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Então Tyrion não se moveu, exceto para pôr os braços em volta dela. É tão bom abraçá-la, e ser abraçado, pensou. Como pode uma coisa tão doce ser um crime que justifique enforcá-la?

– Shae – disse –, querida, esta tem de ser a última vez que ficamos juntos. O perigo é grande demais. Se o senhor meu pai encontrá-la...

– Gosto da sua cicatriz. – A moça percorreu-a com um dedo. – Faz com que pareça muito feroz e forte.

Ele soltou uma gargalhada.

– Muito feio, você quer dizer.

– O senhor nunca será feio aos meus olhos. – Ela beijou a escara que cobria os restos destroçados do seu nariz.

– Não é o meu rosto que deve preocupá-la, é o meu pai...

– Ele não me assusta. O senhor vai me devolver agora as joias e as sedas? Perguntei a Varys se ele podia me dá-las quando você foi ferido na batalha, mas ele não quis. Que teria acontecido com elas se tivesse morrido?

– Não morri. Aqui estou.

– Eu sei. – Shae contorceu-se em cima dele, sorrindo. – Bem no lugar certo. – Fez beicinho. – Mas por quanto tempo tenho de continuar com Lollys, agora que está bem?

– Não está ouvindo? – disse Tyrion. – Pode ficar com Lollys se quiser, mas seria melhor se saísse da cidade.

– Não quero sair. O senhor me prometeu que eu voltaria a me mudar para uma mansão depois da batalha. – A boceta dela deu-lhe um pequeno apertão, e ele começou a enrijecer de novo, dentro dela. – Um Lannister sempre paga as suas dívidas, você disse.

– Shae, malditos sejam os deuses, pare com isso. Escute-me. Você tem de ir embora. Agora a cidade está cheia de Tyrells, e eu sou vigiado de perto. Você não compreende os perigos.

– Posso ir ao banquete de casamento do rei? A Lollys não quer ir. Disse-lhe que ninguém deverá estuprá-la na sala do trono do rei, mas ela é tão burra. – Quando Shae rolou de cima de Tyrion, o pau dele escorregou para fora com um som suave e úmido. – O Symon diz que vai haver um torneio de cantores, e acrobatas, e até uma justa de bobos.

Tyrion tinha quase se esquecido do três vezes maldito cantor de Shae.

– Como foi que falou com Symon?

– Falei dele à Senhora Tanda, e ela contratou-o para tocar para Lollys. A música acalma-a quando o bebê começa a chutar. Symon diz que vai haver um urso dançarino no banquete, e vinhos da Árvore. Nunca vi um urso dançar.

– Dançam pior do que eu. – O que o preocupava era o cantor, não o urso. Uma palavra descuidada ao ouvido errado, e Shae seria enforcada.

– Symon diz que vai haver setenta e sete pratos e uma grande torta com cem pombas lá dentro – prosseguiu Shae. – Quando a crosta for aberta, todas vão sair e levantar voo.

– E em seguida irão se empoleirar nas vigas do teto e fazer chover cocô de pássaro sobre os convidados. – Tyrion já sofrera com aquele tipo de torta de casamento. As pombas gostavam especialmente de cagar em cima dele, ou pelo menos sempre tinha suspeitado disso.

– Eu não poderia vestir as minhas sedas e veludos e ir como uma senhora em vez de uma criada de quarto? Ninguém saberia que não sou uma senhora.

Todo mundo saberia que não é uma senhora, pensou Tyrion.

– A Senhora Tanda podia sentir curiosidade em saber onde a aia de Lollys teria arranjado tantas joias.

– Symon diz que vai haver mil convidados. Ela nunca me veria. Eu encontraria um lugar em algum canto escuro abaixo do sal, mas sempre que se levantasse para ir à latrina, eu poderia escapulir e ir encontrá-lo. – Envolveu a pica dele nas mãos e afagou-a com suavidade. – Não levaria roupas de baixo sob o vestido, para que o senhor nem precisasse me desatar. – Os dedos dela brincaram com ele, para cima e para baixo. – Ou, se quisesse, podia fazer-lhe isto. – Enfiou-o na boca.

