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Edmure pareceu mal.

– Nunca quis... nunca, Robb, tem de permitir que lhe compense. Liderarei a vanguarda na próxima batalha!

Para compensar, irmão? Ou pela glória?, interrogou-se Catelyn.

– A próxima batalha – disse Robb. – Bem, isso acontecerá bastante depressa. Assim que Joffrey estiver casado, os Lannister voltarão a campo contra mim, não duvido, e dessa vez os Tyrell marcharão ao lado deles. E posso ter de lutar também com os Frey, se Walder Negro prosseguir assim...

– Enquanto Theon Greyjoy estiver sentado no castelo de seu pai, com o sangue de seus irmãos nas mãos, esses outros inimigos terão de esperar – disse Catelyn ao filho. – Seu primeiro dever é defender sua própria gente, reconquistar Winterfell e pendurar Theon numa gaiola para corvos, para que morra lentamente. Caso contrário, o melhor é pôr de lado essa coroa para sempre, Robb, pois os homens saberão que não é um verdadeiro rei.

Pelo modo como Robb a olhou, viu que havia passado bastante tempo desde que alguém se atrevera a lhe falar com tanta franqueza.

– Quando me disseram que Winterfell tinha caído, quis ir imediatamente para o norte – disse ele, só ligeiramente na defensiva. – Quis libertar Bran e Rickon, mas pensei... nunca sonhei que Theon pudesse realmente lhes fazer mal. Se tivesse...

– É tarde demais para ses, tarde demais para resgates – disse Catelyn. – Tudo que resta é a vingança.

– Segundo as últimas notícias que nos chegaram do norte, Sor Rodrik tinha derrotado uma força de homens de ferro perto da Praça de Torrhen e estava reunindo uma tropa no Castelo Cerwyn para retomar Winterfell – disse Robb. – A essa altura, pode já tê-lo feito. Já não recebemos notícias há bastante tempo. E como fica o Tridente, se eu for para o norte? Não posso pedir aos senhores das terras fluviais para abandonarem o próprio povo.

– Não – disse Catelyn. – Deixe-os para defenderem os seus, e reconquiste o Norte com nortenhos.

– Como levaria os nortenhos para o Norte? – perguntou Edmure. – Os homens de ferro controlam o mar do poente. Os Greyjoy detêm também o Fosso Cailin. Nunca nenhum exército tomou o Fosso Cailin pelo sul. Até mesmo marchar contra ele é uma loucura. Podíamos ficar encurralados na zona do talude, com os homens de ferro à nossa frente e Frey zangados na retaguarda.

– Temos de reconquistar os Frey – disse Robb. – Com eles, ainda temos alguma chance de sucesso, por menor que seja. Sem eles, não vejo esperança. Estou disposto a dar ao Lorde Walder tudo que ele pedir... desculpas, honrarias, terras, ouro... deve haver algo que lhe acalme o orgulho...

– Não é algo – disse Catelyn. – É alguém.

Jon

São grandes o suficiente para você? – Flocos de neve salpicavam o rosto largo de Tormund, derretendo-se em seus cabelos e sua barba.

Os gigantes balançavam lentamente no topo de mamutes ao passarem por eles, dois a dois. O garrano de Jon espantou-se, assustado por tamanha estranheza, mas era difícil dizer se o que o assustava eram os mamutes ou os seus cavaleiros. Até Fantasma recuou um passo, exibindo os dentes num rosnado silencioso. O lobo gigante era grande, mas os mamutes eram muito maiores, e havia muitos mais e muitos ainda.

Jon controlou o cavalo e manteve-o quieto, para poder contar os gigantes que emergiam da neve soprada pelo vento e das névoas pálidas que rodopiavam ao longo do Guadeleite. Já passavam bastante de cinquenta quando Tormund disse alguma coisa e Jon perdeu a conta. Deve haver centenas. Não importa quantos passassem, pareciam continuar chegando mais.

