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– Isso passou e está feito, Lysa. Lorde Hoster está morto, e o seu velho meistre também. – Mindinho aproximou-se. – Caiu outra vez no vinho? Não devia falar tanto. Não queremos que Alayne saiba mais do que devia, não é? Ou Marillion.

A Senhora Lysa ignorou aquilo.

– A Cat nunca lhe deu nada. Fui eu quem arranjou seu primeiro posto, quem fez com que Jon o trouxesse para a corte para podermos ficar perto um do outro. Prometeu-me que nunca se esqueceria disso.

– E não me esqueci. Estamos juntos, tal como você sempre desejou, tal como sempre planejamos. Mas largue o cabelo de Sansa...

– Não largo! Vi-os aos beijos na neve. Ela é exatamente como a mãe. Catelyn beijou-o no bosque sagrado, mas nunca foi a sério, ela nunca quis você. Por que foi que a amou mais? Era eu, sempre fui eeeeeu!

– Eu sei, amor. – Ele deu mais um passo. – E estou aqui. Tudo o que tem de fazer é pegar na minha mão, vamos. – Estendeu-a para ela. – Não há motivo para todas essas lágrimas.

– Lágrimas, lágrimas, lágrimas – soluçou ela histericamente. – Não há necessidade de lágrimas... mas não foi isso o que disse em Porto Real. Disse-me para pôr as lágrimas no vinho de Jon, e foi o que eu fiz. Por Robert, e por nós! E escrevi a Catelyn e contei-lhe que os Lannister tinham matado o senhor meu esposo, tal como você disse para fazer. Isso foi tão inteligente... sempre foi inteligente, eu disse isso ao pai, disse: o Petyr é tão inteligente, subirá bem alto, subirá, subirá, e é doce e gentil e tenho o seu bebê na barriga... Por que foi que a beijou? Por quê? Agora estamos juntos, estamos juntos após tanto tempo, tanto, tanto tempo, por que é que havia de querer beijááááá-la?

– Lysa – Petyr suspirou –, depois de todas as tempestades que aguentamos, devia confiar mais em mim. Juro, nunca mais sairei de seu lado, enquanto ambos formos vivos.

– Sério? – perguntou ela, chorando. – Oh, sério?

– Sério. Agora solte a garota e venha aqui me dar um beijo.

Lysa atirou-se nos braços do Mindinho, soluçando. Enquanto eles se abraçavam, Sansa afastou-se engatinhando da Porta da Lua e envolveu os braços no pilar mais próximo. Sentia o coração aos saltos. Havia neve em seus cabelos, e o sapato direito tinha desaparecido. Deve ter caído. Estremeceu e abraçou com mais força o pilar.

Mindinho deixou Lysa soluçar contra o seu peito por um momento e depois pôs as mãos em seus braços e deu-lhe um pequeno beijo.

– Minha esposa querida, pateta, ciumenta – disse ele com um risinho. – Eu só amei uma mulher, garanto.

Lysa Arryn deu um sorriso trêmulo.

– Só uma? Oh, Petyr, jura? Só uma?

– Só a Cat. – E deu-lhe um curto e forte empurrão.

Lysa tropeçou para trás, com os pés escorregando no mármore úmido. E então desapareceu. Não chegou a gritar. Durante o mais longo dos momentos não se ouviu som algum exceto o vento.

Marillion arquejou.

– Você... você...

Os guardas estavam gritando do lado de fora da porta, batendo nela com as hastes de suas pesadas lanças. Lorde Petyr pôs Sansa em pé.

– Não se machucou? – quando ela balançou a cabeça, ele disse: – Então corra, deixe os guardas entrar. Depressa, não há tempo a perder. Este cantor matou a senhora minha esposa.