Tyrion ficou pronto de novo depressa. Daquela vez durou muito mais tempo. Quando terminou, Shae voltou a rolar para cima dele e aninhou-se por baixo de seu braço.

– Vai me deixar ir, não vai?

– Shae – gemeu –, não é seguro.

Durante algum tempo, ela não disse uma palavra. Tyrion tentou falar em outras coisas, mas deparou com uma muralha de cortesia amuada, tão gelada e inflexível como a Muralha por onde caminhara uma vez, no norte. Deuses, sejam bons, pensou, fatigado, enquanto observava a vela queimando e começando a oscilar, como deixei que isso voltasse a acontecer, depois de Tysha? Será que sou um tolo tão grande como o meu pai pensa? De bom grado lhe teria feito a promessa que ela queria, e de bom grado voltaria com ela para o seu quarto, de braço dado, para deixá-la vestir as sedas e os veludos de que tanto gostava. Se a escolha fosse sua, ela poderia sentar-se a seu lado no banquete de casamento de Joffrey, e dançaria com todos os ursos que quisesse. Mas não podia vê-la enforcada.

Quando a vela se apagou, Tyrion desprendeu-se e acendeu outra. Então fez uma ronda pelas paredes, batendo em todas, uma de cada vez, em busca da porta escondida. Shae sentou-se com as pernas dobradas próximas ao peito e os braços enrolados em volta delas, observando-o. Por fim, disse:

– Estão debaixo da cama. Os degraus secretos.

Ele olhou-a, incrédulo.

– A cama? A cama é de pedra sólida. Pesa meia tonelada.

– Há um lugar onde Varys empurra, e a cama flutua para cima. Perguntei-lhe como fazia aquilo, e ele disse que era magia.

– Sim. – Tyrion teve de sorrir. – Um feitiço de contrapeso.

Shae ficou em pé.

– Eu devia voltar. Às vezes o bebê chuta e Lollys acorda e me chama.

– Varys deve voltar em breve. Provavelmente está escutando todas as palavras que dizemos. – Tyrion apoiou a vela. Havia um ponto úmido na parte da frente dos seus calções, mas na escuridão devia passar despercebido. Disse a Shae para se vestir e esperar pelo eunuco.

– Eu espero – ela prometeu. – É o meu leão, não é? O meu gigante de Lannister?

– Sou – disse ele. – E você é...

– ... a sua rameira. – Ela pôs um dedo nos lábios dele. – Eu sei. Gostaria de ser a sua senhora, mas não posso. Se fosse, você iria me levar ao banquete. Não importa. Gosto de ser rameira para o senhor, Tyrion. Basta que me mantenha, meu leão, e que me mantenha a salvo.

– Manterei – prometeu ele. Tolo, tolo, gritou a sua voz interior. Por que disse isso? Veio aqui para mandá-la embora! Em vez disso, voltou a beijá-la.

O caminho de volta pareceu longo e solitário. Podrick Payne estava dormindo em sua bicama, aos pés da de Tyrion, mas este acordou o rapaz.

– Bronn – disse.

– Sor Bronn? – Pod afastou o sono dos olhos com as mãos. – Oh. Devo ir chamá-lo? Senhor?

– Ora, não, acordei você para termos uma conversinha sobre a maneira como ele se veste – disse Tyrion, mas o sarcasmo foi desperdiçado. Pod limitou-se a olhá-lo de boca aberta, confuso, até que o anão jogou as mãos para o ar e disse: – Sim, vá buscá-lo. Traga-o aqui. Já.

O rapaz vestiu-se às pressas e saiu do quarto praticamente correndo. Sou mesmo tão aterrorizador assim?, perguntou Tyrion a si mesmo, enquanto se despia, vestia um roupão e se servia de um pouco de vinho.

Bebia a terceira taça, depois de ter decorrido metade da noite, quando Pod finalmente retornou, rebocando o cavaleiro mercenário.

– Espero que o rapaz tenha mesmo uma razão muito boa para me arrastar para fora da casa de Chataya – disse Bronn enquanto se sentava.

– Da casa de Chataya? – disse Tyrion, aborrecido.