“Quando estávamos quase no final do canyon, nós vimos, de repente, uma mulher toda de branco, com essas roupas árabes, turbante, longa túnica, andando no meio da estrada. Mas foi muito estranho – como é que ia aparecer uma mulher no meio do deserto?
“Eu fiquei pensando: será que foi esta mulher que colocou as flores, e acendeu as velas?
Não vi nenhum carro, e perguntei a mim mesma: como ela chegou até aqui?
“Mas eu estava tão surpresa que não consegui conversar com ela.”
Olhei a foto que Rita enviou: era exatamente o lugar onde havia colocado a santa. Era o Dia de Ação de Graças. E, eu tenho certeza, por ali caminhavam anjos.
Escrevi este livro em janeiro/fevereiro de 1992, pouco depois do final da Terceira Guerra Mundial – onde os combates foram muito mais sofisticados que os travados com armas convencionais. Segundo a Tradição, esta guerra começou nos anos 50, com o bloqueio de Berlim, e acabou quando o Muro de Berlim caiu por terra. Teve vencedores, o império derrotado foi dividido e acabou exatamente como uma guerra convencional. A única coisa que não aconteceu foi o holocausto nuclear – e isto não acontecerá nunca, porque a Obra de Deus é grande demais para ser destruída pelo homem. Agora, segundo a Tradição, uma nova guerra vai começar. Uma guerra mais sofisticada ainda, da qual ninguém pode escapar – porque é através de suas batalhas que o crescimento do homem se completará. Veremos os dois exércitos – de um lado, aqueles que ainda acreditam na raça humana, que acreditam nos poderes ocultos do homem, e sabem que nosso próximo passo está no crescimento dos dons individuais. Do outro lado estarão os que negam o futuro, os que acham que a vida termina na matéria e –
infelizmente – aqueles que, embora tenham fé, acreditam que descobriram o caminho da iluminação e querem obrigar os outros a seguir por ali.
Por isso os anjos estão de volta, e precisam ser ouvidos, porque só eles podem nos mostrar o caminho – e ninguém mais. Podemos dividir nossas experiências – como procurei dividir a minha, neste livro
– mas não existem fórmulas para este crescimento. Deus colocou generosamente Sua sabedoria e Seu amor ao nosso alcance, e é fácil, muito fácil encontrá-los. Basta permitir a canalização – um processo tão simples que eu mesmo custei muito para aceitar e reconhecer. Como os combates serão travados – em sua maioria – no plano astral, serão nossos anjos da guarda que empunharão a espada e o escudo, nos protegendo dos perigos e nos guiando para a vitória. Mas nossa responsabilidade também é imensa: cabe a nós, neste momento da História, desenvolver os próprios poderes, acreditar que o Universo não acaba nas paredes do nosso quarto, aceitar os sinais, seguir os sonhos e o coração.
Somos responsáveis por tudo que acontece neste mundo. Somos os Guerreiros da Luz. Com a força de nosso amor, de nossa vontade, podemos mudar o nosso destino, e o destino de muita gente. Um dia chegará em que o problema da fome poderá ser resolvido com o milagre da multiplicação dos pães. Um dia chegará em que o amor será aceito por todos os corações, e a mais terrível das experiências humanas – a solidão, que é pior que a fome – será banida da face da Terra. Um dia chegará em que os que batem na porta verão ela se abrir; os que pedem, receberão; os que choram, serão consolados. Para o planeta Terra, este dia ainda está muito longe. Entretanto, para cada um de nós, este dia pode ser o dia de amanhã. Basta aceitar um simples fato: o amor – de Deus e do próximo – nos mostra o caminho. Não importam nossos defeitos, nossos perigosos abismos, nosso ódio reprimido, nossos longos momentos de fraqueza e desespero: se quisermos nos corrigir primeiro para depois partir em busca de nossos sonhos, não chegaremos nunca ao Paraíso. Se, entretanto, aceitarmos tudo que há de errado em nós – e, ainda assim, achar que merecemos uma vida alegre e feliz, então estaremos abrindo uma imensa janela para o Amor entrar. Aos poucos, os defeitos vão desaparecer por si mesmos, porque quem está feliz só consegue olhar o mundo com Amor – esta força que regenera tudo que existe no Universo. No livro Os Irmãos Karamazov, Dostoievski nos conta a história do Grande Inquisidor, que repito agora com minhas palavras:
Durante as perseguições religiosas em Sevilha, quando todos que não concordam com a Igreja estão sendo presos e queimados vivos, Cristo volta à Terra e se mistura com a multidão. O Grande Inquisidor nota a presença de Jesus, e manda prendê-lo.
De noite, vai visitar Jesus em sua cela. E pergunta por que ele havia resolvido voltar justamente naquele momento. “Você está nos atrapalhando”, diz o Grande Inquisidor. “Afinal de contas, os seus ideais eram muito bonitos, mas somos nós que estamos conseguindo colocá-los em prática.” Argumenta com Jesus, dizendo que embora a Inquisição fosse ser julgada severamente no futuro, ela era necessária, e estava cumprindo seu papel. Não adiantava ficar falando de paz, quando o coração do homem vivia em guerra; nem falar de um mundo melhor, quando havia tanto ódio e tanta pobreza no coração do homem. Não adiantava sacrificar-se em nome de toda a raça humana, porque o homem ainda sofria seus sentimentos de culpa. “Você falou que todos os homens eram iguais, que tinham a luz divina dentro de si, mas se esqueceu que os homens são inseguros, e precisam de alguém, precisam da gente para orientá-los. Não atrapalhe nosso trabalho, vá embora”, diz o Grande Inquisidor, fazendo desfilar diante de Jesus uma série de argumentos brilhantes.
Quando termina de falar, há um silêncio muito grande na cela da prisão. Então Jesus se aproxima do Grande Inquisidor e o beija no rosto.
“Você pode ter razão”, diz Jesus. “Mas meu amor é mais forte.”
Não estamos sós. O mundo se transforma, e nós somos parte desta transformação. Os anjos nos guiam e nos protegem. Apesar de todas as injustiças, apesar de coisas que não merecemos acontecerem conosco, apesar de nos sentirmos incapazes de mudar o que está errado na gente e no mundo, apesar de todos os brilhantes argumentos do Grande Inquisidor – o Amor ainda é mais forte, e nos ajudará a crescer. E só
então seremos capazes de entender estrelas, anjos e milagres.