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— Eles simplesmente deixaram você sair? — Jube não conseguia acreditar.

— Bem, não exatamente. Pensei que estava livre, quando o Troll passou e disse tenha uma tarde tão boa quanto desejar. Eu até dei um beliscão numa enfermeira e agi como se estivesse culpado por algo que não era minha culpa, então pensei que fosse garantir as coisas para mim. — Ele limpou a garganta. — Então, o elevador chegou ao primeiro andar, e quando eu estava saindo, o verdadeiro Tachyon entrou. Me deu um baita susto.

Jube coçou uma presa.

— O que você fez?

Croyd deu de ombros.

— O que eu poderia fazer? Estava bem na minha frente, e meu poder não o enganou nem por um segundo. Me transformei no Teddy Roosevelt, esperando que pudesse driblá-lo, e sinceramente desejei estar em outro lugar. De repente, eu estava.

— Onde? — Jube não tinha certeza de que queria mesmo saber.

— Minha antiga escola — disse Croyd, envergonhado. — Aula de álgebra do nono ano. Na mesma carteira que estava sentado quando o Jetboy explodiu sobre Manhattan em 1946. Tenho que dizer, não me lembro de qualquer das garotas parecendo aquelas de quando eu estava no nono ano. — Ele soou um pouco triste. — Eu teria ficado para a aula, mas causou certa comoção quando Teddy Roosevelt de repente apareceu na sala segurando uma bola de boliche. Então, eu saí e aqui estou. Não se preocupe, eu mudei de metrô duas vezes e de corpo quatro vezes. — Ele ficou em pé e se esticou. — Morsa, eu tinha que te falar isso, nunca é tedioso trabalhar para você.

— Eu não pago exatamente um salário mínimo também — disse Jube.

— Pois é — Croyd admitiu. — E agora que você mencionou isso… já viu a Veronica? Uma das meninas do Fortunato. Estava a fim de levar ela pro Aces High e ver se conseguia falar pro Hiram servir o carré de cordeiro.

Jube tinha as pedras no bolso. Contou-as e entregou-as nas mãos do Dorminhoco.

— Você sabe — Jube falou quando os dedos de Croyd se fecharam sobre o pagamento —, poderia ter ficado com o dispositivo. Talvez conseguisse muito mais de outra pessoa.

— Isso aqui basta — disse Croyd. — Além disso, não jogo boliche. Nunca aprendi calcular a pontuação. Acho que fazem aquilo com álgebra. — Seus contornos brilharam por um instante, e de repente era o ator Jimmy Cagney lá em pé, vestido com um terno azul-claro vivo com uma flor na lapela. Quando subiu as escadas para a rua, começou a assobiar a canção de um velho musical chamado O rei da zona.

Jube fechou a porta, apertou o botão, girou a chave, baixou o gancho e prendeu a corrente. Quando deslizou o pino da trava, ouviu passos suaves atrás dele e virou-se.

Red estava trêmulo numa camisa havaiana verde e amarela roubada do armário de Jube. Perdera todas as coisas no ataque ao Mosteiro. A camisa era tão grande que ele parecia um balão murcho.

— Esse é o treco? — ele perguntou.

— Sim — Jube respondeu. Cruzou a sala e ergueu a esfera preta com reverência cuidadosa. Estava morna.

Jube estava assistindo à coletiva de imprensa televisionada quando o Dr. Tachyon voltou do espaço para anunciar que a Mãe do Enxame não era mais uma ameaça. Tachyon falava com eloquência e detalhes sobre sua jovem colega Mai e seu grande sacrifício, a coragem dela dentro da Mãe, sua humanidade altruísta. Jhubben viu-se mais interessado pelo que o takisiano não disse. Minimizou seu papel na questão e não fez menção de como Mai entrou na Mãe do Enxame para fazer a fusão da qual ele falava de forma tão comovente. Os repórteres pareciam supor que Tachyon simplesmente voou com a Baby até a Mãe e estacionou nela. Jube sabia que não era bem assim.

Quando o Dorminhoco acordou, decidiu pôr em prática seu plano.

— Odeio te dizer isso, mas parece uma bola de boliche para mim — disse Red, amigável.

