se tivesse ido caçar como supliquei, nada teria acontecido. Mas não, tinha de me possuir, não podia esperar até voltarmos à cidade.

– Já tinha esperado tempo suficiente. Odiava ver Robert entrando aos tropeções em sua cama todas as noites, sempre sem saber se naquela noite decidiria reivindicar os seus direitos de marido. – Jaime lembrou-se de repente de outra coisa que o perturbava com relação a Winterfell. – Em Correrrio, Catelyn Stark parecia convencida de que eu tinha mandado um salteador qualquer cortar a garganta do filho. Que eu lhe tinha dado um punhal.

– Isso – disse ela em tom de escárnio. – Tyrion perguntou-me sobre isso.

Houve um punhal. As cicatrizes nas mãos da Senhora Catelyn eram bem reais, ela mostrou-me. Você...?

– Ah, não diga besteiras. – Cersei fechou a janela. – Sim, tive esperança de que o garoto morresse. E você também. Até Robert pensou que teria sido melhor assim. “Matamos os cavalos quando quebram uma perna, e os cães quando ficam cegos, mas somos fracos demais para mostrar a mesma misericórdia por crianças aleijadas”, disse-me ele. Ele mesmo estava cego nesse momento, da bebida.

Robert? Jaime protegera o rei durante tempo suficiente para saber que Robert Baratheon dizia coisas quando estava de porre que negaria furiosamente no dia seguinte.

– Alguém estava presente quando Robert disse isso?

– Espero que não ache que ele disse isso a Ned Stark. Claro que estávamos a sós. Nós e as crianças. – Cersei tirou a rede para cabelos e enrolou-a numa das colunas da cama, após o que sacudiu seus caracóis dourados. – Talvez tenha sido Myrcella quem enviou esse homem com o punhal, parece-lhe que é possível?

Aquilo tinha a intenção de ser uma zombaria, mas Jaime compreendeu de imediato que ela acertara em cheio no cerne da questão.

– Myrcella, não. Joffrey.

Cersei franziu a testa.

– Joffrey não simpatizava com Robb Stark, mas o rapaz mais novo não lhe dizia nada. Ele próprio não passava de uma criança.

– Uma criança ansiosa por uma palmadinha na cabeça dada por esse bêbado que permitiu que ele acreditasse ser seu pai. – Teve uma ideia desconfortável. – Tyrion quase morreu por causa daquele maldito punhal. Se soubesse que tudo havia sido obra de Joffrey, podia ser esse o motivo...

– Não me interessa o motivo – disse Cersei. – Ele pode levar seus motivos consigo para o inferno. Se tivesse visto como Joff morreu... ele lutou, Jaime, ele lutou por cada golfada de ar, mas era como se algum espírito maligno tivesse as mãos em volta de sua garganta. Tinha um terror tão grande nos olhos... Quando era pequeno, corria para mim quando estava assustado ou magoado, e eu protegia-o. Mas naquela noite não houve nada que eu pudesse fazer. Tyrion assassinou-o na minha frente, e não houve nada que eu pudesse fazer. – Cersei ajoelhou-se diante da cadeira de Jaime e tomou a sua mão boa entre as dela. – Joff está morto e Myrcella em Dorne. Tommen é tudo que me resta. Não pode deixar que o pai o afaste de mim. Jaime, por favor.