Выбрать главу

— Quanto tempo? — Rand perguntou a Rhuarc.

— Sete dias — respondeu ele. Mangin assentiu, e Estean gargalhou.

— Que minha alma queime, mas levamos esse tempo para chegar aqui a cavalo. Se vocês se acham capazes de fazer a viagem de volta a pé no mesmo tempo, devem estar… — Percebendo os olhos dos Aiel em si, Estean tirou o cabelo do rosto. — Tem algum conhaque nesta cidade?

— Não se trata de quão rápido nós conseguimos ir — retrucou Rand, calmo —, e sim de quão rápido vocês conseguem, caso desmontem alguns de seus homens e usem os cavalos deles de reserva. Quero que Meilan e Cairhien sejam avisados de que a ajuda está a caminho. Mas quem quer que vá precisa garantir que será capaz de ficar de boca fechada, caso seja apanhado pelos Shaido. Não quero que Couladin saiba de nada além do que puder descobrir por conta própria. — O rosto de Estean ficou mais branco que o dos cairhienos.

Meresin e Daricain se ajoelharam ao mesmo tempo, cada um tomando uma das mãos de Rand para beijá-la. Ele deixou, com tanta paciência quanto foi capaz de reunir. Um dos conselhos de Moiraine que parecera sensato fora não ofender os costumes dos povos, independentemente de quão estranhos ou repulsivos fossem, a menos que absolutamente necessário, e, ainda assim, pensando duas vezes.

— Nós vamos, milorde Dragão — afirmou Meresin, esbaforido. — Obrigado, milorde Dragão. Obrigado. Sob a Luz, juro que prefiro morrer a revelar uma só palavra para qualquer pessoa, exceto meu pai ou o Grão-lorde Meilan.

— Que a sorte esteja convosco, milorde Dragão — completou o outro. — Que a sorte esteja convosco e que a Luz o ilumine para sempre. Estou com o senhor até a morte. — Rand permitiu que Meresin também afirmasse que estava com ele antes de recolher as mãos com firmeza e ordenar que os dois se levantassem. Não gostava do modo como ambos lhe encaravam. Edorion os chamara feito cães, mas homens não deveriam olhar para ninguém como cães diante de um mestre.

Edorion respirou fundo, inchando as bochechas rosadas, e expirou devagar.

— Suponho que, se consegui sair de lá inteiro, sou capaz de voltar. Milorde Dragão, perdoe-me se o ofendo, mas o senhor se importaria em apostar, digamos, mil coroas de ouro, que realmente consegue chegar lá em sete dias?

Rand o encarou. O homem parecia Mat.

— Não tenho nem cem coroas de prata, muito menos mil de…

Sulin interrompeu:

— Ele tem, taireno — afirmou com propriedade. — Ele cobre a sua aposta, caso aceite dez mil em peso.

Edorion gargalhou.

— Combinado, Aiel. E cada cobre terá valido a pena caso eu perca. Pensando bem, não vou viver para coletar o prêmio, caso eu ganhe. Venham, Meresin e Daricain. — Ele soou como se estivesse mandando cães se sentarem. — Hora de cavalgar.

Rand esperou até que os três tivessem feito as reverências e estivessem na metade do caminho até os cavalos antes de se aproximar da Donzela de cabelo branco.

— O que vocês querem dizer com eu ter mil coroas de ouro? Nunca nem vi mil coroas de ouro, menos ainda dez mil.

As Donzelas trocaram olhares como se ele fosse demente. Rhuarc e Mangin fizeram o mesmo.

— Um quinto do tesouro que estava na Pedra de Tear pertence àqueles que tomaram a Pedra e será recolhido quando eles tiverem como levá-lo — explicou Sulin, como se falasse com uma criança sobre fatos simples da vida cotidiana. — Como chefe e líder da batalha, um décimo desse quinto é seu. Tear se rendeu a você como chefe de direito pelo triunfo, então um décimo de Tear também é seu. E você disse que podemos pegar o quinto destas terras. Um… imposto, foi como você chamou. — Ela tropeçou na palavra. Os Aiel não cobravam impostos. — A décima parte disso também é sua, como Car’a’carn.

Rand balançou a cabeça. Em todas as conversas com Aviendha, nunca pensara em perguntar se o quinto se aplicava a ele. Não era um Aiel, Car’a’carn ou não, e aquilo não parecia envolvê-lo. Bem, talvez não fosse um imposto, mas Rand poderia usá-lo como os reis usavam seus impostos. Infelizmente, só tinha uma vaga ideia de como seria aquilo. Teria de perguntar a Moiraine. Ela não abordara o tópico em suas aulas. Talvez a mulher achasse que era tão óbvio que ele já deveria saber.

