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O homem em armadura de combate tentou colocar o braço em torno da mulher mascarada. Seu braço passou através dela. Ela olhou para ele com olhos azuis sorridentes.

— Estava esperando por isso — disse ela. — Estou num corpo insubstancial, bobo.

Hiram chegou para lhes mostrar a mesa. Flashes começaram a pipocar quando Hiram abriu uma garrafa de champanhe. Olhando pela janela de vidro laminado para o céu, o androide viu uma estrela cadente numa brecha nas nuvens.

— Eu me acostumo fácil com isso — disse Cyndi.

— Espere — o androide falou. Estava ouvindo algo no receptor de rádio. O Empire State era alto o bastante para captar transmissões de longe. Cyndi olhava para ele com curiosidade.

— Qual é o problema?

A transmissão terminou.

— Tenho que pedir desculpas. Posso ligar para você depois? — o androide falou. — Há uma emergência em Nova Jersey. Parece que a Terra foi invadida por extraterrestres.

— Bem, se você precisa ir…

— Ligo mais tarde. Prometo.

A forma do androide turvou-se. O ozônio estalou. Ele subiu, passando pelo teto.

Hiram ficou olhando, a garrafa de champanhe na mão. Ele se virou para Cyndi.

— Ele falou sério? — perguntou.

— É um cara legal, para uma máquina — disse Cyndi, apoiando o queixo na mão. — Mas certamente tem um parafuso solto. — Ela levantou a taça. — Vamos festejar, Hiram.

Não muito longe dali, um homem é assombrado por pesadelos. Monstros babam sobre ele em seus sonhos. Imagens passaram diante da sua mente, uma mulher morta, um pentagrama invertido, um homem nu e esguio com cabeça de chacal. Gritos inacabados unem-se na garganta dele. Ele acorda com um grito, coberto de suor.

Às cegas, esticou o braço até a luminária ao lado da cama e a acendeu. Buscou os óculos. Seu nariz estava escorregadio de suor e os óculos grossos e pesados escorregaram por sobre ele. O homem não percebeu.

Ele pensou no telefone, então se deu conta de que teria de manobrar até a cadeira de rodas para alcançá-lo. Existem maneiras mais fáceis para se comunicar. Dentro de sua mente, chegou até a cidade. Sentiu uma mente sonolenta respondendo dentro de si.

Acorde, Hubbard, disse ao outro, mentalmente, empurrando os óculos de volta para o nariz. TIAMAT chegou.

Um pilar de escuridão ergueu-se sobre Princeton. O androide viu no radar e primeiro pensou que fosse fumaça, mas então percebeu que a nuvem não se dissipava com o vento, e era composta de milhares de criaturas vivas circulando sobre a paisagem como uma revoada de abutres. O pilar estava vivo.

Havia um toque de incerteza no coração macroatômico do androide. Sua programação não o preparara para aquilo.

As transmissões de emergência estalavam em sua cabeça, questionando, implorando por assistência, chorando em desespero. Modular reduziu a velocidade, suas percepções buscando a terra escura logo abaixo. Grandes assinaturas infravermelhas — mais brotos do Enxame — rastejavam entre as ruas ladeadas de árvores. As assinaturas espalhavam-se, mas seu movimento tinha um objetivo: a cidade. Parecia que Princeton era o ponto de partida. O androide desceu, ouviu barulhos de rasgos, gritos, tiros. As armas nos seus ombros rastreavam enquanto mergulhava, aumentando a velocidade.

O broto do Enxame não tinha pernas, movia-se como uma lesma com impulsos ondulados de um corpo escorregadio de nove metros. A cabeça era encouraçada, com mandíbulas laterais que pingavam. Um par de braços gigantes, sem ossos, terminavam em garras. A criatura estava enfiando a cabeça numa casa colonial de dois andares, abrindo buracos, os braços buscando pelas janelas, procurando as coisas que viviam lá dentro. Tiros vinham do segundo andar. Luzes de Natal piscavam nas beiradas do telhado, nos arbustos ornamentais.

Modular pairou sobre ele, lançando uma rajada precisa de laser. A micro-onda enviada era invisível, silenciosa. A criatura vibrou, rolou para o lado, começou a se retorcer. A casa estremeceu com as pancadas a esmo. O androide atirou novamente. A criatura tremeu e ficou imóvel. O androide deslizou primeiro com os pés para dentro da janela de onde vieram os tiros, viu um homem gordo e totalmente nu com um rifle nas mãos, um adolescente com uma pistola com mira, uma mulher agarrada em duas garotinhas. A mulher gritava. As duas garotas, perplexas, tremiam.