— Com isso, eu poderia enviar as obras completas de Shakespeare para a galáxia que vocês chamam de Andrômeda — Jube disse para ele.

— Camarada — disse Red —, eles apenas mandariam de volta e diriam que não estava de acordo com as necessidades atuais.

Ele estava muito mais em forma agora do que quando apareceu pela primeira vez na soleira da porta de Jube, três semanas depois de os ases destruírem o novo templo, vestindo um poncho horrível comido por traças, luvas de trabalho, uma máscara de esqui e óculos espelhados. Jube não o reconheceu até que ele ergueu os óculos e mostrou a pele vermelha em torno dos olhos. “Me ajude”, ele disse. E, então, desmaiou.

Jube arrastou-o para dentro e trancou a porta. Red estava abatido e febril. Após fugir do Mosteiro (Jube perdeu a coisa toda, pelo que ficou profundamente agradecido), Red colocou Kim Toy num ônibus de viagem para San Francisco, onde tinha velhos amigos em Chinatown que a esconderiam. Porém, não havia maneira de ir com ela. Sua pele o tornava um alvo fácil; apenas no Bairro dos Curingas ele poderia permanecer no anonimato. Estava sem dinheiro após dez dias nas ruas e começou a comer das latas de lixo atrás do Hairy’s desde então. Com Roman preso e Matthias morto (liofilizado por algum novo ás cujo nome foi cuidadosamente escondido da imprensa), o restante do círculo interno era alvo de uma caçada humana por toda a cidade.

Jube poderia entregá-lo. Em vez disso, ele o alimentou, lavou e cuidou dele até ficar novamente saudável. Dúvidas e temores o consumiam. Algo daquilo que ele aprendeu sobre os maçons o chocou, e os maiores segredos a que aludiram eram muito, muito piores. Talvez ele devesse chamar a polícia. O capitão Black ficou espantado com o envolvimento de um dos seus próprios homens na conspiração, e jurou publicamente que prenderia todos os maçons no Bairro dos Curingas. Se Red fosse encontrado ali, as coisas ficariam péssimas para Jube.

Porém, Jube lembrou-se daquela noite na qual ele e 12 outras pessoas foram iniciadas no Mosteiro, lembrou-se da cerimônia, as máscaras de falcão e chacal e o brilho frio de Lorde Amon quando ele se avultou sobre eles, austero e terrível. Lembrou-se do som de TIAMAT quando os iniciados disseram a palavra pela primeira vez, e lembrou-se da história que o Mestre Venerável contou para eles sobre as origens sagradas da ordem, de Giuseppe Balsamo, chamado de Cagliostro, e o segredo confiado a ele pelo Irmão Brilhante numa floresta inglesa.

Nenhum segredo a mais chegaria naquela noite das noites. Jube era apenas um iniciado de primeiro grau, e as maiores verdades estavam reservadas para o círculo interno. Ainda assim, foi o suficiente. Sua suspeita foi confirmada, e quando Red, em seus delírios, encarava a sala de estar de Jube e gritava Shakti!, ele não teve mais dúvida.

Não poderia abandonar o maçom ao destino que merecia. Os pais não abandonavam filhos, não importasse quanto pudessem crescer depravados e corruptos com o passar dos anos. Os filhos poderiam ser deformados, confusos e ignorantes, mas ainda eram sangue do seu sangue, a árvore que crescera de sua semente. O professor não abandonava o aluno. Não havia outro; a responsabilidade era dele.

— Vamos ficar aqui em pé o dia todo? — Red perguntou quando o deslocador de singularidade formigava contra a palma das mãos de Jube. — Ou vamos ver se essa coisa funciona?

— Desculpe — disse Jube. Erguendo um painel curvo no transmissor de táquions, ele deslizou o deslocador para o campo de matriz. Ele começou a se alimentar da célula de fusão e observou enquanto o fluxo de energia envolveu o deslocador. O fogo de santelmo corria para cima e para baixo pelas estranhas geometrias da máquina. Os impulsos magnéticos flutuavam pelas superfícies de metal brilhantes em um roteiro cheio de pontas que Jube quase havia esquecido, e desapareceram em ângulos que pareciam curvos de um jeito errado.