Выбрать главу

É ainda pior do que eu temia.

– E o meu pai? Quem ele tem para me espiar?

Dessa vez o eunuco riu alto.

– Ora, eu, senhor.

Tyrion também riu. Não era suficientemente tolo para confiar mais em Varys do que era obrigado... mas o eunuco já sabia o suficiente sobre Shae para que ela fosse facilmente enforcada.

– Você vai me trazer Shae através das paredes, escondida de todos esses olhos. Como fez antes.

Varys torceu as mãos.

– Oh, senhor, nada me agradaria mais, mas... o Rei Maegor não queria ratazanas em suas paredes, se entende o que quero dizer. Ele exigiu uma maneira de sair secretamente, para o caso de ficar alguma vez encurralado por seus inimigos, mas essa porta não tem ligação com nenhuma outra passagem. Posso roubar a sua Shae da Senhora Lollys durante algum tempo, com certeza, mas não tenho como levá-la até o seu quarto sem que sejamos vistos.

– Então leve-a a outro lugar qualquer.

– Mas onde? Não há lugar seguro.

– Há. – Tyrion deu um sorriso. – Aqui. É hora de dar um uso melhor àquela sua cama dura como pedra, creio eu.

A boca do eunuco abriu-se. Depois soltou um risinho.

– Lollys cansa-se facilmente nos dias atuais. Está muito grávida. Imagino que estará dormindo em segurança por volta do nascer da lua.

Tyrion saltou da cadeira.

– Então será ao nascer da lua. Trate de arranjar algum vinho. E duas taças limpas.

Varys fez uma reverência.

– Será feito como o senhor ordena.

O resto do dia pareceu rastejar, lento como um verme em melaço. Tyrion subiu até a biblioteca do castelo e tentou se distrair com a História das guerras de Roine, de Beldecar, mas quase nem conseguia ver os elefantes, com a imaginação ocupada como estava pelo sorriso de Shae. Quando a tarde chegou, pôs o livro de lado e pediu um banho. Esfregou-se até a água esfriar, e depois ordenou que Pod aparasse sua barba. Esta era uma provação para si mesmo; um emaranhado de pelos amarelos, brancos e pretos, irregular e grosseira, raramente menos do que desagradável à vista, mas servia para esconder parte de seu rosto, e isso era sempre bom.

Quando ficou tão limpo, cor-de-rosa e aparado como lhe era possível, Tyrion vasculhou o guarda-roupa e escolheu um par de calções apertados de cetim, do carmesim Lannister, e seu melhor gibão, o de pesado veludo negro com os rebites em forma de cabeça de leão. Teria colocado também a sua corrente de mãos douradas, se o pai não a tivesse roubado dele enquanto estava à beira da morte. Só depois de se vestir é que compreendeu a que ponto aquela loucura tinha chegado. Sete infernos, anão, perdeu todo o juízo quando perdeu o nariz? Qualquer pessoa que o veja vai querer saber por que vestiu a roupa para audiências para visitar o eunuco. Praguejando, Tyrion despiu-se e voltou a vestir-se, com um traje mais simples; calções pretos de lã, uma velha túnica branca e um gibão de couro marrom desbotado. Não importa, disse a si mesmo enquanto esperava que a lua nascesse. Vista o que vestir, continua sendo um anão. Nunca será tão alto como aquele cavaleiro na escada, com as suas longas pernas retas, barriga dura e largos ombros viris.

A luz se projetava sobre a muralha do castelo quando disse a Podrick Payne que ia visitar Varys.

– Vai demorar, senhor? – perguntou o garoto.

– Ah, espero que sim.

Com a Fortaleza Vermelha tão cheia de gente, Tyrion não podia acalentar a esperança de passar despercebido. Sor Balon Swann estava de guarda junto à porta, e Sor Loras Tyrell, à ponte levadiça. Parou para trocar amabilidades com ambos. Era estranho ver o Cavaleiro das Flores todo de branco quando anteriormente andara sempre tão colorido como um arco-íris.

– Quantos anos você tem, Sor Loras? – perguntou-lhe.

– Dezessete, senhor.

Dezessete, belo, e já uma lenda. Metade das garotas dos Sete Reinos querem dormir com ele, e todos os rapazes querem ser ele.

– Se me perdoa a pergunta, sor... por que é que alguém escolhe se juntar à Guarda Real aos dezessete anos?