Nas histórias da Velha Ama, os gigantes eram homens muito grandes que viviam em castelos colossais, lutavam com espadas enormes e andavam por aí calçados com botas grandes o suficiente para um garoto se esconder lá dentro. Mas aqueles eram outra coisa, mais semelhantes a ursos do que a humanos, e tão peludos como os mamutes que montavam. Sentados, era difícil ver quão grandes eram. Três metros de altura, talvez, ou três metros e meio, pensou Jon. Talvez quatro metros, mas não mais do que isso. O peito inclinado podia parecer peito de homens, mas os braços eram longos demais, e a parte inferior do torso parecia ser vez e meia mais larga do que a superior. As pernas eram mais curtas do que os braços, mas muito grossas, e eles não usavam botas; os pés eram coisas largas e achatadas, duras, calosas e pretas. Sem pescoço, tinham uma cabeça enorme e pesada, que se projetava do meio das espáduas para a frente, e o rosto era achatado e brutal. Olhos de rato, que não eram maiores do que contas, quase se perdiam no interior de dobras de pele calosa; mas fungavam continuamente, capazes de farejar tanto quanto de ver.

Eles não vestem peles, percebeu Jon. Aquilo é pelo. Pelagens felpudas cobriam os corpos, espessas abaixo da cintura, mais esparsas acima. O fedor que exalavam era sufocante, mas isso talvez se devesse aos mamutes. E Joramun soprou o Berrante do Inverno e acordou gigantes da terra. Procurou as grandes espadas de três metros de comprimento, mas só encontrou clavas. A maior parte não passava de galhos de árvores mortas, algumas ainda com ramos menores presos. Algumas delas tinham bolas de pedra firmemente amarradas às extremidades, formando marretas colossais. A canção não chega a dizer se o berrante pode fazê-los adormecer de novo.

Um dos gigantes que se aproximava deles parecia mais velho do que os outros. Sua pelagem era cinza e rajada de branco, e o mamute que montava, maior do que todos os demais, também era cinza e branco. Tormund gritou qualquer coisa para ele ao passar, palavras rudes e ressonantes, numa língua que Jon não compreendia. Os lábios do gigante separaram-se para revelar uma boca cheia de enormes dentes quadrados, e ele fez um som que era meio arroto, meio trovão. Após um momento, Jon compreendeu que estava rindo. O mamute virou sua enorme cabeça para dar uma breve olhada nos dois, fazendo uma gigantesca presa passar sobre a cabeça de Jon enquanto o animal avançava pesadamente, deixando grandes pegadas na lama mole e na neve fresca ao longo do rio. O gigante gritou qualquer coisa na mesma língua grosseira que Tormund havia usado.

– Aquele era o rei deles? – perguntou Jon.

– Os gigantes não têm mais reis do que os mamutes, os ursos-das-neves ou as grandes baleias do mar cinzento. Aquele era Mag Mar Tun Doh Weg. Mag, o Poderoso. Pode ajoelhar-se diante dele se quiser, ele não vai se importar. Sei que seus joelhos de ajoelhador devem estar coçando, por falta de um rei a quem se dobrar. Mas tome cuidado para que ele não pise em você. Os gigantes têm olhos ruins, e pode ser que ele não veja um corvozinho lá embaixo, junto aos pés.

– O que você disse a ele? Isso era o Idioma Antigo?

– Sim. Perguntei se ele estava montando o pai, já que se pareciam tanto, com a diferença de que o pai cheirava melhor.

– E o que ele respondeu?

Tormund Punho de Trovão abriu um sorriso desdentado.

– Perguntou-me se quem estava a cavalo ao meu lado era a minha filha, com as suas bochechas lisas e rosadas. – O selvagem tirou neve do braço e fez o cavalo dar meia-volta. – Pode ser que ele nunca tenha visto um homem sem barba. Ande, vamos voltar. Mance fica muito irritado quando não me encontra no lugar de costume.