Elayne saberia para que finalidade os impostos deveriam ser utilizados. Certamente fora mais divertido ser aconselhado por ela do que por Moiraine. Desejou saber onde ela estava. Ainda em Tanchico, provavelmente. Egwene só lhe repassava uma sequência de cumprimentos. Rand queria poder se sentar com Elayne e fazê-la explicar aquelas duas cartas. Donzela da Lança ou Filha-herdeira de Andor, as mulheres eram estranhas. Exceto Min, talvez. Ela gargalhara dele, mas nunca parecera estar falando em alguma outra língua. Agora ela não gargalharia. Se Rand algum dia voltasse a vê-la, Min correria cem milhas para ficar longe do Dragão Renascido.

Edorion desmontou todos os seus homens, pegando um dos cavalos e amarrando os demais pelas rédeas, junto com o de Estean. Não havia dúvida de que estava guardando o próprio animal para a arrancada final por entre os Shaido. Meresin e Daricain fizeram o mesmo com seus homens. Embora aquilo significasse que os cairhienos só teriam duas montarias reservas para cada um, ninguém pareceu pensar que eles deveriam pegar algum dos cavalos tairenos. Partiram juntos trotando para o oeste, acompanhados de uma escolta Jindo.

Estean tomou o cuidado de não olhar para ninguém ao se aproximar dos soldados aos pés da ponte, nervosos por se verem cercados pelos Aiel. Mangin agarrou sua manga com listras vermelhas.

— Você vai poder nos contar sobre a situação dentro de Cairhien, aguacento. — O jovem de nariz de batata parecia a ponto de desmaiar.

— Tenho certeza de que ele vai responder a todas as perguntas que vocês fizerem — disse Rand com rispidez, enfatizando a palavra “perguntas”.

— Serão apenas perguntas — afirmou Rhuarc, tomando o outro braço do taireno. Ele e Mangin pareciam apertando e erguendo o homem, bem mais baixo. — Alertar os defensores da cidade é bom e providencial, Rand al’Thor — prosseguiu Rhuarc —, mas temos que enviar patrulheiros. Correndo, eles podem chegar a Cairhien tão rápido quanto homens a cavalo e voltar para nos encontrar com a informação sobre como Couladin dispôs os Shaido.

Rand sentia os olhos das Donzelas nele, mas manteve o olhar firme em Rhuarc.

— Andarilhos do Trovão? — sugeriu.

Sha’mad Conde — concordou Rhuarc. Ele e Mangin viraram Estean, a quem estavam mesmo segurando, e partiram em direção aos outros soldados.

— Só perguntas! — gritou Rand para as costas deles. — Ele é seu aliado e meu vassalo.

Não fazia ideia se Estean era seu vassalo ou não — era mais uma pergunta para fazer a Moiraine —, e muito menos quanto o homem era realmente seu aliado — o pai dele, Grão-lorde Torean, tramara muitos planos contra Rand —, mas não permitiria nada parecido com os métodos de Couladin.

Rhuarc virou a cabeça e assentiu.

— Você cuida bem da sua gente, Rand al’Thor. — A voz de Sulin saiu monótona feito uma tábua aplainada.

— Eu tento — retrucou ele. Não estava disposto a morder a isca. Dentre os que fossem patrulhar os Shaido, alguns não retornariam, era um fato. — Agora acho que vou comer alguma coisa. E dormir um pouco.

Não devia faltar muito mais que duas horas para a meia-noite, e o sol ainda se erguia cedo naquela época do ano. As Donzelas o seguiram, observando cautelosamente as sombras, como se esperassem um ataque, gesticulando uma para a outra. Mas, para dizer a verdade, os Aiel pareciam estar sempre à espera de ataques.

31

As neves distantes

As ruas de Eianrod eram perfeitamente paralelas, sem curvas, e se cruzavam em ângulos retos. Onde era necessário, atravessavam colinas que, na maioria dos casos, eram aterradas com pedras. As construções de pedra e telhado de ardósia tinham um aspecto angular, como se todas as linhas fossem verticais. Eianrod não caíra nas mãos de Couladin. Não havia ninguém quando os Shaido passaram por lá. Contudo, boa parte das casas não passava de vigas queimadas e cascas ocas em ruínas, incluindo a maioria das largas edificações de mármore com três andares e varandas, que Moiraine afirmara pertencer a mercadores. Móveis quebrados e roupas estavam espalhados pelas ruas, além de pratos estilhaçados, cacos de vidro das janelas, botas, ferramentas e brinquedos.