Epílogo

A estrada que levava a Pedravelhas rodeava duas vezes o monte antes de chegar ao cume. Cheia de vegetação e pedregosa, teria causado um avanço lento mesmo no melhor dos tempos, mas a nevasca da noite anterior deixara-a também lamacenta. Neve no outono nas terras fluviais, não é natural, pensou sombriamente Merrett. Não tinha sido uma grande nevasca, era certo, só o suficiente para atapetar o solo durante uma noite. A maior parte começou a derreter assim que o sol surgiu. Mesmo assim, Merrett havia considerado isso um mau presságio. Entre chuvas, inundações, fogo e guerra, tinham perdido duas colheitas e boa parte de uma terceira. Um inverno prematuro significaria a fome por todas as terras fluviais. Muitas pessoas passariam fome e algumas morreriam. Merrett só esperava não ser uma dessas pessoas. Mas posso vir a ser. Com a minha sorte, posso mesmo. Nunca tive sorte nenhuma.

À sombra das ruínas do castelo, as vertentes inferiores do monte estavam cobertas por uma floresta tão densa que meia centena de fora da lei podia perfeitamente estar ali escondida. Podem estar me observando agora mesmo. Merrett olhou em volta, e nada viu além de tojo, fetos, cardos, junco e amoreiras-silvestres entre os pinheiros e as sentinelas cinza-esverdeadas. Em outros pontos, olmos e freixos despidos de folhas e carvalhos pequenos sufocavam o terreno como ervas daninhas. Não viu nenhum fora da lei, mas isso pouco queria dizer. Os fora da lei eram melhores em se esconder do que os homens honestos.

A bem da verdade, Merrett odiava a floresta, e odiava ainda mais os fora da lei. “Os fora da lei roubaram-me a vida”, fora ouvido protestando quando estava de pileque. Estava de pileque com demasiada frequência, dizia o pai, frequente e ruidosamente. É bem verdade, pensou, pesaroso. Nas Gêmeas era preciso arranjar uma distinção qualquer, caso contrário eram capazes de se esquecer de sua existência, mas descobrira que uma reputação como o maior bebedor do castelo pouco havia feito para melhorar as suas chances. Um dia esperei me tornar o maior cavaleiro que algum dia baixou uma lança para o ataque. Os deuses roubaram-me isso. Por que não haveria de beber uma taça de vinho de vez em quando? Ajuda minhas dores de cabeça. Além disso, minha mulher é uma megera, meu pai despreza-me, meus filhos são inúteis. O que tenho eu que me leve a ficar sóbrio?

Mas agora estava sóbrio. Bem, tinha bebido dois cornos de cerveja quando quebrou o jejum e uma pequena taça de tinto quando se pôs a caminho, mas isso havia sido apenas para evitar que a cabeça latejasse. Merrett sentia a dor de cabeça preparando-se atrás dos olhos e sabia que se lhe desse meia oportunidade, em breve se sentiria como se tivesse uma trovoada entre as orelhas. Às vezes, as dores de cabeça eram tão fortes que até chorar doía demais. Então tudo o que conseguia fazer era ficar deitado na cama, num quarto escuro, com um pano úmido por cima dos olhos, e amaldiçoar a sorte e o fora da lei anônimo que lhe fizera aquilo.

Só de pensar nisso, ficava ansioso. Agora não podia se dar ao luxo de ter uma dor de cabeça. Se trouxer o Petyr de volta em segurança, a minha sorte mudará. Levava o ouro, tudo que tinha de fazer era subir ao topo de Pedravelhas, encontrar-se no castelo arruinado com os malditos fora da lei, e fazer a troca. Um simples resgate. Nem ele poderia estragar aquilo... a menos que tivesse uma dor de cabeça, uma tão forte que o deixasse incapaz de montar a cavalo. Devia estar nas ruínas até o pôr do sol, não choramingando enrolado sobre si mesmo à beira da estrada. Merrett esfregou as têmporas com dois dedos. Mais uma volta ao monte e estarei lá. Quando a mensagem tinha chegado e ele se ofereceu para levar o resgate, o pai olhou-o de viés e disse:

Você, Merrett? – e desatou a rir pelo nariz, aquele hediondo heh, heh, heh que fazia quando ria. Merrett tinha sido praticamente obrigado a suplicar antes de lhe darem o maldito saco de ouro.

Algo se moveu na vegetação rasteira ao longo da beira da estrada. Merrett puxou as rédeas com força e levou a mão à espada, mas era apenas um esquilo.