— Jesus — o gordo disse.

— Eu matei a coisa — o androide falou. — Pode ir para o seu carro?

— Acho que sim — o gordo respondeu. Ele enfiava cartuchos no rifle. A esposa ainda gritava.

— Siga para leste, na direção de Nova York — disse Modular. — Parecem estar em maior número por aqui. Talvez possa ir em comboio com alguns vizinhos.

— O que está acontecendo? — o homem perguntou, engatilhando o rifle com a alavanca para trás e para a frente. — Outro surto do carta selvagem?

— Aparentemente, monstros do espaço.

Houve um som de explosão atrás da casa. O androide girou, viu o que parecia ser uma serpente de 18 metros, movendo-se sinuosamente como uma cobra do deserto enquanto abria espaço entre os arbustos, árvores e postes de energia. A parte de baixo do corpo da serpente retorcia-se com cílios de três metros. Modular saiu rápido pela janela, lançou outra rajada de micro-ondas na cabeça daquela coisa. Sem efeito. Outra rajada, sem sucesso. Atrás dele, o rifle de veados estrondou. A mulher ainda gritava. Modular concluiu que o cérebro da serpente não estava na cabeça. Começou a atirar rajadas precisas pelo corpo do animal.

As tábuas rangeram quando a serpente atingiu a casa. A construção cambaleou nas fundações, uma parede desmoronou, o andar de cima inclinou-se perigosamente. O androide atirava repetidamente. A serpente ergueu a cabeça e atravessou a janela de onde o gordo estava atirando. O corpo da serpente pulsou diversas vezes. Sua cauda se retorceu. O androide atirava. A gritaria parou. A serpente retirou a cabeça e começou a se enrolar em direção à próxima casa. A energia do androide estava quase esgotada, mal retinha força suficiente para ficar no ar.

Essas táticas, decidiu Modular, não estavam funcionando. As tentativas de ajudar as pessoas resultariam num esforço disperso e bastante fútil. Precisava examinar o inimigo, descobrir seus números e estratégia, então encontrar resistência organizada em algum lugar e ajudar.

Partiu voando na direção de Princeton, seus sensores procurando, tentando reunir uma imagem do que acontecia.

Sirenes começaram a soar embaixo dele. As pessoas saíam das casas em ruínas. Veículos de emergência corriam sob luzes intermitentes. Alguns poucos automóveis ziguezagueavam loucamente, descendo ruas cheias de escombros. Aqui e ali incêndios irrompiam, mas a umidade e a garoa ocasional os mantinham confinados. Modular viu mais uma dúzia de serpentes, uma centena de predadores menores que se moviam como panteras sobre seis pernas, vintenas de uma estranha criatura que parecia uma aranha saltadora, seu corpo largo de quatro patas balançando em cima das árvores sobre pernas parecidas com muletas. Um carnívoro bípede de seis metros arreganhava dentes como um tiranossauro. Outras coisas, difíceis de ver pelo infravermelho, moviam-se como tapetes junto ao solo. Algo invisível lançou uma nuvem de lanças de um metro, mas ele percebeu a aproximação pelo radar e desviou. A nuvem ainda orbitava sobre Princeton. O androide decidiu investigar.

Havia milhares deles, criaturas ondulantes, escuras e sem penas como capachos voadores. No meio do rugir orquestrado de suas asas, soltavam ruídos baixos de lamentos, arranhando como as cordas de um baixo. Subiam e desciam, e o androide entendeu sua tática quando viu um veículo sair em disparada de uma garagem em Princeton e derrapar pela rua. Um grupo de ondulantes desceu em grupo, batendo com o corpo no carro e envolvendo o alvo dentro de suas formas de couro, deslizando-o sob o seu peso. O androide, com as energias parcialmente recuperadas, atirou nos voadores, derrubando alguns, mas o carro desviou sobre o meio-fio e bateu contra um prédio. Mais voadores desceram quando o primeiro grupo começou a espremer-se através de janelas estilhaçadas. Ácido corrosivo manchou a pintura do carro. O androide se ergueu e começou a atirar sobre a massa que pairava, tentando atrair a atenção.