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Outros fatos revelaram-se, inclusive imagens. Nenhuma praga carta selvagem — nem mesmo uma versão avançada — conseguiria produzir resultados como esses. Ao menos, não serei culpado por este, pensou.

— Acho — Tach disse — que aquilo que acabou de assolar Jersey é uma ameaça que minha raça já encontrou em diversas ocasiões… essas criaturas atacaram duas colônias; destruíram uma e quase acabaram com a outra. Nossas expedições os destruíram mais tarde, mas sabemos que existem muitos outros. O T’zand’ran

— Ele fez uma pausa pelos olhares vazios. — A tradução seria Enxame, eu acho.

O senador Hartmann parecia cético.

— Não é carta selvagem? Você está me dizendo que Nova Jersey foi atacada por abelhas assassinas do espaço?

— Não são insetos. Estão a caminho de se tornar… como eu digo isso? — Ele deu de ombros. — São levedos. Brotos de levedo gigantes, carnívoros, telepáticos, controlados por um levedo-mãe gigante no espaço. Muito famintos. Eu me mobilizaria, se fosse vocês.

O prefeito olhou aflito.

— Tudo bem. Temos meia dúzia de ases reunidos aqui embaixo. Quero que você vá lá e faça um resumo pra eles.

Os sons de pânico entravam pela claraboia. Eram quatro da manhã, mas parecia que metade de Manhattan tentava fugir da cidade. Foi o pior engarrafamento desde o Dia da Carta Selvagem.

Travnicek sorriu enquanto folheava as notas científicas que tinha rabiscado em papel de embrulho e maços de cigarro usados durante longos meses do período criativo.

— Então, o Exército quer mais de você, hein? Uau. Quanto estão oferecendo?

— O general Carter apenas expressou interesse. Ele não é o encarregado pelas compras, tenho certeza disso.

O sorriso de Travnicek transformou-se num franzir de cenho quando aproximou as notas dos olhos. Sua caligrafia era péssima, e a nota estava totalmente ilegível. Que diabos ele quis dizer?

Olhou em volta do apartamento, para a assustadora dispersão de lixo. Havia milhares de anotações. Muitas estavam no chão, onde haviam se integrado ao assoalho de compensado.

Ele soprava fumaça ao respirar no apartamento frio.

— Peça uma boa oferta. Diga a ele que quero 10 milhões por unidade. Suba para 20. Royalties sobre a programação. E quero as primeiras dez unidades para mim, como meus guarda-costas.

— Sim, senhor. Quando posso dizer a ele que poderemos esperar os planos serem entregues?

Travnicek olhou novamente para o lixo.

— Pode ser em pouco tempo. — Ele teria de reconstruir tudo do zero. — Primeira coisa, consiga um compromisso firme sobre o dinheiro.

— Sim, senhor.

— Antes de sair, limpe essa bagunça. Ponha minhas notas em pilhas ali em cima. — Ele apontou para uma parte razoavelmente vazia de uma das mesas.

— Senhor. Os alienígenas.

— Eles vão segurar — Travnicek deu uma risadinha. — Você será mais valioso para os militares após essas criaturas comerem metade de Nova Jersey.

O rosto do androide estava sem expressão.

— Sim, senhor.

E, então, começou a limpar o laboratório.

— Meu Deus — disse Carter.

Finalmente, o caos que o cercava deixou de existir. O silêncio no posto de comando improvisado no saguão de embarque do Aeroporto Internacional de Newark foi quebrado apenas pelo chiado dos jatos militares expelindo tropas e equipamentos. As tropas de paraquedistas em suas calças largas e novos modelos de capacete Kevlar estavam em pé ao lado dos oficiais da Guarda Nacional com suas panças e dos ases em roupas de salto. Todos esperavam pelo que Carter diria em seguida. Carter segurava uma série de fotografias de infravermelho contra a luz fraca que estava começando a entrar pelas janelas.

— Estão seguindo para o sul. Na direção de Filadélfia. Postos avançados, guardas de flanco, corpo principal, retaguarda. — Carter olhou para a equipe. — Parece que estão lendo nossos manuais táticos, senhores. — Ele largou as fotografias sobre a mesa. — Quero que vocês preparem seus garotos e vão para o sul. Direto para a rodovia de Jersey. Peguem veículos de civis, se precisarem. Queremos flanqueá-los e entrar do leste na direção de Trenton. Se entrarmos no flanco deles, talvez possamos parar a retaguarda antes que passem Princeton. — Virou-se para um assistente. — Chame a Guarda da Pensilvânia. Queremos as pontes até Delaware destruídas. Se não tiverem engenheiros para implodir, façam um bloqueio. Com caminhões de carroceria grande, se precisar.