– O Príncipe Aemon, o Cavaleiro do Dragão, proferiu os votos aos dezessete – disse Sor Loras –, e o seu irmão Jaime era ainda mais novo.

– Eu conheço os motivos deles. Quais são os seus? A honra de servir junto a modelos de cavalaria como Meryn Trant e Boros Blount? – deu ao rapaz um sorriso zombeteiro. – Para defender a vida do rei, desistiu da sua. Abriu mão de suas terras e títulos, perdeu a esperança num casamento, em filhos...

– A Casa Tyrell continua por meio de meus irmãos – disse Sor Loras. – Não é necessário que um terceiro filho se case, ou se reproduza.

– Não é necessário, mas há quem ache isso prazeroso. E o amor?

– Depois de o sol se pôr, não há vela que possa substituí-lo.

– Isso vem de uma canção? – Tyrion inclinou a cabeça, sorrindo. – Sim, tem dezessete anos. Agora entendo.

Sor Loras retesou-se.

– Está caçoando de mim?

Um rapaz suscetível.

– Não. Se o ofendi, perdoe-me. Um dia eu mesmo tive uma amada, e nós também tínhamos uma canção. Amei uma donzela bela como o verão, com luz do sol nos cabelos. – Desejou a Sor Loras uma boa noite e prosseguiu o seu caminho.

Perto dos canis, um grupo de homens de armas assistiam a uma luta de cães. Tyrion parou tempo suficiente para ver o cão menor arrancar metade do focinho do maior, e conquistou algumas gargalhadas ao observar que o perdedor se assemelhava agora a Sandor Clegane. Então, esperando ter desarmado a desconfiança dos homens, prosseguiu na direção da muralha norte e desceu a curta escadaria que levava à pobre habitação do eunuco. A porta abriu-se no momento em que erguia a mão para bater.

– Varys? – Tyrion deslizou para dentro. – Você está aí? – Uma única vela iluminava as trevas, enchendo o ar com o cheiro de jasmim.

– Senhor. – Uma mulher surgiu à luz; roliça, suave, com aspecto de matrona e um rosto que mais parecia uma lua redonda e cor-de-rosa, além de pesados caracóis escuros. Tyrion recuou. – Há algo errado? – perguntou a mulher.

Varys, compreendeu Tyrion, aborrecido.

– Por um horrível momento pensei que tivesse me trazido Lollys em vez de Shae. Onde está ela?

– Aqui, senhor. – Ela pôs as mãos sobre seus olhos, por trás. – Será capaz de adivinhar o que estou vestindo?

– Nada?

– Oh, é tão esperto – disse ela, fazendo beicinho e afastando as mãos. – Como sabia?

– É muito bela dentro de nada.

– Sou? – disse ela. – Sou mesmo?

– Oh, sim.

– Então não devia estar me fodendo em vez de falando?

– Primeiro temos de nos livrar da Senhora Varys. Não sou um daqueles anões que gostam de público.

– Ele foi embora – disse Shae.

Tyrion virou-se para olhar. Era verdade. O eunuco havia desaparecido, com saias e tudo. As portas escondidas estão aqui, em algum lugar, têm de estar. Foi tudo em que teve tempo de pensar antes que Shae lhe virasse a cabeça para beijá-lo. A boca dela estava úmida e esfomeada, e ela nem sequer parecia ver a sua cicatriz, ou a escara em carne viva que agora tinha no local onde antes o nariz esteve. A pele da moça era seda morna sob os seus dedos. Quando o polegar roçou no mamilo esquerdo dela, ele endureceu de imediato.

– Depressa – ela pediu, entre beijos, enquanto os dedos dele se dirigiam às ataduras –, oh, depressa, depressa, quero você dentro de mim, dentro de mim, dentro de mim. – Tyrion sequer teve tempo para se despir como deveria. Shae puxou seu pau para fora dos calções, empurrou-o para o chão e trepou em cima dele. Gritou quando Tyrion atravessou seus lábios e montou-o violentamente, gemendo: – Meu gigante, meu gigante, meu gigante – sempre que se lançava contra ele. Tyrion estava tão ardente que explodiu no quinto empurrão, mas Shae não pareceu se importar. Deu um sorriso maroto quando o sentiu ejacular e debruçou-se para a frente para beijar o suor de sua testa. – Meu gigante de Lannister – murmurou. – Fique dentro de mim, por favor. Gosto de senti-lo aí.