Carter virou-se para os ases que estavam num canto, próximos de uma pilha de cadeiras de plástico colocadas às pressas. Modular, Uivador, Mistral, Pulso. Um pterodátilo que, na verdade, era o garoto que tinha a habilidade de se transmutar em répteis e cuja mãe estava a caminho para buscá-lo pela segunda vez em poucas horas. Peregrina, com uma equipe de cinegrafistas. O Tartaruga orbitava sobre o terminal em sua imensa carapaça blindada. Tachyon não estava lá; fora chamado a Washington como consultor científico.

— Os fuzileiros de Lejeune estão seguindo para a Filadélfia — comentou Carter. Sua voz era suave. — Alguém caiu em si e os colocou sob meu comando. Mas apenas um regimento chegará a Delaware a tempo para encontrar a tropa avançada de alienígenas, e eles não terão blindagem, nem armas pesadas, e terão de chegar às pontes em ônibus escolares e sabe Deus o que mais. Isso significa que vão ser arrasados. Não posso dar ordens para vocês, mas gostaria que fossem para a Filadélfia e ajudassem os fuzileiros. Precisamos de tempo para posicionar o restante deles. Vocês poderiam salvar um monte de vidas.

Coleman Hubbard estava diante de um grupo de homens e mulheres com sua máscara de falcão de Rá. Estava sem camisa, usando seu jaleco maçônico, e sentiu-se um pouco constrangido… muito de sua pele com cicatrizes estava exposto, as queimaduras que cobriram seu torso após o incêndio no velho templo do centro da cidade. Teve um calafrio pela lembrança das chamas, então olhou para cima para tirar a recordação da mente…

Sobre ele, reluzia a figura de um ser astral, um homem gigante com a cabeça de um carneiro e um falo colossal ereto, segurando na mão a cruz ansata e o cajado curvo, símbolos de vida e poder — o deus Amon, criador do universo, reluzindo entre uma aura multicolorida de luz.

Lorde Amon, pensou Hubbard. O Mestre dos Maçons Egípcios, e de fato um velho meio inválido em um quarto a quilômetros de distância. Sua forma astral poderia tomar qualquer forma que quisesse, mas em seu corpo era conhecido como o Astrônomo.

O brilho de Amon cintilava nos olhos dos adoradores reunidos. A voz do deus soava na cabeça de Hubbard, e este elevava os braços e narrava as palavras do deus para a congregação.

— TIAMAT chegou. Nosso momento está próximo. Precisamos concentrar nossos esforços no novo templo. O dispositivo Shakti deve ser montado e calibrado.

Sobre a cabeça de carneiro do deus surgiu outra forma, uma massa mutante de protoplasma, tentáculos e olhos, e carne fria, muito fria.

— Contemplem TIAMAT — disse Amon. Os adoradores murmuravam. A criatura crescia, reduzindo o brilho do deus.

— Minha Irmã Obscura está aqui — disse Amon, e sua voz ecoou na cabeça de Hubbard. — Precisamos preparar as boas-vindas.

Um jato Harrier dos fuzileiros sugou um voador por uma abertura, gritou enquanto vomitava a liga derretida e deslizou inclinado para a Trenton já condenada. O som dos voadores abafava o chiado dos jatos e o estrondo dos helicópteros. Napalm queimando reluzia enquanto flutuava sobre a água represada. Sinais coloridos de fumaça giravam no ar.

O corpo principal do Enxame abria violentamente seu caminho para Trenton, e a guarda avançada já estava atravessando o rio. Bloquear e implodir as pontes não foram o bastante para detê-los: eles apenas mergulharam no rio gélido e atravessaram como uma onda vasta e escura. Centenas de voadores cercaram o helicóptero do comandante dos fuzileiros navais e o derrubaram, e depois disso não havia ninguém no comando: apenas grupos de homens desesperados, mantendo-se onde podiam, tentando formar um quebra-mar contra a onda do Enxame.